Mercedes usou truque legal na classificação em Silverstone

quinta-feira, 9 de julho de 2026 às 15:11

Kimi Antonelli

A Mercedes chamou a atenção durante a classificação do GP da Inglaterra ao utilizar um truque inteligente e totalmente legal para ganhar velocidade na reta principal de Silverstone. George Russell e Kimi Antonelli aliviaram brevemente o acelerador antes da linha de chegada e, com isso, conseguiram recuperar a potência elétrica máxima no início da volta seguinte. A interpretação criativa do regulamento certamente fará Ferrari, Red Bull e McLaren analisarem a possibilidade de adotar a mesma estratégia. Ainda assim, a técnica exige extrema precisão e envolve riscos.

Durante todo o fim de semana em Silverstone, ficou evidente que os pilotos da Mercedes haviam encontrado uma maneira de obter vantagem sem infringir o regulamento.

Na prática, trata-se de uma evolução de uma solução utilizada pela equipe alemã no início desta temporada.

Naquela ocasião, assim como a Red Bull, a Mercedes conseguiu provocar uma redução abrupta de potência ao desligar o MGU-K.

Com isso, os carros mantinham os 350 kW máximos por mais tempo e ainda obtinham uma vantagem adicional entre 50 e 100 kW pouco antes da linha de chegada.

Depois do GP do Japão, porém, a FIA proibiu essa prática.

Como o MGU-K permanecia desligado durante sessenta segundos após ser desativado, alguns carros reduziam excessivamente a velocidade ou até paravam na pista.

Por questões de segurança, a entidade determinou que o sistema só poderia ser desligado em situações reais de emergência.

Mesmo assim, a Mercedes encontrou uma nova forma de explorar o regulamento sem infringir as regras.

Mercedes tira o pé do acelerador antes da linha de chegada

Após uma reportagem do The Race revelar a estratégia, os dados de telemetria passaram a ser analisados para entender exatamente como ela funciona.

Na prática, Russell e Antonelli aliviam brevemente o acelerador pouco antes de cruzar a linha de chegada.

Essa pequena redução permite que a unidade de potência disponibilize novamente a potência elétrica máxima na reta até a Curva 1.

Como o procedimento permanece dentro do regulamento, é provável que outras equipes tentem reproduzir a estratégia nas próximas etapas.

O gráfico acima mostra que Russell e Antonelli atingem velocidades superiores às de Lewis Hamilton logo no início da volta.

Pouco antes da linha de chegada, porém, Hamilton volta a ganhar velocidade.

Nesse trecho, a vantagem da Mercedes varia entre aproximadamente nove e 13 km/h em relação à Ferrari.

Também é possível observar, no mapa da pista, uma pequena faixa vermelha indicando um ponto em que Hamilton é mais rápido, justamente na região onde os pilotos da Mercedes aliviam momentaneamente o acelerador.

A telemetria do acelerador deixa a estratégia ainda mais evidente.

Antonelli, representado pela linha azul-clara, tira o pé do acelerador antes de Hamilton.

Enquanto o italiano reduz a aceleração para cerca de 40%, Hamilton permanece com aproximadamente 94%.

Nesse momento, o piloto da Ferrari atinge cerca de 271 km/h.

Russell e Antonelli ficam abaixo dos 260 km/h antes de voltarem a acelerar com a potência elétrica máxima disponível.

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Os riscos da estratégia

A técnica utilizada por Russell e Antonelli durante a classificação Sprint exige enorme precisão.

Programar a unidade de potência para utilizar os 350 kW pelo maior tempo possível é relativamente simples.

O maior desafio é fazer o piloto aliviar o acelerador exatamente no instante correto.

Ele precisa tirar o pé pouco antes de a bateria atingir carga zero.

Se esperar além do momento ideal, o MGU-K será desligado automaticamente.

Nesse caso, o procedimento passaria a infringir a regra criada pela FIA após o GP do Japão, deixando o carro fora da conformidade com o regulamento técnico.

Por isso, o piloto precisa saber com extrema precisão quanta energia ainda resta na bateria.

Essa informação varia constantemente de uma volta para outra.

Segundo o The Race, a Mercedes desenvolveu um sistema que avisa os pilotos por meio de sinais sonoros quando a bateria atinge um nível predeterminado pouco antes de chegar a zero.

Nesse instante, Russell e Antonelli aliviam imediatamente o acelerador.

Esse procedimento foi amplamente treinado no simulador e que a excelente correlação entre simulação e pista permitiu à equipe executar a estratégia com precisão.

AS - www.autoracing.com.br

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