Stock Car tem que ser mais do que um showzinho

segunda-feira, 26 de abril de 2021 às 13:03

Stock em Goiânia 2021

Por: Bruno Aleixo

Imagine que você tenha em mãos uma categoria de carros de turismo com mais de 30 pilotos envolvidos. Dentre os fornecedores de material, gente de peso como a Pirelli, a mesma marca que faz os pneus da Fórmula 1. Duas montadoras envolvidas no desenvolvimento dos motores, Toyota e Chevrolet. E, no casting principal, pilotos do calibre de Felipe Massa, Rubens Barrichello, Ricardo Zonta (ex-F1), Tony Kanaan (Vencedor de 500  Milhas) e vários campeões da sua própria categoria, como Ricardo Maurício, Daniel Serra, Cacá Bueno, dentre outros. Em um ano de crise, consegue transmissão ao vivo nas TV’s aberta e fechada, em canais de boa relevância. O que você faz?

Bom, aparentemente os responsáveis pela Stock Car decidiram optar pela frase “o que você não faz”, já que lançaram mão de um regulamento confuso, que gerou duas corridas menores do que uma bateria de rental kart na Granja Vianna e ainda coroaram tudo isso com uma série de punições que modificaram os resultados e só vieram a ser conhecidas mais de 12 horas após o fim da primeira prova do ano, disputada em Goiânia.

Eu já usei esse espaço para falar da Stock em várias oportunidades e invariavelmente, caio na mesma conclusão: a organização faz um esforço danado para estragar uma categoria que tinha tudo para ser espetacular. O equipamento é ótimo, os autódromos são bem aceitáveis e os pilotos são de altíssimo nível, não perdendo para nenhuma categoria internacional sucesso. Qual a dificuldade, meu Deus do céu, de fazer um regulamento simples?

“Bruno, mas a categoria precisa agradar à TV para ter audiência”, dirá alguém. Verdade e parece que os índices da primeira prova do ano foram bem avaliados, especialmente no caso da Band. Mas, cabe a pergunta: a Stock vai conseguir fidelizar o público com duas corridas curtíssimas (25 e 20 minutos) e ainda surpreendendo o espectador que acorda no dia seguinte e vê que o resultado foi completamente diferente daquele que ele tinha visto no dia anterior?

Gente, o que faz a audiência bombar é corrida boa. E isso a Stock pode oferecer. Façam um regulamento que estabeleça uma corrida de uma hora e deixem os pilotos e equipes cuidarem do resto. Ah, querem incluir um pit-stop obrigatório? Sem problemas, peçam à Pirelli para desenvolver um pneu que não aguente uma hora de corrida e deixem que as equipes e pilotos façam suas estratégias. Pronto.

O que vimos em Goiânia pareceu mais uma corrida amadora disputada por pilotos de primeiro nível. Uma confusão dos diabos na primeira, com pit-stops totalmente desnecessários feitos apenas para cumprir regulamento e uma segunda corrida na qual o cronômetro NÃO PAROU durante a bandeira amarela. Portanto, em uma prova de 20 míseros minutos, tivemos uma grande parte sem qualquer ação na pista. Bizarro.

Por fim, uma coisa que já falei e que precisa ser pensada rapidamente. Um dia essa maldita pandemia vai acabar e o público estará de volta aos autódromos. Ir a um autódromo é um rolê considerável: muitos ficam distantes dos grandes centros, não oferecem boas estruturas de estacionamento (é preciso pagar caro), cobram uma boa grana pelos ingressos e, dentro, não têm grandes variedades de distração. Têm a corrida e ponto. Você acha razoável enfrentar todo esse perrengue para assistir duas corridas que, somadas, duram 45 minutos e ainda correndo o risco de descobrir, horas depois, que o resultado foi completamente modificado por punições? Pois é, nem eu.

A Stock Car é a principal categoria do automobilismo brasileiro. Tem qualidade de sobra dentro da pista. O problema é fora dela. Não custa, novamente, desejar que os dirigentes acordem de seu sono profundo e valorizem seu produto como automobilismo, não como showzinho pra TV.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP
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