Baterias da F1 estão congeladas para ganho de desempenho?
terça-feira, 23 de junho de 2026 às 13:35
Representação da unidade de potência de 2026 com a Energy Store (bateria) destacada à direita
Baterias F1 congeladas: a introdução do sistema ADUO em 2026 gerou uma dúvida interessante entre os fãs da Fórmula 1.
Se a FIA permite que as fabricantes recuperem parte da desvantagem no motor a combustão, o que acontece com as baterias?
A resposta surpreende muita gente.
Embora a FIA tenha criado um mecanismo para ajudar fabricantes que ficaram para trás no desenvolvimento do ICE, o mesmo não acontece com a bateria da unidade de potência.
Na prática, as baterias de 2026 estão homologadas e não podem receber atualizações de desempenho livres ao longo da temporada.
O que é a bateria da Fórmula 1?
A bateria recebe oficialmente o nome de Energy Store (ES).
Ela faz parte da unidade de potência e trabalha em conjunto com o MGU-K, responsável por recuperar energia nas frenagens e devolvê-la posteriormente ao carro.
Com o regulamento de 2026, a importância da parte elétrica aumentou significativamente.
Pela primeira vez na história da categoria, a contribuição elétrica passou a representar aproximadamente metade da potência disponível durante uma volta. Em 2027 a parte elétrica cairá da metade da potência para aproximadamente 40%, ou seja, ainda terá suma importância na potência total da UP.
Isso explica por que fabricantes e equipes investiram tanto tempo e recursos no desenvolvimento das baterias antes da homologação do regulamento de 2026.
As fabricantes desenvolvem suas próprias baterias?
Sim.
Mercedes, Ferrari, Honda, Audi e Red Bull Ford Powertrains desenvolvem suas próprias soluções para a Energy Store.
Na prática, porém, isso não significa que cada fabricante produza internamente todos os componentes da bateria.
Assim como ocorre em outras áreas da indústria automotiva, muitas fabricantes trabalham em parceria com empresas especializadas em células, eletrônica de potência e gerenciamento térmico.
Entretanto, o projeto final da bateria faz parte da unidade de potência homologada por cada fabricante.
As baterias podem ter desempenhos diferentes?
Sem dúvida.
Duas baterias podem obedecer exatamente o mesmo regulamento e ainda assim apresentar desempenhos bastante distintos.
As diferenças podem aparecer em áreas como velocidade de carga, velocidade de descarga, eficiência energética, controle térmico, peso e integração com o MGU-K.
Além disso, o software que gerencia a utilização da energia também exerce enorme influência sobre o desempenho final. O software de gerenciamento de energia não é padronizado pela FIA da mesma forma que a ECU, pois trata-se de propriedade intelectual do fabricante.
Portanto, esse software não pertence às equipes clientes, mas ao fabricante da unidade de potência. Assim, quando uma equipe compra motores Mercedes, Ferrari ou Honda, ela recebe o pacote operacional necessário para utilizar a unidade de potência em igualdade de condições regulamentares. Entretanto, os algoritmos de desenvolvimento, as ferramentas internas e boa parte do conhecimento técnico permanecem como propriedade intelectual do fabricante.
Por isso, uma fabricante pode possuir uma bateria mais eficiente mesmo sem apresentar o melhor motor a combustão.
Então as baterias podem ser atualizadas livremente?
Não.
Aqui está o ponto mais importante de toda a discussão.
Após a homologação da unidade de potência, a FIA não permite que uma fabricante introduza uma nova bateria simplesmente porque encontrou uma solução mais eficiente.
Então não é permitido trocar a bateria simplesmente porque alguém “fabricou” uma bateria nova apenas por mais desempenho.
A Energy Store faz parte da especificação homologada da unidade de potência.
Consequentemente, as fabricantes não podem apresentar novas versões voltadas apenas para ganho de performance durante a temporada.
Quando a FIA permite alterações?
A FIA pode autorizar mudanças específicas em situações bem definidas.
Entre elas estão problemas de confiabilidade, segurança ou defeitos identificados após a homologação.
Mesmo nesses casos, a fabricante precisa justificar a alteração e demonstrar que ela não representa uma atualização de desempenho disfarçada.
Portanto, a FIA analisa cada solicitação individualmente.
Na prática, isso significa que uma fabricante que acertou sua bateria logo no início do ciclo regulatório poderá carregar essa vantagem por vários anos.
Por que isso é importante para entender o ADUO?
Essa é justamente a conexão entre os dois temas.
O ADUO foi criado para ajudar fabricantes que ficaram para trás especificamente no desenvolvimento do motor a combustão.
Por isso, Ferrari, Mercedes, Honda e Audi receberam concessões para evoluir seus ICEs.
Entretanto, não existe um sistema equivalente para as baterias.
Em outras palavras, a FIA criou um mecanismo para reduzir diferenças de desempenho no motor a combustão, mas não criou um mecanismo semelhante para a Energy Store.
Isso significa que uma fabricante pode recuperar parte da desvantagem do ICE através do ADUO.
Por outro lado, uma eventual desvantagem na bateria é muito mais difícil de corrigir.
Quero ser VIPO que isso significa para a disputa de 2026?
O resultado é que a hierarquia das unidades de potência não depende apenas do motor a combustão.
Uma fabricante pode ter o melhor ICE da categoria e ainda assim não possuir a melhor unidade de potência completa.
Da mesma forma, outra fabricante pode apresentar uma bateria superior, um gerenciamento de energia mais eficiente ou um sistema híbrido mais sofisticado.
Por isso, os resultados do ADUO contam apenas parte da história.
Eles mostram quem possui o motor a combustão mais competitivo segundo os critérios da FIA.
Entretanto, não revelam necessariamente quem construiu a melhor unidade de potência completa para os regulamentos de 2026.
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