Wolff se surpreende com evolução de Antonelli em 2026
terça-feira, 1 de setembro de 2026 às 10:15
Toto Wolff e Kimi Antonelli
Quando Toto Wolff realizou sua tradicional entrevista anual com a imprensa holandesa em Zandvoort há um ano, Kimi Antonelli ainda atravessava uma fase bastante complicada na Fórmula 1.
Naquela altura, o italiano vivia altos e baixos que marcaram boa parte de sua temporada de estreia.
Por um lado, o então novato havia apresentado momentos brilhantes em Miami e no Canadá. Por outro, essas performances eram intercaladas por finais de semana bastante difíceis.
Na ocasião, Wolff costumava resumir a situação de forma bastante clara.
“Às vezes, há momentos brilhantes que nos deixam de boca aberta. Às vezes, ficamos arrancando os cabelos. Mas tudo isso está dentro das expectativas”.
Por isso, muitos integrantes do paddock esperavam que 2026 apresentasse um cenário semelhante. No entanto, a realidade acabou sendo bem diferente.
Antonelli não apenas manteve o talento que já havia demonstrado. O jovem italiano deu um enorme salto em consistência.
Antonelli surpreende pela regularidade
Até agora, Antonelli terminou no pódio em todos os GPs, com exceção de Barcelona e Silverstone.
Consequentemente, o piloto da Mercedes construiu uma vantagem de 59 pontos no campeonato sobre seu companheiro de equipe George Russell e sobre Lewis Hamilton, da Ferrari.
Diante desse cenário, Wolff foi questionado se a dimensão da evolução de Antonelli poderia representar uma das maiores surpresas de sua longa carreira no automobilismo.
A resposta do chefe da Mercedes foi direta: “Definitivamente”.
Ainda assim, Wolff lembra que algumas das maiores referências do grid já haviam previsto esse crescimento. Tanto Hamilton quanto Max Verstappen destacaram o potencial de Antonelli ainda no ano passado.
“Eu acho que os grandes sabem. Dizem que é preciso ser um para reconhecer outro”, explicou Wolff.
“E acredito que, quando você ouve Lewis ou Max no ano passado, eles já diziam que ele tinha potencial. Foi isso que também sentimos na equipe, olhando seus resultados anteriores no kart e nas categorias de base”.
“Apesar disso, sair depois do inverno e simplesmente acertar praticamente todas as corridas é uma das grandes surpresas da minha carreira profissional no automobilismo”.
Quero ser VIPO que mudou para Antonelli?
Entretanto, Wolff acredita que existe uma explicação para a rápida evolução do piloto. E segundo o dirigente, não se trata apenas de uma questão técnica.
É possível, por exemplo, que o carro de 2026 combine melhor com o estilo de pilotagem de Antonelli do que os monopostos de efeito solo utilizados anteriormente.
Porém, Wolff enxerga também uma mudança importante no aspecto humano.
“Quando analiso e me pergunto quais são as razões para ele ter uma reputação tão boa nas categorias de base e no kart, acho que é sua capacidade de processamento”.
Na avaliação do chefe da Mercedes, Antonelli precisava de tempo para compreender tudo o que havia acontecido durante sua primeira temporada.
“Acho que ele só precisava do inverno para processar isso. Por que foi bom? Por que foi ruim? O que preciso fazer?”
A estabilidade dentro da Mercedes teve um papel importante. Agora, Antonelli conhece muito melhor o ambiente ao seu redor. Ele sabe como funcionam as viagens, os hotéis e a rotina de um fim de semana de corrida.
“Ele já conhecia o ambiente em que estava. Sabia que voar para Melbourne seria daquela maneira. Conhecia o hotel. Conhecia o acerto. Ele chega ao circuito e tudo está como no ano passado”.
“Isso significa que tudo se resume à pilotagem e à preparação, em vez de ele ficar como um cervo diante dos faróis, como em 2025, pensando: ‘O que está acontecendo?’ Mas sim, ainda é uma das surpresas muito agradáveis”.
Por que 2025 teve tantos altos e baixos?
Pelo mesmo motivo, Wolff também consegue explicar a irregularidade apresentada por Antonelli em 2025.
Na visão do austríaco, dois fatores pesaram bastante. De um lado, havia um regulamento técnico muito maduro. Do outro, existia a inexperiência natural de um piloto estreante.
“O que aconteceu com Kimi no ano passado foi exatamente o que prevíamos”, acrescentou Wolff.
“Você cai de paraquedas na F1. Ele tinha 18 anos, sob um regulamento bastante maduro. A maioria dos pilotos já corria com aqueles carros havia bastante tempo, e Kimi não conhecia alguns dos circuitos”.
“Depois, houve uma avalanche de pedidos da mídia e de pressão. De repente, todos que fizeram parte da sua trajetória sentiram que precisavam estar com você ou perto de você. As exigências eram enormes”.
Portanto, para Wolff, era natural que o italiano enfrentasse dificuldades durante sua primeira temporada.
Wolff bancou a aposta em Antonelli
Aos 54 anos, o chefe da Mercedes também recorda as críticas que recebeu por colocar Antonelli diretamente em uma das principais equipes da F1.
Muitas pessoas defendiam que o italiano deveria começar em uma equipe menor. Mesmo assim, Wolff decidiu assumir o risco.
Nesse aspecto, a situação lembra a aposta de Helmut Marko em Max Verstappen 11 anos atrás, quando o holandês também chegou à F1 muito jovem.
“Todo mundo e seu cachorro me disseram que era cedo demais, que eu não deveria colocá-lo na Mercedes e que deveria ter escolhido uma equipe menor”.
Naturalmente, houve momentos especialmente difíceis.
“Spa provavelmente foi um dos piores momentos. Mas mantive meu apoio a ele porque senti que aquele era exatamente o ano de que precisávamos”, afirmou Wolff.
“Nós só fazemos a avaliação depois do segundo ano. E a maneira como ele começou este ano é uma surpresa para todos. Sim, para mim também”.
Entusiasmo de Antonelli contagia a Mercedes
Além da velocidade e do talento demonstrados na pista, Antonelli também passou a exercer uma influência positiva sobre o ambiente interno da Mercedes. Wolff sorri quando fala sobre essa característica do italiano.
“Ele é autêntico, muito aberto e nada político. Não tem aquele tipo de negatividade. Para ele, tudo gira em torno da performance na pista”.
Por fim, o dirigente destaca uma consequência curiosa da personalidade de Antonelli.
“E agora ele fez todos os mecânicos ingleses se abraçarem. Isso também é novidade para nós!”
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