Questão sobre os freios da Ferrari ganha proporções inesperadas

segunda-feira, 8 de junho de 2026 às 13:57

Relatos indicam que Hamilton e Leclerc podem estar utilizando configurações diferentes de freio

Os freios da Ferrari se tornaram um dos principais assuntos do paddock após a explosão de Charles Leclerc durante o GP de Mônaco e uma revelação envolvendo Lewis Hamilton.

O problema ganhou força em Monte Carlo quando Leclerc bateu na curva Antony Noghes nas voltas finais da corrida. O incidente encerrou mais um fim de semana frustrante em casa para o piloto da Ferrari. Além disso, o monegasco já demonstrava desconforto com a sensação dos freios ao longo de todo o final de semana.

Sua irritação ficou evidente logo após o acidente.

“Não vou assumir a culpa por isso. A culpa é desses malditos freios”, disse Leclerc pelo rádio.

O desabafo ocorreu depois de uma classificação complicada. Na ocasião, Leclerc parecia ter ritmo para disputar a pole position, mas não conseguiu completar uma volta final realmente competitiva.

Além disso, ele já havia reclamado da sensação dos freios no GP do Canadá. Segundo relatos, a combinação de baixas temperaturas da pista, asfalto pouco abrasivo e ausência de curvas rápidas tornou o problema ainda mais difícil de administrar.

Em Mônaco, porém, a situação ficou impossível de ignorar. Em um circuito onde a confiança na frenagem é decisiva, qualquer desconforto pode custar muito caro.

Revelação sobre Hamilton aumenta o interesse pelo caso

De acordo com a AutoRacer, Hamilton estaria utilizando uma solução diferente de freios desde o GP do Japão em Suzuka, embora continue usando componentes Brembo em seu carro.

A publicação afirma que o heptacampeão mundial teria voltado a utilizar discos de freio fabricados pela Carbon Industries, fornecedora com a qual trabalhou durante sua trajetória na McLaren e na Mercedes.

Entretanto, essa informação não foi confirmada oficialmente pela Ferrari, pela Brembo ou pela própria Carbon Industries.

Esse detalhe é importante porque a discussão não envolve uma suposta deficiência da Brembo. A maior parte do sistema de freios do carro de Hamilton continua sendo produzida pela empresa italiana, parceira histórica da Ferrari há mais de cinco décadas.

Segundo os relatos da imprensa italiana, a diferença estaria relacionada especificamente aos discos de freio utilizados pelo britânico e à sensação transmitida ao piloto durante as frenagens.

Para Hamilton, essa característica parece ter um peso relevante em sua adaptação à Ferrari. Ainda segundo a reportagem, ele já teria solicitado uma mudança semelhante na temporada passada, não por questões de desempenho absoluto, mas pela familiaridade construída ao longo de muitos anos utilizando discos da Carbon Industries.

Inicialmente, a Ferrari teria mantido a configuração tradicional utilizada pela equipe. No entanto, após testes realizados no Bahrain, Hamilton teria convencido os engenheiros a permitir uma solução diferente em seu carro.

Declaração de Leclerc muda a interpretação do caso

A situação ganhou uma nova dimensão depois dos comentários feitos por Leclerc após o GP de Mônaco.

Depois da classificação, ele revelou que a Ferrari já conhecia uma possível solução para o problema, mas piloto e equipe preferiram não introduzi-la em um circuito tão desafiador quanto Monte Carlo.

“Sabemos que temos uma solução, mas eu não quis testá-la aqui em Mônaco”, disse Leclerc.

A declaração chamou atenção porque, posteriormente, o monegasco fez uma revelação ainda mais significativa.

“Lewis tem usado freios diferentes por três corridas e acho que também os usarei a partir da próxima corrida”, afirmou.

Embora Leclerc não tenha especificado quais componentes diferenciam os sistemas utilizados pelos dois pilotos, sua fala confirma que existe uma diferença entre os carros e que ele pretende experimentar a mesma solução adotada por Hamilton.

O detalhe é que Leclerc sempre utilizou a solução tradicional da Brembo desde sua chegada à Ferrari. Por isso, uma eventual mudança para a configuração atualmente usada por Hamilton representaria uma alteração significativa em um sistema com o qual o monegasco construiu toda a sua referência de frenagem na Fórmula 1.

Por isso, os relatos da imprensa italiana passaram a receber ainda mais atenção.

Durante o final de semana de Mônaco, Leclerc demonstrou velocidade desde os treinos livres. Ele liderou o TL1 e terminou em P2 tanto no TL2 quanto no TL3.

Apesar disso, a confiança necessária para extrair o máximo do carro pareceu desaparecer nos momentos decisivos. Sua classificação foi prejudicada por voltas abortadas e terminou com um acidente na curva Tabac.

A corrida chegou a oferecer uma oportunidade de recuperação. Após Hamilton receber uma punição de cinco segundos por excesso de velocidade no pit lane, Leclerc começou a reduzir a diferença e parecia capaz de conquistar o segundo lugar após os ajustes de tempo.

Contudo, o acidente na Antony Noghes encerrou qualquer possibilidade de reação.

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Ferrari terá uma resposta em Barcelona?

Agora, a atenção se volta para a próxima corrida da temporada.

Caso Leclerc realmente adote a mesma solução utilizada por Hamilton, Barcelona poderá fornecer uma comparação interessante entre os dois pilotos e ajudar a esclarecer se o problema estava relacionado à configuração dos freios.

Enquanto isso, a Brembo já respondeu publicamente às críticas do monegasco. A empresa afirmou estar surpresa com os comentários e destacou que qualquer conclusão técnica seria prematura sem uma análise completa dos dados em conjunto com os engenheiros da Ferrari.

A situação coloca a Ferrari em uma posição delicada. De um lado, está uma parceria técnica construída ao longo de décadas. Do outro, está um piloto da casa que busca recuperar a confiança na frenagem.

Além disso, Hamilton parece cada vez mais confortável no carro nas últimas corridas. Embora não seja possível afirmar que isso esteja diretamente ligado à suposta mudança nos discos de freio, muitos observadores do paddock consideram essa possibilidade.

Para Leclerc, porém, a questão é mais simples. Ele precisa recuperar a confiança necessária para atacar os limites do carro em classificações e corridas.

Mônaco mostrou o quanto essa confiança pode desaparecer rapidamente. Agora, resta saber se a solução utilizada por Hamilton poderá ajudá-lo a reencontrá-la.

A discussão sobre os freios da Ferrari deixou de ser apenas uma reclamação de rádio após uma corrida frustrante. Ela se transformou em um dos temas técnicos mais interessantes da temporada e pode influenciar diretamente a disputa interna entre Hamilton e Leclerc nas próximas etapas.

AS - www.autoracing.com.br

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