Muito mais que uma curva

segunda-feira, 4 de abril de 2011 às 21:35
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Curva do Café, 3 de abril de 2011

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Ainda estamos, todos, sob o impacto da perda de uma pessoa tão querida como o Gustavo Sondermann, falamos mais com o coração do que com a cabeça. Mas aos poucos, as idéias clareiam e surgem questionamentos.

Elegemos, quase todos, a curva do Café como a grande vilã deste terrível acidente e daquele que vitimou o Rafael Sperafico em 2007. Mas por que lá morrem apenas pilotos da mesma categoria (a Copa Montana, em que corria o Gustavo, é sucessora da Stock Light, em que corria o Rafael)?

Por lá passam, em velocidade altíssima, carros de categorias em que competem pilotos amadores – portanto, bem menos preparados do que o Gustavo e o Rafael, que tinham, os dois, experiência internacional e respeito dos colegas e das equipes. Só não estavam ainda na Stock V8 por questões financeiras, não por qualquer outra razão.

Ambos morreram na curva do Café, competindo em provas que reunem pilotos com experiências absolutamente heterogêneas. A Stock Car nunca resolveu o velho problema do embaçamento do parabrisas em dias de chuva – que aflige tanto as pick ups da Copa Montana quanto os carros da Stock V8. Isso se viu claramente durante o televisionamento da última etapa do ano passado, quando Max Wilson, que disputava o título, avisava à equipe que não conseguia ver nada.

Neste ano se incorporou aos motores das pick ups o push to pass. Não sei a potência que este artefato acrescenta na Copa Montana, mas na V8 o aumento é de 50 cavalos e tem retardo de cinco segundos entre o acionamento do botão e a entrada da potência. Ou seja, exige uma prática em sua utilização que não foi possível aos pilotos obter durante os treinos. A corrida de domingo foi a primeira do ano da categoria e os treinos foram encurtados a fim de proporcionar redução de custos para as equipes.

Junte-se a isso o fato de vários pilotos disporem de verba para apenas algumas etapas e precisarem aproveitar o televisionamento ao vivo para mostrar serviço e, assim, facilitar a captação de um patrocínio que cubra o ano inteiro. Isso os leva a ousadias maiores do que as habituais.

A soma destes fatos e circunstâncias me leva a concordar que, sim a curva do Café é um ponto perigoso. O automobilismo é uma atividade de risco, mas é inevitável a conclusão de que estes elementos o tornam ainda mais perigoso.

Será que uma área de escape, por mais bem vinda que seja, vai ser a solução final?

Vamos refletir sobre isso?  

Lito Cavalcanti

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