Rádio de Russell gera polêmica após GP da Bélgica
segunda-feira, 20 de julho de 2026 às 14:38
Hamilton ultrapassando Russell sem bateria
O rádio de Russell após seu abandono na primeira volta do GP da Bélgica tornou-se um dos assuntos mais comentados depois da corrida. A repercussão ocorreu por dois motivos, segundo o The Race.
Primeiro, chamou atenção o conteúdo da mensagem irritada de George Russell. Além disso, houve surpresa pela maneira como suas palavras chegaram ao público.
Afinal, o áudio não apareceu na transmissão internacional nem nos sinais das câmeras onboard. Porém, a mensagem acabou sendo divulgada pela cobertura da TV alemã.
Russell rodou na primeira volta em Spa-Francorchamps após uma colisão com Lewis Hamilton na curva Les Combes. Posteriormente, os comissários da FIA puniram Hamilton por sua participação no acidente.
No entanto, Russell afirmou que a verdadeira causa do incidente foi outra. Segundo ele, sua Mercedes não entregou a potência elétrica esperada na aproximação da curva.
Com a falta de deployment, o britânico ficou vulnerável e tornou-se um alvo fácil. Enquanto seus rivais aceleravam na reta Kemmel, Russell não recebeu a potência esperada.
Consequentemente, ele perdeu posição e sofreu ataques dos carros que vinham atrás.
TV alemã revela desabafo de Russell
A câmera onboard mostrou Russell parado na área de escape de brita em Les Combes. Naquele momento, seus gestos enfáticos indicavam que ele estava falando.
Contudo, a transmissão internacional não exibiu nenhuma mensagem de rádio. O próprio canal da câmera onboard na F1 TV também permaneceu sem áudio.
Mais tarde, a cobertura da TV alemã, disponível no canal específico de idioma da F1TV, revelou as palavras de Russell. A transmissão exibiu a mensagem poucos minutos depois do acidente, pouco antes do reinício após o safety car.
“Estou fora”, declarou Russell. “Que porra aconteceu com o SoC (Estado de Carga da bateria) na reta?”
“Eu não tinha porra nenhuma de bateria na reta! Pessoal, inaceitável. Absolutamente inaceitável, todo esse fim de semana.”
Os comentários se referiam à falta de entrega de potência elétrica na primeira volta. Além disso, Russell reclamava dos problemas enfrentados durante todo o fim de semana.
Sua velocidade máxima ficou abaixo daquela registrada por Kimi Antonelli, seu companheiro na Mercedes.
O que aconteceu depois da primeira curva
As reclamações de Russell sobre a bateria estavam relacionadas à falta de potência na saída da Raidillon. Logo depois, começa o longo trecho de aceleração plena até Les Combes.
Toto Wolff afirmou que “todos os carros da Mercedes” sofreram com falta de energia após a La Source. Inicialmente, porém, a equipe não tinha uma explicação para o problema.
Segundo o The Race, a causa parece ter sido algum tipo de erro de software. Esse problema impediu os carros de liberar a potência máxima necessária para atingir a velocidade final na reta.
Entretanto, a falha não estava relacionada aos contratempos enfrentados pela Mercedes no início da temporada. Naquela ocasião, os carros atingiram os limites de recarga durante a volta de apresentação.
Por isso, eles não conseguiram carregar suas baterias suficientemente. Em Spa, a situação foi diferente.
Ainda no grid, Russell recebeu a garantia de que o nível de carga da bateria estava em perfeitas condições.
A análise dos dados de telemetria de Russell e Antonelli mostra que ambos enfrentaram problemas após deixarem a La Source. O gráfico do F1 TEL abaixo ilustra a situação.

Telemetria mostra perda de potência da Mercedes
Na saída da La Source, o carro de Antonelli parou de acelerar quando atingiu aproximadamente 300 km/h. Naquele momento, os pilotos seguiam em direção à Eau Rouge.
Dessa forma, Max Verstappen conseguiu ultrapassar o italiano.
O ritmo de Russell naquele trecho já apresentava sinais de queda. Afinal, ele estava 10 km/h mais lento que Antonelli.
Apesar disso, o britânico ganhou velocidade depois dos 277 km/h. Assim, chegou à Eau Rouge a 310 km/h, a maior velocidade registrada entre os líderes.
Na saída da Raidillon, porém, Russell enfrentou um problema muito mais grave. Embora mantivesse o acelerador totalmente pressionado, sua velocidade permaneceu em 308 km/h durante vários segundos.
Além disso, ele havia seguido a orientação de seu engenheiro para acionar o botão de potência extra na saída da curva.
Em seguida, sua velocidade subiu gradualmente até 315 km/h na entrada de Les Combes. Com isso, Russell voltou a se aproximar do pelotão enquanto buscava recuperar posições.
Antonelli, por sua vez, pareceu desenvolver duas fases de velocidade ao longo da reta Kemmel. Primeiro, o italiano atingiu 313 km/h. Mais adiante, chegou a 318 km/h.
Esse desempenho permitiu que ele ultrapassasse Verstappen aproveitando o vácuo. O piloto da Red Bull tinha pouca potência e perdeu velocidade gradualmente após atingir um pico de 306 km/h.
Oscar Piastri também deixou a La Source lentamente com sua McLaren. Antes da Eau Rouge, ele chegou a ficar 10 km/h atrás de Antonelli.
No entanto, Piastri aparentemente teve uma boa entrega de potência até Les Combes. O australiano alcançou 337 km/h antes de o sistema reduzir a liberação de energia.
Já os dados de telemetria da Ferrari não parecem suficientemente confiáveis na primeira volta. Por isso, não é possível avaliar com precisão Lewis Hamilton e Charles Leclerc em relação à Mercedes.
Mesmo assim, ambos claramente tiveram uma boa entrega de potência.
Rádio silenciado provoca teorias na F1
A mensagem de Russell evidenciou sua irritação com o incidente e com todo o fim de semana na Bélgica. Entretanto, a ausência do áudio na transmissão oficial provocou ainda mais discussão.
Como apenas a TV alemã divulgou o rádio, surgiram especulações sobre uma possível censura deliberada. Algumas teorias relacionaram o silêncio às críticas de Russell sobre o deployment.
Além disso, apareceram alegações de que a mensagem teria sido criada por inteligência artificial. Nesse caso, o áudio divulgado não seria verdadeiro.
O The Race confirmou que essas suspeitas estão incorretas. Portanto, a mensagem atribuída a Russell é autêntica.
Quanto à ausência do rádio na transmissão internacional e nos canais da F1 TV, a explicação envolve os palavrões do piloto.
A F1 filtra mensagens que demonstram irritação extrema ou apresentam linguagem imprópria. Ross Brawn implementou essa medida durante sua passagem como diretor administrativo de automobilismo da categoria.
O objetivo era proteger os pilotos de suas próprias reações em momentos de tensão.
Como a F1 seleciona as mensagens de rádio
Uma equipe de oito editores e produtores analisa todas as mensagens no centro de transmissão da F1 em Biggin Hill. Somente depois disso o conteúdo segue para exibição.
A F1 classifica as mensagens em três categorias: transcrição completa com áudio, apenas áudio e apenas texto. Dessa maneira, a equipe consegue filtrar conteúdos considerados problemáticos.
O processo também explica o atraso de até 15 segundos entre as imagens ao vivo e a reprodução das mensagens.
Às vezes, a transmissão exibe rádios mais tensos ou polêmicos com um sinal sonoro para esconder palavrões. Em outros casos, porém, a mensagem contém tanta emoção ou tantos palavrões que nunca vai ao ar.
Durante um evento realizado em Biggin Hill no ano passado, Dean Locke explicou os critérios adotados pela F1. O diretor de transmissão e mídia destacou a responsabilidade de proteger os pilotos.
“Existe uma responsabilidade”, afirmou ele. “Há algo de que eles possam se arrepender? Temos de, de certa forma, protegê-los um pouco disso.”
“Por isso, temos um recurso para lidar com essa situação: silenciar o áudio ou inserir um sinal sonoro de censura, o ‘beep’, ocasionalmente.”
A linguagem usada por Russell após o acidente em Spa levou os editores a descartarem a mensagem. Portanto, o áudio não entrou nem integralmente nem com censura sonora.
Foi por esse motivo que a transmissão internacional e os sistemas da F1 TV silenciaram o rádio.
Como a TV alemã encontrou o áudio
Algumas emissoras conseguem acesso direto às mensagens de rádio sem os filtros da transmissão oficial. Por isso, elas não ficam restritas apenas ao conteúdo selecionado pela produção internacional.
Contudo, localizar uma mensagem descartada não é uma tarefa simples. Afinal, 22 pilotos e seus engenheiros conversam durante aproximadamente duas horas.
Nesse caso, o acidente de Russell representava um momento óbvio para monitoramento. Assim, as emissoras alemãs encontraram facilmente seu desabafo e decidiram transmiti-lo.
O Autoracing conseguiu o áudio da TV alemão. A FIA poderia ter passado esse áudio na transmissão. Ouça!
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