Wolff rejeita BoP na F1 e alerta sobre risco político
terça-feira, 23 de junho de 2026 às 9:02
Toto Wolff
Toto Wolff, chefe da Mercedes, voltou a defender que a Fórmula 1 mantenha distância do Balance of Performance (BoP).
Para o dirigente austríaco, esse sistema cria problemas políticos e por isso a principal categoria do automobilismo nunca deve adotá-lo.
Embora a FIA tenha criado um mecanismo para proteger os fabricantes de motores no regulamento de 2026, Wolff fez questão de diferenciar essa medida do BoP.
Segundo ele, a categoria pode aceitar pequenos ajustes técnicos. No entanto, qualquer sistema que iguale artificialmente a performance representa um erro.
Quero ser VIPADUO busca evitar novo domínio em 2026
Há anos, categorias de endurance utilizam o Balance of Performance para equilibrar carros com projetos diferentes.
Um dos exemplos mais conhecidos surgiu na reta final da era LMP1, quando a Toyota passou a competir sob esse sistema depois que Porsche e Audi deixaram o Mundial de Endurance (WEC).
Ainda assim, o BoP sempre gerou controvérsias. Afinal, muitos fabricantes acreditam que o sistema penaliza quem desenvolve um projeto superior ao dos adversários.
Na F1, o BoP nunca integrou o regulamento. Mesmo assim, a FIA criou o ADUO para ajudar fabricantes de unidades de potência que enfrentem dificuldades durante a introdução das regras de 2026.
Anteriormente, Wolff já havia demonstrado preocupação com esse recurso. Na ocasião, o dirigente alertou que o mecanismo poderia permitir que fabricantes menos competitivos superassem aqueles que desenvolveram os melhores motores.
Apesar dessa preocupação, o austríaco destacou que o ADUO continua apenas como um mecanismo de proteção. Portanto, segundo ele, a solução permanece muito distante de um verdadeiro Balance of Performance.
Wolff explica por que apoia o mecanismo da FIA
Ao comentar o assunto, Wolff afirmou que o ADUO nasceu para impedir que a F1 repetisse o cenário de 2014, quando um fabricante de motores abriu enorme vantagem sobre os concorrentes.
“Foi um mecanismo de proteção, exatamente como havia sido planejado, para evitar a situação de 2014, quando um fabricante de motores possuía uma vantagem tão grande que dominava a quilometragem de testes e os resultados das corridas”.
O chefe da Mercedes reconheceu que sua equipe aproveitou aquela vantagem. Ainda assim, afirmou que a FIA quer impedir que novos fabricantes iniciem a próxima era técnica com uma desvantagem praticamente impossível de recuperar.
“Nós estávamos do lado vencedor naquela época. Porém, queríamos evitar que isso acontecesse novamente, principalmente com novos fabricantes como a Audi, além da Honda em parceria com a Aston Martin e naturalmente a Red Bull.”
Chefe da Mercedes descarta qualquer debate sobre BoP
Na sequência, Wolff reforçou sua posição sobre o tema. Segundo ele, qualquer discussão envolvendo o Balance of Performance desperta imediatamente uma reação negativa.
“Quando começamos a falar de BoP, eu tenho uma reação alérgica imediata. É algo do qual devemos permanecer muito distantes na F1”.
O austríaco afirmou que o sistema provoca disputas políticas constantes nas categorias que o utilizam. Como consequência, muitos fabricantes acabam perdendo o interesse em permanecer no esporte.
“É uma confusão política em todas as outras categorias. Faz fabricantes abandonarem o automobilismo. Eu acompanhei isso de muito perto na DTM, nas categorias GT e também em Le Mans”.
Por fim, Wolff reforçou que a F1 jamais deveria decidir o equilíbrio de performance por meio de negociações políticas.
Em vez disso, ele defendeu pequenos ajustes técnicos para reduzir diferenças excessivas entre as UPs sem interferir diretamente na competitividade dos fabricantes.
“Jamais deveríamos ser tentados a permitir que alguém decida como o equilíbrio de performance deve funcionar”.
“Se existir um mecanismo de ajustes finos para garantir que nenhum fabricante seja constrangido do lado das UPs, esse é o caminho correto. Afinal, quando olhamos para a aerodinâmica, aquele mecanismo foi criado para uma situação completamente diferente”.
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