Leclerc revela prioridade de Hamilton na classificação

quinta-feira, 3 de setembro de 2026 às 14:09

Lewis Hamilton e Charles Leclerc durante o evento “Drive to Monza”, realizado pela Ferrari em Milão

Charles Leclerc revelou que a prioridade de Hamilton será escolher a posição dos dois carros da Ferrari na classificação do GP da Itália. Assim, o piloto inglês provavelmente optará por receber o vácuo do companheiro em sua volta rápida.

A decisão não representa favorecimento dentro da equipe. Segundo Leclerc, a Ferrari alterna essa preferência entre seus pilotos a cada fim de semana.

Além disso, Hamilton espera que a nova atualização do motor ajude a Ferrari a lutar pela vitória em Monza. O heptacampeão acredita que a equipe finalmente encontrou uma “Estrela-Guia” para o desenvolvimento do carro.

Ferrari foi questionada após o GP da Holanda

Após o GP da Holanda, muitos analistas e comentaristas questionaram a ausência de ordens de equipe na Ferrari. Hamilton estava atrás de Leclerc numa estratégia diferente.

Mesmo assim, a Ferrari esperou várias voltas antes de chamar o monegasco para o pit stop. Com isso, a equipe desperdiçou uma oportunidade de facilitar o avanço de Hamilton.

Segundo o ex-engenheiro da Ferrari Rob Smedley, a equipe precisa priorizar o britânico em relação ao companheiro. Afinal, Hamilton está em melhor posição para influenciar diretamente a disputa pelo título.

No entanto, a prioridade de Hamilton na classificação de Monza não está relacionada ao campeonato. Trata-se apenas do sistema de revezamento utilizado pela Ferrari na definição do vácuo.

Prioridade de Hamilton será escolher o vácuo

Em Monza, o vácuo pode representar uma diferença importante no tempo de volta. Por isso, as equipes tentam organizar seus carros para que um piloto ajude o outro nas longas retas.

“Quanto ao vácuo, acho que sempre tivemos mais ou menos a mesma filosofia ao longo dos anos”, explicou Leclerc. “Em uma ocasião, Lewis tem a prioridade de escolher onde quer começar. Em outro fim de semana, sou eu.”

Desta vez, portanto, Hamilton poderá definir a ordem dos carros da Ferrari na pista.

“Neste fim de semana, Lewis terá a prioridade. Então, imagino que ele optará por pegar meu vácuo”, afirmou Leclerc.

Entretanto, o monegasco descartou a possibilidade de a Ferrari sacrificar deliberadamente sua classificação para beneficiar Hamilton.

“Não acho que chegaremos a comprometer a classificação de um em favor do outro. Mas, claro, se pudermos nos ajudar tentando iniciar a volta com a distância ideal, isso será feito.”

Enquanto Hamilton recebe o vácuo da outra Ferrari, Leclerc tentará encontrar um carro diferente à sua frente.

“Eu tentarei encontrar outro vácuo ou outro piloto, na esperança de me colocar na melhor posição possível”, acrescentou.

Ferrari também estuda como evitar o efeito ioiô

O trabalho conjunto poderá continuar durante a corrida. Com a enorme importância da energia elétrica em Monza, os carros podem apresentar diferenças consideráveis de velocidade ao longo da volta.

Um piloto pode usar mais energia para atacar e, pouco depois, ficar vulnerável enquanto recupera a bateria. Esse comportamento cria o chamado efeito “ioiô”, com a distância entre os carros aumentando e diminuindo constantemente.

A Ferrari já analisa como administrar uma eventual disputa entre Hamilton e Leclerc sem prejudicar o resultado da equipe.

“Começamos a analisar isso há alguns dias e a tentar entender a situação”, revelou Leclerc. “Também é muito difícil prever, porque, quando você está no carro, tudo parece diferente de como é visto de fora.”

Ainda assim, ele acredita que a Ferrari poderá reduzir o problema caso seus pilotos fiquem próximos durante o GP.

“Não é que seja impossível evitar o efeito ioiô caso acabemos nessa situação. Tentaremos fazer o melhor trabalho possível e buscar um desempenho melhor.”

Hamilton confia na atualização do motor Ferrari

Além do trabalho em equipe, Hamilton deposita suas esperanças na nova atualização da unidade de potência. O britânico acredita que o avanço poderá aproximar a Ferrari da Mercedes em Monza.

A temporada de 2026 tem sido muito mais competitiva para os Vermelhos. Portanto, existe grande expectativa de que a equipe possa conquistar sua segunda vitória em casa em três anos. A última foi de Charles Leclerc, em 2024

Hamilton conquistou sua primeira vitória pela Ferrari em Barcelona. Agora, porém, sonha com um triunfo ainda mais marcante diante dos tifosi.

“Toda ajuda é bem-vinda. Até este momento do ano, estávamos perdendo terreno”, reconheceu Hamilton.

Segundo ele, a desvantagem continuou evidente em Zandvoort.

“Mesmo na última corrida, em um circuito tão curto, perdíamos quatro décimos por volta ao longo da prova. É uma desvantagem enorme, e carregamos isso durante o ano até agora.”

Ferrari finalmente encontrou sua “Estrela-Guia”

Apesar da diferença para a Mercedes, Hamilton elogiou o esforço realizado em Maranello. Principalmente, ele percebe uma mudança clara na direção técnica adotada pela Ferrari.

“Estou realmente muito orgulhoso de ver o quanto todos estão trabalhando duro”, declarou. “Quando volto à fábrica e vejo o empenho de todos, eles estão realmente focados no trabalho.”

Além disso, o britânico enxerga um ambiente diferente daquele encontrado em sua primeira temporada com a equipe.

“Todos estão muito entusiasmados. Vejo um foco diferente neste ano em relação ao ano passado. Antes, sentia que não havia realmente uma ‘Estrela-Guia’.”

Na avaliação de Hamilton, a Ferrari trabalhava sem uma direção técnica totalmente definida em 2025.

“Fazíamos o melhor que podíamos, mas sem saber exatamente qual era nosso objetivo. Agora temos uma ‘Estrela-Guia’ e sabemos em qual direção trabalhar.”

Consequentemente, as atualizações passaram a chegar com maior frequência.

“Acho que eles fizeram um trabalho tremendo ao se unirem e entregarem resultados”, acrescentou.

Atualização não eliminará toda a desvantagem

Hamilton reconhece que a nova especificação do motor não fechará completamente a diferença para a Mercedes. Contudo, acredita que ela representa mais uma etapa importante da evolução da Ferrari.

“Este é um passo à frente. Não cobre toda a diferença que precisamos, mas sabíamos que seria assim”, explicou.

Para ele, o ritmo de desenvolvimento mostra que a Ferrari não desistiu de lutar pelo campeonato.

“Ver peças chegando a cada fim de semana e sendo incorporadas ao carro é empolgante. Isso mostra que estamos pressionando.”

Por isso, Hamilton mantém a confiança no potencial da equipe.

“Continuo acreditando firmemente que temos o necessário para vencer.”

Hamilton sonha com vitória histórica em Monza

Durante a preparação para o GP da Itália, Hamilton pensou bastante na possibilidade de conquistar sua primeira vitória em Monza como piloto da Ferrari.

“Ao chegar a este fim de semana, refleti muito sobre a enorme dimensão do que significa participar deste GP”, admitiu.

Hamilton possui cinco vitórias no circuito italiano. Assim, está empatado com Michael Schumacher como o maior vencedor da história da F1 em Monza.

“Eu nem sabia que estava empatado com Schumacher em número de vitórias aqui”, revelou.

Caso vença novamente, o britânico se tornará isoladamente o piloto com mais triunfos no circuito.

“A ideia de alcançar um feito inédito e entrar em um território novo passou pela minha cabeça. Vencer em Monza pela primeira vez com a Ferrari seria fenomenal.”

Hamilton estava no pódio quando Leclerc venceu o GP da Itália de 2019. Agora, espera viver a mesma emoção vestindo vermelho.

“Vi Charles vencer em 2019, quando estava no pódio com ele. Mas conseguir isso enquanto estou aqui seria fenomenal.”

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Pressão dos tifosi aumenta expectativa

Hamilton também refletiu sobre o significado histórico de uma vitória sua pela Ferrari na Itália.

“Se eu conseguisse, provavelmente seria o único piloto negro a alcançar tal feito pela Ferrari na Itália — talvez até na história”, declarou. “São muitos pensamentos desse tipo passando pela minha cabeça.”

Entretanto, o heptacampeão reconhece que a expectativa também aumenta a pressão.

“Você quer corresponder às expectativas da equipe. Há todas aquelas pessoas na fábrica, e muitas delas conseguem vir a esta corrida.”

Além disso, Hamilton quer retribuir o apoio recebido desde sua chegada à Ferrari.

“Tem os tifosi, que comparecem em grande número e cuja paixão é incomparável. Você quer muito retribuir a eles também.”

Por fim, o fim de semana terá um significado familiar especial. A mãe de Hamilton estará presente em Monza.

“Acho que ela nunca esteve em Monza, muito menos em um fim de semana da Ferrari”, contou. “Eu queria que ela vivenciasse isso e trouxesse toda a sorte que pudesse.”

AS - www.autoracing.com.br

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