FIA aprova conceito da asa traseira Macarena após análise
terça-feira, 18 de agosto de 2026 às 8:49
Asa traseira da Red Bull
Uma das inovações mais chamativas da primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1 foi a asa traseira rotativa. O conceito ganhou rapidamente o apelido de “asa Macarena”, dado por Frederic Vasseur, chefe da Ferrari.
A Scuderia foi a primeira equipe a apresentar a solução durante os testes de pré-temporada. A novidade surpreendeu vários rivais, incluindo a McLaren.
Naquela época, a Red Bull já desenvolvia sua própria versão nos bastidores. Segundo o diretor técnico Pierre Waché, a inspiração não veio da Ferrari.
De fato, o projeto da Red Bull funciona de maneira diferente. Entre outros detalhes, a asa gira na direção oposta.
Por outro lado, a Red Bull não conseguiu deixar seu sistema totalmente operacional antes do início do campeonato. Por isso, a estreia da asa rotativa aconteceu somente no GP de Miami.
FIA aumentou atenção sobre a asa rotativa
Inicialmente, os projetos de Ferrari e Red Bull passaram pelas primeiras etapas sem grandes problemas. Entretanto, a situação mudou depois dos dois acidentes consecutivos de Max Verstappen em Spielberg e Silverstone.
Na sequência, a FIA pediu informações adicionais à Red Bull e à Ferrari. Ainda assim, a solicitação não foi direcionada especificamente à Scuderia.
Na verdade, a federação decidiu tratar as duas equipes de forma equivalente. Afinal, eram justamente as duas organizações que haviam utilizado o conceito em corridas até aquele momento.
A FIA precisava entender completamente as características dos dois sistemas. Isso ganhou ainda mais importância porque outras equipes começaram a desenvolver suas próprias soluções.
A McLaren, por exemplo, já testou uma asa traseira rotativa. A equipe planeja utilizá-la em “um dos primeiros finais de semana” depois da pausa de verão.
Agora, a FIA decidiu encerrar a avaliação do conceito. Ela informou a um grupo selecionado de jornalistas que não pretende tomar medidas contra o conceito geral da asa Macarena.
Quero ser VIPSegurança foi o principal foco da FIA
De acordo com Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, a entidade queria garantir que a solução fosse totalmente segura desde o primeiro momento.
“Quando esse tipo de projeto apareceu pela primeira vez, queríamos ter certeza de que era totalmente seguro”, explicou Tombazis.
Para isso, a FIA analisou diferentes requisitos. Entre eles, estava a chamada FMEA, sigla em inglês para análise dos modos de falha.
A avaliação não se limitou ao tempo necessário para a asa fechar. A federação também analisou o comportamento do componente depois do fechamento e a reação do próprio carro.
Isso porque o fluxo de ar não retorna imediatamente ao comportamento normal após o fechamento da asa. Portanto, apenas determinar um tempo máximo de fechamento não seria suficiente.
“Entramos em bastante diálogo para garantir que considerávamos esses projetos seguros”, afirmou Tombazis.
A FIA queria eliminar qualquer possibilidade de uma falha hidráulica manter a asa aberta. Nesse cenário, o componente poderia não retornar à posição fechada.
Ao mesmo tempo, ela precisava garantir que o movimento acontecesse rapidamente. Afinal, um fechamento muito lento poderia desestabilizar o carro.
“Queríamos ter certeza de que nunca houvesse o risco de uma falha hidráulica, fazendo com que a asa permanecesse aberta e não conseguisse voltar à posição fechada”, explicou.
“Também queríamos garantir que isso acontecesse em um período muito curto. Que não houvesse um movimento muito lento, capaz de desestabilizar o carro”.
Red Bull precisou fazer ajustes
Depois de todas essas discussões, a FIA concluiu que o conceito geral da asa Macarena é aceitável. Ainda assim, a Red Bull precisou realizar um trabalho adicional em seu sistema.
Segundo Tombazis, a FIA não determinou formalmente que a Red Bull modificasse o projeto. Em vez disso, a própria equipe técnica liderada por Waché percebeu que ainda precisava trabalhar no sistema.
Além das conversas com a FIA, os acidentes também ajudaram a mostrar que havia pontos a serem aprimorados.
“Temos discutido essas questões, e com base nessas conversas, a Red Bull decidiu trabalhar mais”, afirmou Tombazis.
“Nós não dissemos especificamente: ‘Não, vocês não podem correr com isso’. Porém, eles precisavam fazer um pouco mais de trabalho para ter certeza porque, no fim das contas, também querem que o carro seja seguro. Não acredito que alguém queira ver seu carro sofrer um acidente”.
Asa voltou no GP da Hungria
O trabalho adicional teve como objetivo solucionar os problemas identificados no sistema. Anteriormente, Waché havia explicado que as dificuldades tinham natureza mecânica.
Por esse motivo, a Red Bull precisou abandonar temporariamente a asa rotativa e utilizar uma especificação mais convencional no GP da Bélgica.
Depois dos ajustes, o sistema voltou ao carro. Assim, Verstappen e Isack Hadjar puderam utilizar novamente a asa traseira rotativa no GP da Hungria.
Dessa forma, a FIA encerrou sua análise sem considerar necessário banir o conceito. Portanto, a asa Macarena continua permitida na F1, desde que cada projeto cumpra os requisitos de segurança estabelecidos pela entidade.
A tendência é que outras equipes avancem com suas próprias versões. Com a McLaren já testando a tecnologia, a disputa pelo desenvolvimento das asas rotativas deve ganhar ainda mais força na segunda metade da temporada.
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