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segunda-feira, 17 de maio de 2021 às 13:00

Stock Car 2021 – Interlagos

Por: Bruno Aleixo: Não é fácil ser jornalista em tempos de intolerância. Qualquer coisa escrita ou falada passa a ser objeto de xingamentos ou elogios exacerbados, daqueles que discordam ou concordam com quem profere as palavras. É interessante pois, para se escrever algo, especialmente no campo opinativo, é preciso buscar embasamento prático e teórico. Trazendo para o nosso universo, para se emitir uma opinião sobre uma corrida ou categoria, é preciso, minimamente, assistir ao evento.

E foi assim que, há duas ou três semanas, escrevi neste espaço sobre a Stock Car e sua vergonhosa abertura da temporada de 2021, em Goiânia. Vejam, essa é uma coluna, um espaço para opinião. Trago aqui meus pontos de vista e não notícias. Portanto, para emitir meu juízo de valor sobre a corrida, eu não preciso apurar nada com fonte nenhuma, apenas preciso ser fiel ao que vi na tela da TV. E, naquele caso, não gostei nada do que vi.

A julgar pelos comentários na própria coluna, muita gente também não gostou e a Stock Car ficou em xeque. Uma categoria que conta com um equipamento de primeira linha e com pilotos de história riquíssima no automobilismo, realizando duas corridas de 20 minutos cada, com safety car, e punições aplicadas após a prova, mudando todo o resultado. Um fiasco retumbante.

E foi sob esse olhar de desconfiança que a Stock Car desembarcou em Interlagos com a missão de apagar a terrível imagem da estreia. A boa notícia é que, em larga escala, conseguiu. A organização aumentou o tempo de prova de 20 minutos para meia hora, mas manteve as duas provas separadas, sem nenhum intervalo entre elas. Na prática, a Stock realiza uma grande corrida de uma hora, com um safety car e uma nova largada no meio, tendo dois pits obrigatórios, um em cada bateria.

Pessoalmente, preferiria uma corrida apenas, com uma hora de duração e pits efetivos. Me incomoda muito essa coisa de ter que ir aos boxes obrigatoriamente apenas para cumprir regulamento. No entanto, é preciso reconhecer: o fim de semana em Interlagos foi muito mais interessante do que o de Goiânia. As duas corridas foram movimentadas, com destaque para a última bateria, recheada de brigas de primeiro nível. É a Stock entregando o que o seu potencial permite.

Mas a grande notícia foi a atuação da direção de prova na questão das punições. Nada de análises 24 horas depois. As punições (inclusive aquela aplicada a Gabriel Casagrande, justíssima) foram anunciadas com a corrida em andamento, o que gerou uma tensão razoável na disputa pela vitória na primeira bateria. Isso sem contar o respeito ao público, o mais importante.

Como ponto ainda negativo, além da questão do pit stop fake, fica o push to pass que, mais uma vez, criou diferenças de velocidade absurdas e banalizou diversas ultrapassagens. Inclusive, na minha visão, teve papel fundamental no grave acidente sofrido por Gaetano di Mauro, na corrida 2. É preciso rever, urgentemente, a forma como são colocados estes artifícios para facilitar as ultrapassagens, ou logo logo veremos alguma tragédia acontecendo.

Por fim, voltando ao que disse no começo, jornalistas não têm obrigação de cobrar ou militar contra ou a favor de nada. Mas por meio de nossos instrumentos (textos, blogs, podcasts etc) podemos influenciar e apontar caminhos, mesmo que indiretamente. Cabe aos envolvidos saberem como reagir. A Stock agiu rápido, mexeu em pontos importantes de seu regulamento e pode ter dado um passo importante rumo ao sucesso nesta temporada.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP
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