Perez relembra saída da Racing Point: “Sem lealdade”

terça-feira, 4 de agosto de 2026 às 9:06

Sergio Perez

Sergio Perez revelou detalhes de seu papel na compra da antiga Force India por Lawrence Stroll e recordou a surpresa ao perder sua vaga na equipe.

No entanto, apesar da frustração, o mexicano afirmou que não guardou ressentimentos e aceitou a decisão como parte da realidade da Fórmula 1.

A saída acabou se tornando um ponto de virada em sua carreira. Afinal, pouco depois, Perez encontrou uma oportunidade em uma equipe que jamais imaginou defender: a Red Bull.

Perez ajudou a salvar a antiga Force India

Antes de se transformar na Aston Martin, a equipe de Silverstone competia como Force India. Naquela época, Vijay Mallya, proprietário da Kingfisher Airlines, controlava a organização.

Perez chegou à equipe em 2014. Entretanto, o cenário mudou drasticamente em 2018. A Kingfisher Airlines entrou em colapso e o financiamento de Mallya desapareceu. Como resultado, a Force India passou por um processo de administração judicial.

Diante do risco de encerramento das atividades, Perez assumiu um papel importante na transição. O mexicano liderou a iniciativa que levou a equipe à administração judicial. O objetivo era proteger os funcionários e impedir uma petição de liquidação.

Foi justamente nesse momento que Stroll entrou no cenário. Em seguida, o empresário canadense comprou a Force India por meio de um consórcio e rebatizou a organização como Racing Point.

Depois disso, Perez permaneceu na equipe e passou a dividir a garagem com Lance Stroll, filho de Lawrence. Após duas temporadas sob o nome Racing Point, a organização se transformou na Aston Martin.

A mudança trouxe grandes expectativas. A nova fase prometia investimentos significativos e um futuro mais ambicioso. No entanto, Perez recebeu uma notícia inesperada: a equipe não renovaria seu contrato e contrataria Sebastian Vettel para ocupar sua vaga.

Ao falar sobre a decisão no High Performance Podcast, o mexicano resumiu o momento: “Foi difícil”.

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Perez acreditava que faria parte do projeto

Além de ajudar Stroll durante a compra da equipe, Perez possuía um contrato que, em sua avaliação, deveria garantir sua continuidade no projeto.

Por isso, o mexicano acreditava que construiria o futuro da Aston Martin ao lado de Lawrence e Lance Stroll. Afinal, ele havia passado grande parte de sua carreira na estrutura de Silverstone.

“Eu tinha um contrato de três anos com a equipe, obviamente com opções nele, e meu futuro seria com aquela equipe, com a qual estive praticamente durante toda a minha vida”.

“Eu ajudei Lawrence a comprá-la e tudo mais. Por isso, eu realmente pensei que faria parte daquele projeto junto com Lawrence e Lance”.

Ainda assim, Perez compreendia a situação. Afinal, quando a equipe decidiu substituí-lo, ele já havia disputado nove temporadas na F1 e conhecia bem o funcionamento do mercado.

Vettel estava disponível. O alemão havia conquistado quatro títulos mundiais e representava uma oportunidade muito valiosa para Stroll.

“Então, obviamente Sebastian ficou disponível. Um tetracampeão mundial ficou disponível, e eu entendi que é assim que o esporte funciona”.

“Eu sabia que ele despertaria um grande interesse em Lawrence. Ele tinha uma opção, não a renovou e escolheu Sebastian”.

“Não existe lealdade na F1”

Embora considere que a F1 não oferece lealdade, Perez afirmou que não levou a decisão para o lado pessoal.

Em vez disso, o mexicano manteve uma boa relação com os integrantes da equipe de Silverstone. Portanto, mesmo após perder sua vaga, ele não transformou a situação em um conflito.

“Eu pensei: ‘Olha, não existe lealdade neste esporte’. Não levei isso para o lado pessoal. Na verdade, tenho uma ótima relação com todas as pessoas da Aston”.

Depois da saída, Perez decidiu se concentrar no que ainda podia controlar. Assim, ele direcionou seus esforços para a performance nas pistas e deixou o futuro em aberto.

“Então, eu disse: ‘Certo, o que posso fazer agora?’ Apenas me concentrei no que eu podia fazer, que era apresentar um bom desempenho na pista e ver o que aconteceria”.

“Se surgisse uma boa oportunidade para o ano seguinte, eu a aceitaria. Caso contrário, ficaria um ano fora e depois voltaria porque existia algum interesse. Eu tinha algumas alternativas, mas não para o ano seguinte”.

Vitória em Sakhir abriu as portas da Red Bull

No entanto, o cenário mudou no fim daquela temporada. Perez venceu o GP de Sakhir pela Racing Point, o primeiro triunfo de qualquer versão da equipe desde o sucesso da Jordan em 2003.

Como resultado, Perez chamou a atenção da Red Bull. Curiosamente, a equipe austríaca era justamente aquela que ele menos imaginava defender.

“Depois, acabei vencendo minha corrida no fim do ano, e então a Red Bull apareceu. A única equipe pela qual eu achava que nunca correria era a Red Bull porque eles sempre têm pilotos de sua academia. No fim, acabei correndo pela Red Bull.”

Durante sua passagem pela equipe, Perez conquistou cinco vitórias e teve papel fundamental na conquista do primeiro título mundial de Max Verstappen em 2021.

Posteriormente, a Red Bull dispensou o mexicano ao fim de 2024. Ainda assim, sua performance pela equipe manteve seu nome valorizado no mercado.

Como consequência, a Cadillac demonstrou interesse em Perez. A nova equipe procurava um piloto rápido e experiente. Essas características abriram caminho para seu retorno à F1 em 2026.

 

LS - www.autoracing.com.br

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