Ocon sugere motores biturbo como alternativa aos V8 na F1

quinta-feira, 22 de outubro de 2026 às 9:11

Esteban Ocon

Esteban Ocon sugeriu uma opção para o futuro dos motores da Fórmula 1: um biturbo com dois turbos de tamanhos diferentes como alternativa aos sistemas híbridos atuais e ao possível retorno dos V8 e V10.

O debate ganhou força nesta temporada devido às críticas às unidades de potência de 2026. O principal problema envolve a perda acentuada de potência nas retas quando a bateria se esgota, com os motores podendo cair de mais de 1.000 cv para cerca de 550 cv.

Atualmente, os conjuntos combinam um V6 turbo de 1,6 litro, que fornece aproximadamente 400 kW, com um motor elétrico de 350 kW. Além disso, a FIA eliminou o MGU-H para reduzir custos e atrair fabricantes como a Audi.

Entretanto, a configuração atual provocou reclamações sobre as grandes diferenças de velocidade entre os carros e a necessidade de os pilotos adotarem o lift and coast para recuperar energia nas curvas.

Por isso, a FIA já analisa mudanças nos parâmetros de fornecimento de potência elétrica.

Ocon, que deixará a Haas no fim desta temporada após dois anos na equipe, apresentou sua visão ao discutir as alternativas para os próximos regulamentos.

O francês ainda espera permanecer na F1 em alguma função em 2027, mesmo que precise assumir o papel de piloto reserva.

“Todos estamos pensando em V8 e V10, obviamente aspirados naturalmente. Essa provavelmente é a melhor dirigibilidade que você pode conseguir”, afirmou Ocon à imprensa.

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Ocon vê potencial em motores biturbo

Apesar de reconhecer as qualidades dos motores aspirados, Ocon destacou que a F1 precisa considerar a entrega de torque em baixas rotações. Segundo ele, a tecnologia híbrida pode compensar essa característica, mas existem outras soluções possíveis.

“Com a F1 atual e a potência que temos, talvez falte um pouco de torque em baixas rotações. É aí que entra a tecnologia híbrida, preenchendo a falta de torque que esse motor teria”, explicou.

O francês usou os supercarros de rua como exemplo de uma combinação que considera interessante: motores barulhentos associados a uma dose de eletrificação.

Por outro lado, Ocon também levantou a possibilidade de abandonar completamente a parte elétrica e recorrer a dois turbos de tamanhos diferentes.

Nesse caso, um turbo menor poderia trabalhar em baixas rotações, enquanto o maior contribuiria em regimes mais elevados.

“Ou você não usa eletricidade e coloca turbos, como dois, um pequeno e um grande, para compensar o atraso de resposta em baixas rotações”, comentou.

Porém, Ocon reconheceu que essa solução seria incomum no automobilismo de alto nível.

“Em um carro de corrida, não vi muitas máquinas biturbo vencedoras, então seria bastante interessante”, acrescentou.

Para o piloto, existem diversas possibilidades para o futuro dos motores, inclusive soluções que podem oferecer um resultado melhor do que o regulamento atual.

Alonso defende equilíbrio entre combustão e eletricidade

Fernando Alonso, da Aston Martin, adotou uma posição mais cautelosa ao comentar a possibilidade da F1 retornar aos motores aspirados utilizados no passado.

O espanhol competiu nas eras dos V8 e V10 antes da chegada dos motores turbo-híbridos. Embora reconheça as qualidades dos carros antigos, ele considera necessário levar em conta as mudanças tecnológicas e as exigências atuais.

“O mundo mudou”, afirmou Alonso. “Obviamente, eram carros divertidos de pilotar, muito leves e barulhentos, mas talvez esse tipo de tecnologia não combine com o mundo atual”.

Alonso também lembrou que, no início de sua carreira, as equipes utilizavam motores específicos para a classificação e outros para a corrida. Naquela época, alguns propulsores eram preparados para durar apenas 12 voltas na sessão de sábado.

“Quando comecei, trocávamos os motores. Tínhamos um motor para sábado, para 12 voltas na classificação, e depois outro para domingo. Isso seria possível no mundo atual? Provavelmente não”, avaliou.

Dessa forma, o bicampeão mundial defendeu uma abordagem pragmática, em vez de simplesmente recuperar os regulamentos antigos.

“Precisamos aceitar e nos adaptar ao mundo. Talvez os sistemas híbridos sejam o caminho. Só precisamos encontrar a proporção entre a combustão e a parte elétrica, e definir quanto precisamos de ajuda elétrica”, concluiu Alonso.

 

LS - www.autoracing.com.br

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