Rosberg revela ameaça de punição após briga com Hamilton

domingo, 16 de agosto de 2026 às 15:45

Lewis Hamilton e Nico Rosberg

Nico Rosberg comentou a revelação de Toto Wolff de que quase demitiu o alemão e Lewis Hamilton durante o auge da disputa pelo título da Fórmula 1 em 2016. O chefe da Mercedes tomou a decisão após mais um acidente entre os dois pilotos.

Em abril, Wolff contou ao The Athletic que chegou a dizer ao então diretor-executivo da Mercedes, Dieter Zetsche, que os dois pilotos deveriam ser “demitidos”. A intenção era mostrar a Hamilton e Rosberg que os interesses pessoais jamais poderiam ficar acima dos interesses da equipe.

“Em 2016, Rosberg e Hamilton bateram, e depois bateram novamente. Então eu os demiti. Liguei para o meu diretor-executivo, Dieter Zetsche, e disse: ‘Escute, você precisa assinar alguma coisa’. E ele me ligou de volta e perguntou: ‘Você está dispensando os dois pilotos?’. E eu respondi: ‘Sim, porque, caso contrário, eles não vão entender como é importante colocar os interesses da marca e da equipe acima dos próprios interesses’.”

Rivalidade saiu do controle

A relação entre Hamilton e Rosberg se deteriorou ao longo de 2016. Os dois eram amigos desde a infância, mas a disputa pelo título transformou a antiga amizade em uma rivalidade cada vez mais intensa.

Wolff revelou ainda que a Mercedes chegou a enviar um e-mail aos dois pilotos após a escalada dos conflitos. O dirigente deixou claro que a equipe não aceitaria que a rivalidade pessoal prejudicasse seus objetivos.

“Foi a rivalidade pessoal deles que tomou conta. O que começou como uma competição saudável virou uma rivalidade e depois se transformou em animosidade. E isso é algo que eu nunca permitiria dentro da organização. Com base nesses fatores, enviamos um e-mail para eles dizendo: ‘Neste momento, vocês não fazem parte da equipe’.”

Rosberg, que venceu aquela disputa pelo título, abordou o episódio no podcast High Performance Racing. O alemão lembra de uma “conversa a portas fechadas”, mas afirmou que a Mercedes nunca chegou a discutir seriamente a demissão dos dois pilotos.

Segundo Rosberg, uma suspensão por uma corrida seria uma medida mais provável naquele momento. A possibilidade surgiu depois do acidente na primeira volta do GP da Espanha de 2016, que abriu caminho para Max Verstappen conquistar sua primeira vitória na Fórmula 1, aos 18 anos.

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Acidente em Barcelona irritou Wolff

Rosberg recordou a reação de Wolff após o acidente em Barcelona. O chefe da Mercedes ficou furioso ao ver os dois pilotos abandonarem e entregarem a vitória à principal rival da equipe.

“Ele chegou com tudo. Estava tipo: ‘Que diabos vocês estão fazendo lá fora?'”

O alemão explicou o motivo da irritação de Wolff. Para a Mercedes, perder uma dobradinha por causa de um acidente entre seus próprios pilotos representava o pior cenário possível.

“Porque nós entregamos a vitória para a Red Bull, é claro. Essa é a pior coisa que você pode fazer: entregar a vitória para o inimigo feroz, a Red Bull. Essa é a coisa mais horrível. Então, Toto não ficou nada feliz com aquilo.”

Sobre a possibilidade de demissão, Rosberg negou que a Mercedes tenha chegado realmente a esse ponto. Ainda assim, confirmou que Wolff discutiu internamente com Zetsche a possibilidade de aplicar algum tipo de punição.

“Nunca chegou àquela questão de demissão, não. Mas eu sei que ele realmente teve discussões internas com o chefão, Dieter Zetsche.”

“Sobre tomar aquela medida como uma… não acho que fosse… provavelmente uma suspensão ou algo assim seria o primeiro passo, por uma corrida, algo desse tipo. Então, houve realmente aquela conversa a portas fechadas. Isso nunca chegou até nós. É uma loucura.”

Mercedes criou cláusula contra acidentes

Rosberg também revelou outro mecanismo criado por Wolff para conter a rivalidade entre os dois pilotos. A Mercedes colocou uma cláusula específica no contrato de Hamilton e Rosberg após os incidentes.

Pelo acordo, os dois dividiriam igualmente os custos de reparo em qualquer acidente entre eles, independentemente de quem tivesse causado a batida. Assim, os dois pilotos teriam um incentivo financeiro direto para evitar novos confrontos.

“O Toto colocou um contrato na mesa que nós tínhamos que assinar, e era 50/50 dos danos que eu teria que pagar do meu próprio bolso. Não importava de quem fosse a culpa. Então, mesmo que 90% da culpa fosse do Lewis, eu teria que pagar 50% dos danos que causamos.”

A medida atingiu diretamente o bolso de Rosberg. Um dos acidentes custou ao alemão US$ 360 mil, valor que, segundo ele, ajudou a reduzir a tensão entre os dois pilotos.

“Então, em um dos acidentes, eu tive que pagar 360 mil dólares. Isso definitivamente nos acalmou. Foi caro. Não foi uma experiência muito divertida. Então, um acidente custou US$ 360 mil. Essa foi uma das coisas que ele fez: colocou o contrato na mesa.”

O acidente de Barcelona gerou justamente essa conta. Hamilton também arcou com US$ 360 mil, levando o prejuízo total da Mercedes a US$ 720 mil.

No fim, Rosberg levou a melhor na disputa pelo título de 2016. O alemão conquistou o campeonato após uma temporada marcada por confrontos com Hamilton e, apenas cinco dias depois de se tornar campeão mundial, anunciou sua surpreendente aposentadoria da Fórmula 1.

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