Ferrari testou truque da Mercedes na Hungria
terça-feira, 28 de julho de 2026 às 16:59
Hamilton no TL2 do GP da Hu8ngria
A Ferrari testou o truque da Mercedes durante os treinos para o GP da Hungria. A técnica exige que o piloto alivie o acelerador antes da linha de chegada para preservar energia elétrica e buscar um pequeno ganho na volta de classificação.
Segundo o The Race, Charles Leclerc e Lewis Hamilton avaliaram o procedimento na sexta-feira. Entretanto, a Ferrari concluiu que o traçado de Hungaroring não oferecia vantagem suficiente para justificar o risco na classificação.
Como o Autoracing já explicou anteriormente, a Mercedes encontrou uma maneira engenhosa de contornar a redução gradual de potência elétrica, conhecida como ramp-down.
Pelas regras de 2026, a unidade de potência precisa diminuir progressivamente a entrega elétrica quando a energia disponível chega ao fim. Essa redução ocorre em etapas de pelo menos 50 kW por segundo.
Porém, o regulamento abre uma exceção quando o piloto alivia o acelerador antes que a carga da bateria chegue a 0%. Nesse caso, o carro pode preservar parte dos 350 kW disponíveis e liberar a potência máxima ao cruzar a linha de cronometragem.
Mercedes aperfeiçoou o truque no simulador
No começo da temporada, a Mercedes utilizou uma versão diferente do sistema, baseada em um desligamento emergencial do MGU-K. Contudo, a FIA proibiu esse procedimento depois do GP do Japão.
A equipe encontrou outra solução a partir do GP da Inglaterra. Após vários testes no simulador, desenvolveu um sinal sonoro que avisa exatamente quando o piloto deve aliviar o acelerador.
Assim, Kimi Antonelli e George Russell conseguem executar a técnica com maior precisão. Antonelli utilizou o sistema nas voltas que lhe renderam as poles nos GPs da Inglaterra e da Bélgica.
O primeiro gráfico mostra a telemetria da pole de Antonelli em Silverstone. No quadro inferior, a linha do acelerador cai pouco antes do fim da volta. Enquanto isso, o quadro superior indica que o carro mantém a velocidade até cruzar a linha.

Legenda: A telemetria da pole de Kimi Antonelli em Silverstone mostra o alívio do acelerador antes da linha de chegada.
Texto alternativo: Telemetria de velocidade e acelerador da volta de Kimi Antonelli em Silverstone
Ferrari experimentou a solução na Hungria
Depois que a técnica da Mercedes se tornou conhecida, outras equipes começaram a estudar o sistema. Além disso, a FIA confirmou que o procedimento respeita o regulamento e não cria problemas de segurança.
Na Hungria, a Ferrari iniciou sua própria avaliação. O segundo gráfico mostra Leclerc aliviando o acelerador na aproximação da linha durante o treino de sexta-feira.
Embora o monegasco deixe de acelerar totalmente, o carro conserva a velocidade por inércia. Dessa forma, a Ferrari pôde analisar a energia preservada e o possível benefício no final da volta.

Legenda: Charles Leclerc alivia o acelerador antes da linha durante os treinos de sexta-feira na Hungria.
Texto alternativo: Telemetria de Charles Leclerc testando o truque da Mercedes no Hungaroring
Hamilton também participou dos testes realizados pela Ferrari. No entanto, a equipe decidiu abandonar a técnica antes da classificação.
O terceiro gráfico compara as diferentes abordagens utilizadas por Leclerc. Na sexta-feira, o piloto aliviou o acelerador antes da linha. Já no sábado, manteve o pedal totalmente pressionado até concluir a volta.
A comparação indica que a Ferrari não perdeu tempo ao seguir acelerando até a linha. Portanto, a equipe considerou desnecessário assumir o risco naquele circuito.

Legenda: A comparação mostra Leclerc testando o alívio do acelerador na sexta-feira e abandonando a técnica no sábado.
Texto alternativo: Comparação da telemetria de Charles Leclerc nos treinos do GP da Hungria
Ganho depende das características da pista
O truque não oferece o mesmo resultado em todos os circuitos. Sua eficácia depende da energia disponível e da distância entre a última curva e a linha de chegada.
Hungaroring permite um aproveitamento elevado da energia elétrica e possui um trecho relativamente longo até a linha. Por isso, o benefício tende a ser menor do que em Melbourne, Silverstone ou Spa.
Esses três circuitos apresentam menor disponibilidade de energia e uma distância mais curta entre a última curva e a linha. Consequentemente, preservar a potência máxima para os metros finais pode produzir um ganho mais relevante.
A taxa de ramp-down estabelecida pela FIA também influencia a decisão. Uma redução de 100 kW por segundo amplia o benefício da técnica em comparação com uma queda de 50 kW por segundo.
Por esse motivo, as equipes avaliam o sistema separadamente em cada pista. A própria Mercedes não utilizou o truque na classificação do GP da Hungria.
Centésimos podem decidir uma pole
As estimativas apontam para um ganho próximo de 0,050 segundo. Apesar de parecer pequeno, esse intervalo pode alterar completamente as primeiras posições do grid.
Na Hungria, Hamilton ficou somente 0,012 segundo atrás de Lando Norris na disputa pela pole. Posteriormente, o piloto da Ferrari ainda recebeu uma punição de três posições por atrapalhar Oscar Piastri.
Portanto, a vantagem potencial do sistema não pode ser desprezada. Com Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull cada vez mais próximas, poucos centésimos podem decidir uma pole ou até uma vitória.
Entretanto, a execução precisa ser perfeita. Caso o piloto não alivie o acelerador antes de esgotar a bateria, o carro violará as regras de redução gradual da potência.
Uma infração desse tipo pode provocar a desclassificação. Assim, cada equipe precisa decidir se um possível ganho de 0,050 segundo compensa o risco envolvido.
A Ferrari não considerou a técnica vantajosa na Hungria. Contudo, os testes indicam que ela poderá utilizar o truque da Mercedes em futuras classificações, principalmente nos circuitos mais favoráveis ao sistema.
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