Stock Car – Pilotos pedem mudanças no sistema de playoffs

sexta-feira, 14 de outubro de 2011 às 19:49

stock11-mgomes-350 copyCriado em 2006 com o propósito de gerar maior interesse nas últimas quatro etapas e levar a definição do título até a última corrida, o sistema de playoffs utilizado pela Stock Car nunca foi unanimidade entre os pilotos. Neste fim de semana, com a possibilidade de Cacá Bueno conquistar seu quarto título em Brasília e transformar em mera formalidade a prova de fechamento do calendário no Velopark (RS) no dia 6 de novembro, o tema voltou à pauta nos boxes. Há quem se manifeste satisfeito com o formato atual, outros que sugerem aperfeiçoamentos e ainda, como o próprio Cacá, quem se mostre radicalmente favorável à volta dos pontos corridos.

O líder Cacá fechará a conta caso vença domingo no Autódromo Internacional Nelson Piquet e Max Wilson, seu mais direto perseguidor, não chegue em segundo. Mesmo assim, o campineiro Xandinho Negrão, que comemora 26 anos nesta sexta-feira, acredita que não há nada de muito errado com os playoffs. “Gosto da ideia das superfinais. Mas acredito que o número de participantes poderia ser ampliado dos atuais 10 para 12”, sugere o piloto da Equipe Medley/Full Time Sports, que ficou de fora da fase final muito por conta do acidente que sofreu no treino de pré-temporada em Piracicaba. Com fraturas de ombro e dedo, Xandinho foi apenas um figurante nas duas primeiras etapas do campeonato em Curitiba e Interlagos.

Oitavo colocado na classificação geral e chances próximas de zero de alcançar o título inédito, Marcos Gomes aprova os playoffs, mas oferece sugestões ousadas para ampliar o interesse nas últimas corridas e permitir que todos os pilotos entrem na corrida final ainda na briga. “Os playoffs são ruins para quem domina as seletivas com grande vantagem, como ocorreu comigo em 2008 e com o Tiago Camilo neste ano. Agora, se o Cacá liquidar a fatura aqui, paciência. Parabéns para ele e para a equipe, que terão feito um trabalho melhor”, lembra. O companheiro de equipe de Xandinho acha que a última corrida merece uma atenção especial dos organizadores. “Já pensou fazer uma prova mais longa, como a Corrida do Milhão, com uma entrada obrigatória do safety car para reagrupar os carros na metade e com pontuação dobrada? Acho que seria legal. Mais ainda: nessa corrida, os 10 finalistas partiriam nas cinco primeiras filas, obedecendo à ordem de cada um nos treinos classificatórios. Aí seria pau puro da largada à bandeirada”, propõe. Gomes está alcançando a marca de 60 corridas neste fim de semana na Capital Federal.

Campeão de 2007, quando ultrapassou o então parceiro Gomes no fechamento do campeonato em Interlagos, Ricardo Maurício é crítico do sistema atual. “É preciso fazer mudanças porque estamos vivendo algumas situações estranhas. O Tiago Camilo, que está em quinto lugar, poderá até ser campeão se ganhar as duas corridas que faltam e o Cacá não fizer dois segundos lugares. Acho que as vitórias na fase seletiva devem receber bonificação em pontos, como existiu nos primeiros anos dos playoffs. E talvez a pontuação da fase final devesse ser alterada, diminuindo a diferença entre os classificados aos playoffs. Dessa forma, ninguém dispararia na classificação e o prejuízo de uma quebra ou abandono poderia ser descontado”, argumenta o piloto da RC, terceiro colocado e firme na luta pelo bi.

O tricampeonato conquistado na fase atual não move Cacá um milímetro de suas convições. “Sempre fui contra os playoffs e não mudei de opinião. Os pontos corridos premiam quem teve mais méritos, favorecendo aquele que foi melhor ao longo do ano, em todos os circuitos e condições climáticas, e não apenas num período específico. E a aplicação dos descartes, um na fase seletiva e outro nos playoffs, é ainda mais absurdo. De repente, no ano que vem, podem vir com decisão na moeda, rifa, sei lá… Esporte deve ser sinônimo de competência, não de sorte. A verdade é que não existe categoria decente em nenhuma parte do mundo que use o sistema de playoffs. Mas sei que ele tem inúmeros defensores aqui dentro, porque muitos trabalham apenas com a meta de entrar nas superfinais e não para brigar pelo título. Mesmo no aspecto promocional é complicado ‘vender’ para o público e a mídia a história de 10 finalistas. Prefiro a época das minhas brigas com o Giuliano Losacco e do Ingo Hoffmann contra o Chico Serra”, compara.

EB – www.autoracing.com.br

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