Piastri critica perda de controle sobre energia na F1
domingo, 20 de setembro de 2026 às 15:45Oscar Piastri acredita que os pilotos de Fórmula 1 estão ficando “como passageiros” diante dos novos algoritmos de inteligência artificial que controlam a distribuição da energia elétrica em 2026.
Com as novas regras, os pilotos não controlam totalmente a utilização dos 350 kW de energia elétrica disponíveis. Em vez disso, os algoritmos de IA assumem boa parte dessa tarefa e aprendem as características do circuito ao longo do fim de semana. Assim, o sistema busca determinar, em teoria, a distribuição ideal da energia durante cada volta.
Algoritmo controla parte da energia
O problema aparece principalmente em circuitos que oferecem poucas oportunidades para recuperar energia por meio das frenagens. Em pistas como Albert Park, Suzuka, Silverstone e Spa, a demanda energética obrigou os pilotos a economizar eletricidade durante as voltas.
Por outro lado, traçados como Hungaroring e Zandvoort permitem uma condução mais próxima daquela vista em 2025. Na temporada passada, a potência favorecia o motor a combustão em uma proporção de aproximadamente 80:20 em relação à bateria. Agora, a divisão passou para 50:50.
Nesse cenário, Piastri admitiu que a perda de controle sobre a distribuição da energia pode fazer o piloto se sentir como um “passageiro” dentro do carro.
“Às vezes, sim”, respondeu Piastri ao ser questionado se já havia se sentido como um “passageiro dos sistemas de IA” enquanto o algoritmo aprende o circuito e a estratégia de distribuição da energia.
Quero ser VIPSpa expôs as dificuldades
Segundo o australiano, a situação tende a ser mais complicada em pistas com retas longas, como Spa e Silverstone. Afinal, nesses circuitos, a energia disponível pode acabar antes mesmo do fim das retas.
“Em uma pista como Spa ou uma pista como Silverstone, vai ser pior. No Hungaroring ou em Zandvoort, realmente não espero que haja muitos problemas com esse tipo de coisa, porque as retas são muito mais curtas. Portanto, mesmo que existam diferenças, elas devem ser bem menores.”
Ainda assim, Piastri destacou que a própria sensação ao conduzir o carro mudou. Para ele, é difícil se acostumar com a perda de aproximadamente metade da potência antes do final de uma reta.
“Mas o princípio de pilotar um carro de corrida que efetivamente perde metade da potência antes do fim da reta é difícil de assimilar às vezes.”
Piloto pode ter potência diferente em cada curva
A experiência em Spa tornou essa característica ainda mais evidente. Piastri explicou que os pilotos chegaram a completar boa parte do segundo setor utilizando apenas o motor a combustão, sem assistência da bateria.
“Mesmo em Spa, fizemos boa parte do setor intermediário apenas com o motor a combustão, sem qualquer assistência da bateria. É uma sensação estranha, por si só, ter algumas curvas com uma determinada quantidade de potência e outras com potência total.”
Além disso, o piloto da McLaren considerou que Spa foi particularmente frustrante não apenas para ele, mas também para vários outros competidores. Isso ocorreu porque pequenas diferenças no código utilizado pelos sistemas e no funcionamento dos motores acabaram produzindo diferenças relevantes nos tempos de volta.
Diferenças mínimas decidiram posições
Piastri destacou ainda o impacto dessa característica na disputa pelas primeiras posições. Segundo o australiano, quatro posições estavam separadas por apenas cerca de nove centésimos em Spa.
“Acho que Spa foi particularmente frustrante, não apenas para mim, mas para muitos outros, porque essas pequenas diferenças no código e no que os motores faziam tiveram um impacto bastante grande no tempo de volta.”
O piloto ressaltou, por fim, que havia mais de nove centésimos de desempenho à disposição de vários competidores. No entanto, eles não tinham como acessar esse potencial porque dependiam de decisões tomadas pelo sistema.
“Especialmente na frente do grid, acho que ainda havia apenas nove centésimos ou algo assim separando quatro posições. E definitivamente havia mais de nove centésimos disponíveis para vários pilotos por causa de coisas que eles não podiam controlar.”
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