Parte 2: Horner revela pressão por Verstappen e conflitos com Newey e Marko
segunda-feira, 19 de outubro de 2026 às 17:04
Christian Horner e Sergio Perez
Christian Horner revela que os representantes de Max Verstappen cobraram mudanças na Red Bull quando Sergio Perez estava mais confortável com o carro de 2022. Na mesma entrevista, o ex-chefe dos Touros expôs conflitos envolvendo Adrian Newey e Helmut Marko, reconheceu promoções precoces de pilotos e admitiu uma pressão brutal da equipe sobre Michael Masi em Abu Dhabi de 2021.
Esta segunda parte da entrevista ao podcast High Performance acompanha a conversa sobre os campeonatos, as relações internas e o desenvolvimento dos carros. O relato mostra como decisões técnicas e disputas de influência se cruzavam dentro da organização.
Hamilton era mais rápido em Abu Dhabi
Ao recordar a decisão de 2021, Horner reconheceu que a Red Bull passou boa parte da corrida preparando-se para perder o campeonato de pilotos.
“Lewis tinha o carro mais rápido naquele dia em Abu Dhabi. Ele estava se afastando do Max”, afirmou.
Segundo o britânico, durante aproximadamente 80% da corrida ele pensava em como conversar com os funcionários depois da derrota. Entretanto, a defesa de Sergio Perez contra Hamilton ajudou a dar novas esperanças a Verstappen.
Posteriormente, o acidente de Nicholas Latifi provocou a entrada do safety car. A Red Bull chamou Max para colocar pneus macios novos, enquanto Hamilton permaneceu na pista com os duros que já utilizava.
Horner explicou que sua equipe tinha pouco ou nada a perder com a parada. Por outro lado, a Mercedes precisava preservar a liderança sem saber se haveria tempo para uma relargada.
A Red Bull pressionou Masi pela relargada
Quando a direção de prova informou inicialmente que os retardatários não recuperariam a volta, a Red Bull reagiu.
“Estávamos pressionando bastante, dizendo que aquela não era a maneira de terminar um campeonato”, admitiu Horner.
Depois disso, Masi autorizou apenas os cinco retardatários entre Hamilton e Verstappen a ultrapassar o safety car. Assim, o holandês ficou imediatamente atrás do adversário para disputar a última volta.
Na entrevista, Horner defendeu que a decisão estava dentro das atribuições previstas no regulamento. Entretanto, reconheceu que aquele procedimento nunca havia ocorrido daquela maneira.
O relatório posterior da FIA registrou problemas graves no procedimento. Além disso, reproduziu o reconhecimento dos comissários de que o artigo 48.12 não recebeu a aplicação correta quanto à volta adicional do safety car.
A análise também considerou que as intervenções de Red Bull e Mercedes pelo rádio acrescentaram pressão e distrações em um momento crítico. Portanto, a defesa de Horner passa longe de ser uma conclusão de que tudo ocorreu corretamente.
Michael Masi foi demitido depois por esse procedimento.
Ao mesmo tempo, Horner elogiou a reação de Hamilton após perder o campeonato.
“Naquele que deve ter sido um momento horrível para ele, manteve a compostura. Apertou a mão do Max, apertou a minha e nos parabenizou”, declarou.
Segundo Horner, seu respeito pelo britânico aumentou muito naquele momento.
Newey queria sair, mas não o procurou diretamente
Na sequência, a conversa passou para Adrian Newey. Horner destacou a amizade construída durante quase duas décadas e lembrou que o projetista é padrinho de sua filha.
Porém, a notícia de que Newey queria deixar a Red Bull chegou por telefone, embora ele estivesse trabalhando em um escritório próximo.
Ao procurá-lo para conversar, Horner ouviu que deveria falar com seu empresário. Quando perguntou quem era, recebeu a resposta: Eddie Jordan.
“Honestamente, achei que ele estivesse brincando”, contou.
Segundo o britânico, os dois voltaram a jantar juntos posteriormente. Ainda assim, ele lamentou a maneira como a relação profissional terminou.
O episódio acrescenta detalhes ao desgaste com Newey já publicado pelo Autoracing.
Cinco profissionais pressionavam por mudanças
Horner revelou que enfrentava pressão interna para alterar a dinâmica de trabalho envolvendo Newey. Segundo ele, a questão colocava sua amizade em conflito com suas responsabilidades como chefe.
“Eu estava sob enorme pressão interna da companhia porque, se as coisas não mudassem, cinco integrantes importantes da equipe estavam pensando em sair”, afirmou.
Questionado sobre as mudanças exigidas, explicou que Newey dividia sua atenção entre a Fórmula 1 e os projetos de tecnologia avançada. Enquanto isso, havia a percepção de que precisava delegar mais.
Horner não identificou os cinco profissionais. Assim, o depoimento não permite atribuir essa pressão a nomes específicos da atual estrutura.
Entretanto, a revelação mostra que a saída de Newey aconteceu em um ambiente de disputa sobre responsabilidades e autonomia. A entrevista não apresenta a resposta do projetista a essa versão.
Mateschitz quase rejeitou a contratação de Newey
Ao voltar ao início da parceria, Horner contou como David Coulthard ajudou a aproximar Newey da Red Bull. Um jantar em Londres e uma visita à Áustria fizeram parte da tentativa de convencê-lo.
Porém, quando a negociação chegou aos valores, surgiu um problema. Segundo Horner, o pedido era aproximadamente o dobro da estimativa que havia apresentado a Dietrich Mateschitz.
A primeira reação do fundador foi rejeitar o negócio e mandar colocar Newey no avião de volta.
Enquanto Horner tentava imaginar uma combinação de salário e bônus, Mateschitz telefonou novamente. Havia reconsiderado e autorizado a contratação.
Assim, uma conversa que quase terminou em recusa abriu caminho para uma das parcerias mais vitoriosas da história da categoria.
Marko deixava assessores de imprensa em lágrimas
Ao falar de Helmut Marko, Horner reconheceu sua importância para a própria contratação e para a independência da equipe dentro do grupo. Além disso, destacou a confiança que o austríaco tinha de Mateschitz.
Por outro lado, descreveu problemas frequentes provocados por suas declarações públicas.
Segundo Horner, Marko não tinha filtro ao responder a jornalistas. Consequentemente, surgiam dificuldades com comentários sobre atualizações, assuntos técnicos e avaliações dos pilotos que prejudicavam a equipe.
“Houve muitos assessores de imprensa que acabaram em lágrimas por causa do que, às vezes, precisavam administrar depois”, afirmou.
Portanto, o impacto dessa maneira de agir não ficava restrito às manchetes. Outros profissionais precisavam lidar com as consequências dentro da organização.
Perez sabia que a prioridade era Verstappen
A conversa então chegou ao segundo carro. O entrevistador apresentou a versão de Perez de que Horner teria dito que a equipe correria com apenas um carro se pudesse.
Horner contestou essa formulação. Entretanto, confirmou que havia apresentado ao mexicano uma hierarquia clara desde a contratação.
“Você precisa reconhecer que esta equipe está organizada para conquista mundiais com Max como principal piloto”, reproduziu.
Segundo ele, Perez poderia vencer quando sua atuação o colocasse nessa posição. Porém, fora dessa situação, teria que correr apoiando Verstappen na disputa contra a Mercedes.
Assim, o mexicano entrou em uma equipe que já havia definido seu protagonista. Posteriormente, essa prioridade também apareceu na discussão sobre o desenvolvimento, que não havia sido falado anteriormente.
A cobrança quando Perez estava mais confortável
Horner explicou que Alexander Albon ajudou a desenvolver o carro de 2022 no simulador durante a temporada anterior. Segundo ele, o projeto incorporou um comportamento mais convencional de um monoposto, próximo do estilo do tailandês.
Essa previsibilidade do carro também beneficiava Perez. Verstappen, por outro lado, reclamava da tendência do carro a sair de frente.
“Quando começamos a temporada de 2022, se vocês se lembram, Max detestava o carro”, afirmou.
Foi nesse contexto que os representantes do holandês cobraram fortemente por uma mudança. Horner situou a reunião por volta do GP do Azerbaijão daquele ano.
“Eles disseram: ‘Vocês desenvolveram esse carro em torno do Checo. Precisam seguir o que o Max quer’”, contou.
Em seguida, destacou a influência daquela mensagem.
“Era muito claro o recado que estava chegando. E, naturalmente, Max é o principal ativo. É o piloto com quem você tem mais chances de vencer”, declarou.
O ex-chefe não identificou individualmente os representantes presentes. Entretanto, seu relato deixa claro que a cobrança surgiu justamente quando Perez encontrava mais confiança no equipamento.
O carro caminhava para o estilo de Max
Segundo Horner, essa tendência começou a aparecer em 2018. Verstappen exigia uma dianteira cada vez mais forte e conseguia administrar uma traseira que outros pilotos consideravam mais difícil.
“Ele exige cada vez mais dianteira do carro e consegue lidar com o que quer que a traseira faça”, explicou.
Ao perseguir essa característica, a Red Bull direcionava a engenharia, as ferramentas e o desenvolvimento para o comportamento desejado pelo holandês. Consequentemente, outros pilotos encontravam grandes dificuldades para explorar o mesmo carro.
Entre a grande maioria dos pilotos, uma traseira estável é fundamental para atacar a entrada e o ponto de tangência da curva com confiança. Uma dianteira muito incisiva combinada com uma traseira solta representa um comportamento pouco natural, exigindo outro tipo de tocada paara o carro.
É justamente essa diferença que torna a declaração de Horner importante. Segundo ele, Verstappen exige muita resposta dianteira e consegue administrar a instabilidade traseira resultante, enquanto seus companheiros encontravam dificuldades. Portanto, seguir essa direção de desenvolvimento favorecia Max e, ao mesmo tempo, reduzia a confiança dos demais.
Além disso, Horner reconheceu limitações no túnel de vento e em parte da simulação. Portanto, a diferença entre os companheiros envolvia mais do que a capacidade de pilotagem.
O relato não demonstra que a Red Bull entregava peças inferiores ao segundo carro. Porém, mostra como equipamentos equivalentes podem produzir dificuldades diferentes quando o desenvolvimento acompanha as preferências de apenas um piloto.
“Foi cedo demais” para os jovens
Horner também admitiu que a equipe promoveu pilotos antes de estarem preparados.
“Acho que foi cedo demais para Alex. Acho que foi cedo demais para Gasly. Acho que foi cedo demais para Lawson”, declarou.
O Autoracing já publicou sua admissão sobre a promoção de Lawson. Agora, o ex-chefe descreve um problema mais amplo no processo.
Segundo ele, havia pressão para promover nomes da academia rapidamente. Na interpretação de Horner, Marko precisava mostrar que o programa entregava pilotos à equipe principal.
Entretanto, esses jovens chegavam com pouca experiência, recebiam um carro difícil e enfrentavam um grande talento.
“Era quase impossível para eles terem sucesso naquele ambiente”, reconheceu.
Ao resumir o sistema, Horner afirmou que a Red Bull era extremamente generosa ao oferecer oportunidades, mas “bastante brutal” na execução.
Quero ser VIPO entrevistador cobra a responsabilidade de Horner
Quando Horner falava sobre o que a Red Bull fazia, o entrevistador observou que ele não estava falando sobre sua própria atuação.
O britânico respondeu que nunca comandou o programa de jovens pilotos. Além disso, destacou seu esforço para garantir alternativas a quem perdia espaço, incluindo a ida de Albon para a Williams.
Porém, não administrar a academia não elimina sua responsabilidade como chefe da equipe principal. Ele participava das decisões, acompanhava o desenvolvimento e comandava a estrutura que recebia esses pilotos.
A entrevista também trouxe uma lembrança sobre Russell, Norris e Piastri. Segundo Horner, os três utilizaram o simulador da organização quando jovens, com pagamentos feitos pelas famílias. O responsável pelo equipamento chegou a alertá-lo de que aqueles pilotos eram melhores do que os integrantes do programa naquele momento.
Esse conjunto de revelações impede reduzir todos os problemas do segundo carro à falta de velocidade de seus ocupantes. O próprio Horner descreve promoções precoces, pressão elevada e desenvolvimento voltado ao estilo de Verstappen.
A escolha ajudou a Red Bull a conquistar campeonatos. Entretanto, também criou condições que precisam entrar na avaliação de quem disputava a outra vaga.
Em tempo: A terceira parte da entrevista de Christian Horner vai ao ar amanhã.
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