Red Bull: Regulamento de motores pode congelar vantagem inicial
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026 às 9:11
Ben Hodgkinson, Max Verstappen e Laurent Mekies
Ben Hodgkinson alertou que o regulamento de unidades de potência da Fórmula 1 para 2026 corre o risco de cristalizar uma vantagem competitiva logo no início da era técnica.
Ao mesmo tempo, cresce no paddock a percepção de que a Mercedes pode já ter definido o principal parâmetro de performance.
Enquanto isso, com a semana de shakedown em Barcelona se aproximando do fim, o chefe do projeto de motores Red Bull-Ford destacou que o atual sistema de homologação da FIA pode, de forma involuntária, premiar os fabricantes que começarem mais fortes.
Como consequência, o espaço para reação das demais equipes se torna bastante limitado.

Sistema de homologação recebe críticas diretas
Nesse contexto, Hodgkinson deixou claro que prefere um modelo regulatório mais aberto. Segundo ele, a F1 já conta com restrições suficientes para controlar custos e desempenho.
“Pessoalmente, eu gostaria de acabar com o sistema de homologação e simplesmente competir em força máxima, sem restrições”, afirmou. “Afinal, já temos teto de custos e limites de tempo em dinamômetro. Portanto, entendo que essas regras já impõem restrições suficientes”.
Além disso, o engenheiro – que anteriormente trabalhou na Mercedes – ressaltou que o desenvolvimento de UPs segue um cronograma completamente diferente quando comparado às atualizações de chassis. Ainda assim, segundo ele, essa diferença costuma ser subestimada.
Motores exigem ciclos de desenvolvimento mais longos
De acordo com Hodgkinson, amadurecer uma nova ideia em motores demanda muito mais tempo do que introduzir mudanças aerodinâmicas ou estruturais.
“O que não é totalmente compreendido pelos responsáveis pelas regras é que o prazo para amadurecer uma ideia de UP é muito maior do que para um chassi”, explicou.
Além disso, ele destacou que uma simples modificação gera impactos em escala muito maior.
“Se você precisa fazer uma mudança, não está atualizando apenas dois carros. Na prática, está atualizando todo o pool de motores – todas as 12 unidades. Naturalmente, isso leva tempo”.
Como resultado, qualquer evolução significativa exige planejamento de longo prazo e execução extremamente cuidadosa.
Regulamento também limita a tomada de riscos técnicos
Outro efeito direto do sistema de homologação envolve a redução da margem para assumir riscos. Segundo Hodgkinson, apostar em soluções ainda não totalmente comprovadas se torna uma estratégia perigosa.
“Não podemos simplesmente apostar em algo que ainda não foi totalmente validado porque isso nos colocaria em uma posição muito difícil”, afirmou.
Para ilustrar, ele explicou que alguns componentes levam cerca de 12 semanas para serem fabricados. Em seguida, um período semelhante é necessário para validação. Depois disso, ainda há o tempo para que as peças sejam integradas ao pool de corrida.
Consequentemente, o ciclo completo pode facilmente ultrapassar seis meses.
“Em alguns casos, pode levar até 36 semanas para que um novo conceito de UP chegue a um carro apto a disputar um grande prêmio”, alertou.
Vantagem inicial pode definir toda a era técnica
Diante desse cenário, Hodgkinson fez um alerta claro sobre o impacto competitivo do regulamento atual.
Segundo ele, se uma equipe iniciar a temporada com vantagem na UP, os adversários enfrentarão um caminho longo, complexo e lento para reduzir a diferença.
“Por essas razões, se alguém largar na frente na corrida de abertura, levará um tempo considerável para os outros alcançarem”, concluiu.
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