Parte 3: Horner expõe exigências de Max e dispara contra chefes da F1
terça-feira, 20 de outubro de 2026 às 11:49
Entrevista de Christian Horner ao High Performance
A parte final da entrevista de Horner ao podcast High Performance trouxe declarações sobre a influência de Jos Verstappen, provocações a Toto Wolff e Zak Brown e críticas aos atuais chefes da Fórmula 1. Além disso, o britânico negou negociações com a Ferrari e deixou claro que procura participação acionária e autonomia para considerar um retorno.
Depois de explicar as decisões técnicas e os conflitos internos da Red Bull, o ex-dirigente voltou à contratação de Max, às relações de poder no paddock e ao futuro de sua própria carreira.
O Autoracing publicou na segunda parte a cobrança dos representantes de Verstappen, as dificuldades dos companheiros e os conflitos envolvendo Newey e Marko. Agora, a conversa avança para outras revelações.
“O pai é um pesadelo”: a resistência inicial a Max
Ao recordar a contratação de Verstappen, Horner afirmou que Helmut Marko não demonstrou grande entusiasmo no primeiro momento. O holandês fazia a transição do kart para a Fórmula 3 e não pertencia ao programa de jovens da Red Bull.
O entrevistador também recuperou uma passagem do livro de Horner na qual Marko teria reclamado de Jos: “O pai é um pesadelo. Não precisamos disso”.
Entretanto, segundo Horner, o austríaco mudou de posição depois de acompanhar uma atuação de Max na chuva, em Norisring.
A partir daquele momento, passou a defender sua contratação. Além disso, o interesse de Niki Lauda e Toto Wolff aumentou a disputa com a Mercedes.
Horner reconheceu que Marko teve coragem de oferecer ao adolescente uma vaga de titular na Toro Rosso. Portanto, seu relato inclui a resistência inicial, mas também o papel decisivo do austríaco para viabilizar a chegada.
Jos era quem Max ouvia acima dos demais
Questionado sobre sua relação com o pai de Verstappen, Horner destacou a influência de Jos na formação do piloto.
Segundo ele, nos primeiros anos Jos mantinha uma postura mais reservada. Entretanto, sua opinião tinha um peso particular para Max.
“Ele era o cara que Max realmente ouvia”, afirmou.
Horner também reconheceu a dedicação de Jos à carreira do filho, desde o kart até sua preparação para a Fórmula 1.
“Max tinha uma enorme confiança nele e iria ouvi-lo acima de todos os outros”, acrescentou.
Por outro lado, admitiu que diferenças de opinião eram inevitáveis. Assim, descreveu uma figura com influência real sobre o principal piloto, embora não tenha afirmado que Jos determinou sua demissão.
O Autoracing já explicou os limites de seu relato sobre os vetos a Alonso e Leclerc, incluindo o que atribuiu ao entorno de Max e o que não atribuiu ao próprio piloto.
O elogio a Max e a cobrança sobre Lambiase
Ao explicar o diferencial de Verstappen, Horner destacou sua capacidade de pilotar no limite e ainda acompanhar estratégia, adversários e comportamento do carro.
“Ele pilota com uma fome e uma determinação que nunca vi em ninguém antes”, declarou.
Além disso, ressaltou a confiança do holandês para encontrar rapidamente o limite. Como exemplos, citou sua atuação no Brasil em 2024 e a ultrapassagem por fora sobre Nico Rosberg em Silverstone, em 2016.
Porém, essa capacidade vinha acompanhada de uma cobrança intensa sobre a equipe. Ao falar da relação com Gianpiero Lambiase, comparou o trabalho do engenheiro ao de alguém tentando acompanhar um cavalo de corrida extremamente preparado.
“Ele entrega 100% toda vez que entra no carro e espera o mesmo em troca”, afirmou.
Assim, o elogio também descreve o nível de exigência imposto a quem trabalha ao lado de Verstappen.
Duas horas de discussão e um comunicado aparentemente pronto
Na sequência da entrevista de Horner, a conversa voltou à política da categoria. Ele recordou sua primeira reunião da Comissão de Fórmula 1, ainda na época de Bernie Ecclestone e Max Mosley.
Segundo o britânico, os participantes discutiram durante duas horas sem alcançar um entendimento claro. Mesmo assim, ao final, todos trataram o encontro como um sucesso.
Depois disso, saiu um comunicado que, na percepção dele, tinha pouca relação com o conteúdo da conversa.
“Parecia que havia sido escrito muito antes da reunião e que Max e Bernie já tinham tudo acertado”, afirmou.
Nessa passagem, a referência a Max é a Mosley, então presidente da FIA. O episódio mostra como Horner percebia a distância entre a discussão interna e a apresentação pública das decisões.
Wolff o chamou de “babaca”, segundo Humphrey
Ao falar de Toto Wolff, Horner reconheceu a qualidade do adversário. Descreveu o chefe dos Prateados como inteligente, competitivo e um excelente dirigente.
Além disso, revelou que recebeu uma mensagem cordial após deixar a Red Bull. Porém, brincou que a vida do austríaco provavelmente havia ficado mais fácil sem ele.
Foi então que Jake Humphrey contou uma conversa que teria mantido com Wolff em Zandvoort.
Segundo o apresentador, o austríaco disse que “Christian era um pouco babaca”. Entretanto, também transmitiu a sensação de que faltava alguém com quem confrontar ideias entre os chefes.
Essa passagem é um relato de Humphrey sobre uma conversa com Wolff, e não uma declaração feita pelo dirigente durante o podcast.
Ainda assim, acrescenta um contraste à rivalidade: o incômodo pessoal convivia com a falta de um adversário disposto a sustentar aqueles confrontos.
Brown “perderá um cilindro” se irritar Wolff
Horner respondeu com uma provocação envolvendo Zak Brown e a McLaren.
“O problema é que Zak não vai irritá-lo, porque perderá um cilindro do motor”, disse, rindo.
A piada explora a dependência da equipe de Brown em relação à fornecedora Mercedes. Entretanto, não constitui uma denúncia de interferência no desempenho dos motores de clientes.
Na sequência, Horner revelou outro recado que havia dado ao antigo rival: aproveitar sua ausência enquanto pudesse.
Assim, mesmo fora do paddock, o britânico continua provocando os dirigentes que poderá voltar a enfrentar.
A vontade inicial era voltar e dar uma resposta
Segundo Horner, a primeira reação à demissão foi querer retornar rapidamente, reunir pessoas e construir outro projeto vencedor.
Havia uma vontade de provar que os demais estavam errados. Entretanto, o tempo longe da rotina alterou suas prioridades.
Ele continua gostando da competição e sente falta das pessoas. Por outro lado, afirma não sentir saudade da política e da pressão.
Além disso, contou que passou a atuar em consultoria para a Oakley, avaliando projetos esportivos, incluindo a America’s Cup.
Portanto, não considera necessário aceitar qualquer oportunidade apenas para recuperar um cargo na Fórmula 1.
Participação acionária e liberdade para comandar
Horner deixou claro que procura uma equipe com ambição de vencer, pessoas alinhadas e autonomia para trabalhar.
“Não faz sentido fazer alguma coisa com as mãos amarradas nas costas”, declarou.
Além disso, sua preferência envolve participação acionária e uma função estratégica. Voltar apenas à rotina de chefe no muro dos boxes não é sua prioridade.
“Já estive lá. Já fiz isso”, afirmou.
Assim, um eventual retorno depende de espaço para influenciar as decisões estruturais e participar do projeto como algo além de um funcionário.
“Prefiro não voltar a voltar pela razão errada”, resumiu.
Ferrari: sem negociação e sem ataque a Vasseur
Questionado sobre suas declarações a respeito da Ferrari, Horner negou que estivesse tentando criar pressão sobre Fred Vasseur.
Segundo ele, reconhecer o prestígio da Scuderia acabou gerando uma manchete que não representava sua intenção.
“Não tive nenhuma conversa com a Ferrari. Não estou em conversas com a Ferrari e certamente não pretendia colocar qualquer pressão sobre Fred”, declarou.
Além disso, afirmou que considera Vasseur um profissional com ótimo histórico e disse que havia recomendado seu nome como um bom candidato.
A explicação reforça o esclarecimento publicado pelo Autoracing sobre os rumores envolvendo Maranello.
Horner destacou que a Ferrari ocupa uma posição particular na categoria. Entretanto, também afirmou que não espera que a Scuderia venda uma participação na equipe, o que contrasta com sua preferência por um retorno com ações.
O elogio ao motor que ajudou a construir
Apesar da ruptura, Horner afirmou sentir orgulho da Red Bull Powertrains. Além disso, destacou a dificuldade de criar uma operação de motores a partir do zero.
Segundo o britânico, o desempenho do projeto merece mais reconhecimento.
“O fato de estar à frente de todos os motores, segundo a FIA, como o motor mais potente da Fórmula 1, é uma enorme conquista em seu primeiro ano”, afirmou.
A declaração mantém sua ligação com o projeto que ajudou a iniciar. Ao elogiar os resultados, também reivindica uma parcela do trabalho que tornou possível alcançá-los.
Portanto, Horner critica a forma como saiu, mas não abre mão de seu lugar na história construída pela organização.
Os atuais chefes seriam mais gestores do que líderes
Outro momento incisivo da entrevista de Horner envolve a transformação do cargo de chefe de equipe.
Segundo ele, dirigentes como Ron Dennis, Frank Williams, Peter Sauber e Eddie Jordan combinavam comando esportivo e responsabilidade empresarial.
Entretanto, considera que muitos dos profissionais atuais exercem funções mais próximas das de diretores esportivos e gestores.
Na comparação, destacou Wolff e ele próprio como representantes daquele perfil anterior, incluindo Brown em alguma medida.
“O restante é uma mistura de diretores esportivos e gerentes de equipe”, afirmou.
Além disso, defendeu que a categoria precisa de personalidades fortes, comparando esse papel ao de José Mourinho e Alex Ferguson no futebol.
Horner também contou que Mourinho o incentivou a voltar. Segundo ele, o treinador gostava da postura da Red Bull como uma equipe disposta a confrontar o establishment.
A crítica aos demais dirigentes também apresenta uma defesa de seu próprio valor. Ao dizer que falta personalidade no comando, Horner destaca justamente uma característica que considera ter a oferecer.
A exposição atingia toda a família
Na parte final, Horner voltou ao impacto pessoal das crises. Segundo ele, as manchetes atingiam filhos, pais, irmãos e sobrinhos, e não apenas sua própria vida.
Apesar disso, afirmou que nunca sentiu ter entrado em depressão. Descreveu-se como otimista e disse que o afastamento o ajudou a reconhecer o que tinha ao redor.
Depois de anos sacrificando compromissos familiares, passou a acompanhar atividades dos filhos e momentos que antes não conseguia priorizar.
Entretanto, continua incomodado com a maneira como sua trajetória profissional terminou.
“Eu preferiria que fosse nos meus termos, quando eu dissesse que terminei com o esporte, em vez de simplesmente ouvir que não precisam mais de mim”, explicou.
Quero ser VIPA roupa de Batman e o medo de não ser aceito
Ao descrever sua postura no trabalho, Horner comparou o cargo a vestir uma roupa de Batman. Precisava transmitir força e direção sem mostrar vulnerabilidade aos adversários ou aos funcionários.
Agora, afirma enxergar com mais clareza a pessoa por trás daquele papel.
Nas perguntas finais, citou honestidade e disposição para assumir erros entre os comportamentos que considera fundamentais. Além disso, identificou o medo de não ser aceito como uma fraqueza pessoal.
Segundo ele, a Fórmula 1 o ensinou rapidamente que não conseguiria controlar a opinião de todos.
A lembrança sobre o melhor conselho recebido trouxe novamente Bernie Ecclestone. Horner contou que, pouco antes da largada decisiva de Abu Dhabi em 2010, o então chefão se aproximou apenas para recomendar que não estragasse tudo.
Por fim, definiu alto desempenho como vencer e extrair o máximo das ferramentas e capacidades disponíveis.
A entrevista de Horner termina com a ambição ainda presente. Ele valoriza a vida recuperada longe da pressão, mas gostaria de voltar a competir e encerrar sua trajetória por uma escolha própria. Para isso, procura autonomia, participação e uma oportunidade que considere capaz de produzir novas vitórias.
Leia também a parte 1 da entrevista aqui e a parte 2 aqui.
bastidores da F1, Christian Horner, ferrari, fred vasseur, helmut marko, High Performance, jos verstappen, max verstappen, Red Bull Powertrains, sergio perez, toto wolff, zak brown
ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.