Proibição do truque de classificação pode abrir nova brecha na F1
quarta-feira, 15 de abril de 2026 às 9:48
Red Bull e Mercedes
A decisão da FIA de proibir o truque de classificação usado por Mercedes e Red Bull pode abrir uma nova brecha no regulamento da Fórmula 1.
Na terça-feira, foi revelado que o uso do desligamento do MGU-K para ganho de performance acabou vetado. Até então, tanto Mercedes quanto Red Bull exploravam esse recurso para extrair mais velocidade no fim das voltas rápidas.
O tema ganhou ainda mais força após o GP do Japão. Na ocasião, a Ferrari pediu esclarecimentos à FIA sobre como as rivais conseguiam utilizar o chamado “modo de emergência” do motor para melhorar o desempenho.
Agora, segundo o site The Race, a federação deixou claro que esse modo só pode ser acionado em situações reais de emergência – e não para obter vantagem competitiva.

Decisão da FIA levanta dúvidas
Ainda assim, apesar da proibição, surgiram questionamentos importantes. Durante o podcast do The Race, o jornalista Scott Mitchell-Malm levantou dúvidas sobre possíveis consequências inesperadas da medida.
Segundo ele, a decisão pode, em teoria, criar uma nova zona cinzenta no regulamento. Afinal, a definição do que constitui uma “emergência” pode abrir espaço para diferentes interpretações.
“Se fizer mais sentido usar dessa forma, então só fará sentido até que o primeiro fabricante alegue uma emergência em uma volta de classificação – e de repente ela desapareça”, explicou.
Além disso, ele destacou que a FIA terá papel central nesse processo. Ela poderá monitorar todos os dados e continuará responsável por julgar cada situação individualmente.
Rivais já observavam a solução
Enquanto isso, outras fabricantes já avaliavam seguir o mesmo caminho. De acordo com o jornalista Jon Noble, uma delas chegou a tentar replicar o conceito, mas não conseguiu fazê-lo funcionar corretamente.
Com isso, o cenário indicava que outras equipes poderiam ser forçadas a copiar a solução. Ou seja, gradualmente, o recurso poderia se espalhar pelo grid.
Por outro lado, a Ferrari já estava ciente da prática. Inclusive, a equipe italiana buscou esclarecimentos antes de avançar com qualquer desenvolvimento.
Segundo Noble, o ganho estimado era de apenas três centésimos por volta. Portanto, do ponto de vista competitivo, o impacto seria praticamente nulo caso todos utilizassem o sistema.
No entanto, o risco associado pesou na análise. A possibilidade de carros parando na pista, por exemplo, levantou preocupações de segurança.
Dessa forma, a proibição parece lógica. Entretanto, ao mesmo tempo, o debate sobre possíveis novas brechas no regulamento promete continuar nos bastidores da F1.
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