Ocon alerta que novas regras podem dificultar ultrapassagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026 às 9:29

Esteban Ocon

Esteban Ocon manifestou preocupações iniciais sobre os novos carros da Fórmula 1. Segundo o francês, as ultrapassagens podem se tornar mais complicadas do que o previsto já no início da nova era técnica.

Isso acontece porque a F1 passa por uma mudança profunda em 2026. Dessa vez, tanto as regras aerodinâmicas quanto as de unidades de potência sofreram uma reformulação significativa.

Nesse contexto, Ocon foi à pista com a Haas pela primeira vez durante o teste de Barcelona, realizado na semana passada. Ao longo de três dias, o VF26 acumulou quase 400 voltas, o que permitiu uma análise inicial mais detalhada.

Durante o teste, o francês aproveitou para experimentar diferentes soluções técnicas do novo carro. Entre elas, esteve o novo modo de ultrapassagem, que fornece um ganho extra de energia quando o piloto está a menos de um segundo do carro à frente.

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Ao avaliar o comportamento do carro em tráfego, Ocon destacou um ponto de atenção. Falando à imprensa, ele explicou sua primeira impressão.

“Tenho seguido alguns carros e parece que se perde bastante carga aerodinâmica na dianteira, talvez até mais do que antes. Ainda precisamos analisar melhor”.

Em seguida, ele abordou diretamente o novo sistema de ultrapassagem. Ainda assim, Ocon fez questão de adotar cautela.

“Usei o modo de ultrapassagem, sim. Porém, não quero tirar conclusões muito cedo porque ele ainda precisa ser ajustado e otimizado para funcionar da melhor forma”.

Apesar disso, o francês não escondeu sua sensação inicial. Pelo contrário, foi bastante claro.

“Até agora, parece difícil ultrapassar. Essa é minha primeira impressão. Mesmo assim, espero que isso evolua e fique mais fácil”.

Ocon levanta dúvidas sobre a aerodinâmica ativa

Além das ultrapassagens, Ocon também direcionou críticas à aerodinâmica ativa, uma das grandes novidades da F1 nesta temporada.

Com o novo regulamento, os elementos das asas dianteira e traseira alteram o ângulo de ataque nas retas, reduzindo o arrasto. Em contrapartida, ao entrar nas curvas, esses componentes mudam de configuração para gerar mais carga aerodinâmica.

No entanto, segundo Ocon, o conceito atual lembra bastante o antigo DRS, que será abolido a partir de 2026.

“Sinceramente, fiquei um pouco decepcionado com a aerodinâmica ativa porque é basicamente o DRS, só que também aplicado na dianteira”.

Além disso, ele destacou que o sistema funciona praticamente o tempo todo. Por isso, seu impacto estratégico acaba sendo limitado.

“Estamos usando isso o tempo inteiro. Então, vira mais uma questão de eficiência do que algo que realmente nos dê mais ferramentas para trabalhar”.

Ainda assim, Ocon reconheceu que existem pequenos ajustes disponíveis. No entanto, ele acredita que o potencial poderia ser maior.

“Claro que temos alguns ajustes finos. Mesmo assim, eu preferiria poder configurar o flap dianteiro como quiséssemos para cada curva antes de pilotar”.

Para reforçar seu ponto de vista, o francês recorreu a um exemplo fora da F1. Dessa forma, comparou o conceito atual com soluções já vistas em carros de rua.

“Isso é o que eu chamo de aerodinâmica ativa. O Pagani Huayra já fazia anos atrás, ajustando os elementos aerodinâmicos conforme cada curva e a necessidade de equilíbrio”.

Na visão de Ocon, o sistema introduzido pela F1 ainda não explora todo o seu potencial.

“O que temos agora é interessante. Mesmo assim, acredito que poderíamos usar essa tecnologia de uma maneira muito mais ampla”.

Posteriormente, quando o tema voltou a ser levantado por jornalistas, Ocon adotou um tom mais moderado. Dessa vez, ele reconheceu que suas palavras iniciais foram um pouco fortes.

“Talvez eu tenha sido um pouco extremo. Não diria que estou decepcionado, mas acredito que dava para usar isso de uma forma melhor”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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