Pat Symonds e suas duras críticas ano novo motor da Fórmula 1

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026 às 16:36

Pat Symonds Cadillac F1

Pat Symonds fez críticas contundentes em relação ao novo motor da Fórmula 1 que a categoria usará a partir deste ano. Certamente Symonds ainda é uma das mentes técnicas mais respeitadas do esporte atualmente. O ex-diretor técnico da Fórmula 1 se juntou ao projeto incipiente da Cadillac na F1 recentemente. Ele foi um dos principais arquitetos do regulamento de chassis de efeito solo em 2022. Esse conceito falhou claramente em seu objetivo principal de eliminar a turbulência dos carros. Por outro lado o projeto ao menos aproximou o grid nas competições.

Mas o britânico admite que não é fã da unidade de potência da próxima geração. Essa tecnologia será introduzida este ano no mundial. Ele descreveu a nova unidade de potência como um camelo. Segundo ele o projeto nasceu de decisões de um comitê em vez de uma engenharia ousada. Symonds revelou que sua saída da Formula One Management ocorreu em parte pelo controle rígido da FIA. Na sua opinião essa mudança comprometeu a pureza da próxima geração de unidades de potência. Havia uma frustração ao ver a Formula One Management se envolvendo cada vez menos nos regulamentos. Ele afirmou à Autocar que as regras de 2026 não eram o que ele queria.

Compromisso em vez de inovação no motor da Fórmula 1

O ex-veterano da F1 acredita que a FIA fez muitas concessões às equipes ao moldar as regras. Isso acabou diluindo o que poderia ter sido uma unidade de potência revolucionária para o esporte. Quando eles fizeram o carro de 2022 ouviram o que as equipes estavam dizendo. Entretanto eles trataram os times com mão de ferro naquele momento específico. Symonds explicou que levou em consideração algumas das sugestões apresentadas. Ele sabia que cada um dos competidores tinha seus próprios objetivos individuais. Essa percepção veio de sua experiência de muitos anos como um competidor ativo.

Por isso eles foram bastante rígidos no que queriam para o futuro técnico. Symonds lamentou que o motor da Fórmula 1 não tenha correspondido à sua visão original. A FIA rejeitou uma proposta para gerar energia a partir do eixo dianteiro. Esta solução poderia ter compensado a perda do complexo componente MGU-H. Além disso a ideia impulsionaria a eletrificação total dos carros de corrida. Symonds comparou o projeto liderado por um comitê ao desenho de um cavalo de corrida que vira um camelo. A busca por envolver mais os fabricantes gerou um resultado técnico questionável.

Uma unidade de potência com pouca energia

O resultado desse processo é uma unidade de potência com dificuldades de autonomia elétrica. Symonds teme que a rejeição da recuperação de energia no eixo dianteiro prejudique o desempenho. Segundo o engenheiro isso ocorreu por um mal-entendido da tecnologia e pelo veto de uma equipe. Um dos requisitos para o motor de 1926 era remover o MGU-H conforme as regras. Esse componente certamente melhorava muito a eficiência dos motores apesar de ser bastante complexo. A decisão de removê-lo visava incentivar novas montadoras a entrarem na categoria.

De certa forma esse plano foi bem-sucedido para o cenário atual. A Ford entrou e a Audi também confirmou sua participação. A Cadillac e a Porsche também mostraram interesse embora a Porsche tenha desistido no último minuto. Uma vez removida essa fonte de energia a ideia era substituí-la pela recuperação do eixo dianteiro. Se isso fosse feito tudo se equilibraria muito bem no conjunto técnico. Não haveria falta de energia e o carro teria muito mais eletrificação. Infelizmente uma equipe foi totalmente contra a recuperação de energia do eixo dianteiro durante as reuniões.

O futuro da aerodinâmica e do motor da Fórmula 1

O então presidente da FIA Jean Todt pensou que o sistema seria tração nas quatro rodas. Symonds esclarece que o plano envolvia apenas a recuperação de energia em linha reta. Certamente não seria um carro clássico com tração nas quatro rodas em curvas. Por causa dessa abordagem democrática o esporte acabou com um motor com pouca potência. Existem maneiras de contornar esse problema mas elas não são consideradas boas soluções técnicas. Apesar da sua crítica severa aos motores Symonds permanece otimista sobre os carros. Ele não gosta de como o motor da Fórmula 1 ficou para este ciclo. Contudo ele reconhece que o chassi e a aerodinâmica são muito bons. Para ele a aerodinâmica ativa representa um grande avanço tecnológico para a competição.

AS - www.autoracing.com.br

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