Wolff: Jejum de títulos da Mercedes não é “catastrófico”

quinta-feira, 13 de agosto de 2026 às 8:54

Toto Wolff

Houve uma época em que terminar em segundo lugar era quase sinônimo de fracasso para a Mercedes.

De fato, a equipe de Brackley construiu uma sequência histórica, semelhante à de algumas das maiores forças esportivas de todos os tempos.

Na Mercedes, Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Valtteri Bottas exerceram papéis fundamentais. Por trás deles estava Toto Wolff, responsável por conduzir a estrutura.

Mercedes estabeleceu um novo padrão

Entre 2014 e 2021, as flechas de prata conquistaram o campeonato de construtores oito vezes consecutivas.

Consequentemente, a Mercedes alcançou um nível de domínio raramente visto antes. E isso vale não apenas para a Fórmula 1, mas também para o esporte mundial.

Afinal, cada grande era esportiva costuma ter uma equipe capaz de definir seu período. Nesse contexto, a Mercedes tem argumentos fortes para ser considerada a grande força esportiva da década de 2010.

Mais do que vencer, a equipe mudou as expectativas sobre o que significava dominar a principal categoria do automobilismo.

Entretanto, tudo mudou em 2022. Naquele momento, a F1 adotou o novo regulamento do efeito solo. Como resultado, a Mercedes perdeu sua posição de referência.

Primeiro, a equipe caiu para o terceiro lugar no mundial de construtores. Depois, recuperou a segunda posição em 2023. Entretanto, terminou apenas em quarto em 2024. Por fim, voltou ao segundo lugar no ano passado.

Portanto, foram quatro temporadas sem um título de construtores. Mais do que isso, foram quatro anos sem que a Mercedes fosse o principal parâmetro de performance.

Naturalmente, surgiu uma pergunta incômoda: Toto Wolff havia perdido sua capacidade de vencer?

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Wolff não se preocupa com críticas externas

Essa dúvida acompanhou o austríaco durante a transição para a nova geração da F1. Agora, a situação parece diferente. Embora a temporada ainda esteja longe do fim, a Mercedes dá sinais claros de recuperação.

Kimi Antonelli abriu 50 pontos de vantagem sobre Hamilton no campeonato de pilotos na metade da temporada, enquanto a Mercedes chegou às férias de verão com 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari no mundial de construtores.

Ainda assim, Wolff prefere não transformar esses resultados em uma resposta definitiva. Em entrevista ao racingnews365.com, o chefe da Mercedes apresentou uma visão diferente sobre os quatro anos anteriores.

“Estou sempre tentando atender às minhas próprias expectativas”, afirmou Wolff ao ser questionado sobre a ideia de que teria perdido sua capacidade de vencer. “Sou completamente imune às opiniões externas”.

Por outro lado, Wolff reconhece que algumas pessoas próximas têm influência sobre suas decisões.

“Obviamente, se minha esposa ou meus colegas me disserem que não fui bom o suficiente, isso é algo que levo a sério e tento melhorar”.

“Todos os anos, a expectativa era fazer o melhor trabalho possível e vencer. Fundamentalmente, é por isso que estamos aqui: para conquistar campeonatos”.

“Isso não é catastrófico”

Portanto, Wolff não tenta apagar os problemas recentes da Mercedes. Em vez disso, ele prefere analisar o período dentro de um contexto mais amplo.

A sequência de oito títulos consecutivos de construtores acabou dando lugar a uma sequência de segundo, terceiro, quarto e novamente segundo lugar. Ou seja, a Mercedes deixou de dominar. Ainda assim, permaneceu entre as principais forças da F1.

“Perceber que não podíamos vencer no passado porque o carro nunca era bom o suficiente para superar quem estava na frente; às vezes era a Red Bull, depois a McLaren…”

“O melhor objetivo realista era P2 e P3, e foi isso que conseguimos, exceto por um ano durante a era do efeito solo”.

Wolff acredita que a perspectiva histórica será importante para avaliar esse período.

“Se você olhar daqui a 20 ou 30 anos, verá que esses 15 anos – olhando apenas para as estatísticas – terão P1, P1, P1, P1, P1, P1, P1, P1, P3, P2, P4, P2. Então, isso não é catastrófico”.

De fato, é difícil contestar completamente esse argumento.

O W13, por exemplo, apresentou problemas fundamentais desde que chegou à pista. A filosofia do zeropod deixou a Mercedes especialmente vulnerável aos quiques.

O carro também tinha uma janela de funcionamento bastante estreita. Enquanto isso, a Red Bull encontrou rapidamente uma direção aerodinâmica que definiria os primeiros anos do efeito solo.

Nesse período, Christian Horner protagonizou uma das provocações mais marcantes contra a Mercedes. Durante as dificuldades da rival, o chefe da Red Bull disparou seu famoso “consertem seu maldito carro!”.

Naquela época, uma frase desse tipo seria praticamente inimaginável durante os anos de supremacia da Mercedes.

“Voltei? Perdi isso ou não?”

No entanto, supremacia não significa permanência. Agora, quatro anos depois, a Mercedes parece ter encontrado novamente o caminho para a frente do grid.

O novo regulamento mudou completamente a ordem competitiva da F1. Por isso, a atual temporada apresenta características de um verdadeiro renascimento para a equipe. Ainda assim, Wolff evita qualquer comemoração antecipada.

“Obviamente, quando você constrói um carro capaz de vencer corridas em um campeonato, essa é a expectativa que estabeleço para mim e para todos na equipe”.

“Por isso, para mim, o que aconteceu até agora nesta temporada está atendendo às expectativas. Mas ainda não vencemos o campeonato”.

Essa ressalva revela muito sobre o austríaco de 54 anos. A Mercedes venceu oito das 11 primeiras corridas da temporada e lidera o mundial de construtores. Ao mesmo tempo, Antonelli e George Russell continuam na disputa pelo título.

Porém, para Wolff, esses resultados ainda não significam o objetivo final. Afinal, nada estará realmente concluído enquanto os troféus não estiverem nas mãos da equipe.

“Então, voltei? Perdi isso ou não? Bem, os próximos anos vão provar”, acrescentou. “Mas meu horizonte de tempo mudou. Em breve pode significar cinco ou 10 anos. É isso que estou analisando”.

Próximos anos definirão o legado de Wolff

Se os oito títulos consecutivos de construtores representam a base do legado de Wolff, o período de dificuldades durante a era dos carros de efeito solo poderá parecer apenas um intervalo no futuro.

Entretanto, existe uma condição. As próximas temporadas serão fundamentais para determinar se a queda da Mercedes representou um declínio definitivo ou apenas uma fase passageira.

Por enquanto, os resultados indicam uma recuperação contundente. Ainda assim, Wolff permanece cauteloso.

Isso porque, para ele, vencer corridas é apenas parte da missão. No fim das contas, o objetivo continua sendo conquistar campeonatos.

Portanto, a verdadeira resposta sobre seu legado ainda depende do futuro. A questão não é apenas sobre a queda. Mais importante, é sobre a capacidade de voltar ao topo depois dela.

 

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