Hamilton sente falta de corridas com pista molhada na F1

quinta-feira, 8 de outubro de 2026 às 14:22
Lewis Hamilton cruza a linha de chegada com sua Mercedes em pista molhada no GP da Turquia de 2020.

Hamilton cruza a linha de chegada para vencer o GP da Turquia de 2020 em pista molhada

Lewis Hamilton sente falta das corridas com pista molhada na F1 e acredita que a categoria perdeu parte da pilotagem instintiva dessas condições. Segundo o heptacampeão, tanto os responsáveis pelo campeonato quanto os pilotos mais jovens adotam uma postura cada vez mais cautelosa.

Antes do GP de Singapura, Hamilton comentou os acontecimentos do último domingo em Sepang. Na ocasião, uma falha no software da FIA impediu vários pilotos de acelerar normalmente durante a volta de formação.

Por isso, a direção de prova interrompeu o procedimento de largada, e os carros retornaram lentamente aos boxes. As equipes precisaram carregar uma atualização de software antes de retomar os preparativos.

Após um atraso de 53 minutos, a pista já estava mais seca. Assim, os pilotos começaram a corrida com uma combinação de pneus intermediários e pneus para pista seca.

Hamilton critica cautela nas corridas com pista molhada

Como os pneus de chuva extrema raramente aparecem nas corridas atuais, Hamilton recebeu uma pergunta sobre o conservadorismo da categoria. Sua resposta foi direta.

“As corridas com pista molhada não são mais como costumavam ser, com certeza”, afirmou.

“Fiz ótimas corridas na chuva em 2008 e em outros anos; na época, tínhamos mais testes e pneus melhores para pista molhada. Eu amo correr na chuva mais do que qualquer outra coisa.”

Além disso, o piloto da Ferrari apontou uma mudança de atitude entre os dirigentes e os próprios competidores.

“Acho que os responsáveis pela categoria são cautelosos demais, mas, por outro lado, os jovens pilotos que estão chegando também são cada vez mais cautelosos.”

“É aí que eu penso: ‘vamos nessa’. Nessas horas que realmente testamos nossos limites. É mais arriscado? Com certeza.”

Sensibilidade e instinto fizeram diferença em Sepang

Hamilton construiu sua reputação na chuva com atuações como a vitória em Silverstone, em 2008. Já em Sepang, precisou explorar essa habilidade para reagir a um começo complicado.

A Ferrari apostou nos pneus para pista seca, mas as condições iniciais favoreceram os intermediários. Consequentemente, o inglês perdeu terreno e caiu para P18 antes de iniciar a recuperação que terminou em P3.

O Autoracing contou como Hamilton recuperou posições e conquistou o pódio na Malásia.

“As condições eram das mais difíceis quando eu estava com os pneus slick”, acrescentou.

“A pista estava molhada e eu usava pneus slick, mas adoro esse tipo de desafio. É disso que se trata a corrida: momentos em que você precisa pilotar usando a sensibilidade e o instinto, e é aí, de fato, que você consegue fazer a diferença.”

FIA prepara atualização após falha na Malásia

Enquanto isso, a FIA prepara novas atualizações de software para evitar a repetição dos problemas de Sepang. Após prometer uma investigação completa, a entidade confirmou nesta quinta-feira a origem eletrônica da falha, mas não detalhou exatamente o erro.

Como explicamos anteriormente, o problema no software da FIA provocou o caos antes da largada e afetou vários carros.

Entretanto, corrigir essa falha não resolve a discussão mais ampla levantada por Hamilton: quanto espaço a Fórmula 1 ainda oferece para corridas com pista molhada?

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Fãs também sentem falta das corridas na chuva

Anos atrás, uma pesquisa online do Autoracing mostrou que a grande maioria dos participantes gostava muito das corridas de Fórmula 1 na chuva. Afinal, essas condições valorizam a sensibilidade dos pilotos e podem transformar a disputa.

No entanto, corridas com chuva forte e uso prolongado dos pneus de chuva extrema se tornaram raras. Assim, parte daquele desafio que Hamilton descreve aparece cada vez menos.

Além dos pneus, a categoria precisa enfrentar questões como visibilidade, drenagem e aquaplanagem. Nesse debate, também cabe discutir maior flexibilidade para adaptar o acerto dos carros quando a chuva muda completamente as condições.

Levantar o carro, por exemplo, pode reduzir o contato do assoalho com a água acumulada. Contudo, essa medida isolada não elimina a aquaplanagem dos pneus nem a falta de visibilidade.

Portanto, a cobrança não termina em autorizar uma largada. A Fórmula 1 precisa criar condições melhores para que os pilotos possam disputar corridas na chuva e mostrar a habilidade que Hamilton tanto valoriza.

AS - www.autoracing.com.br

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