Novo circuito busca levar F1 de volta à África do Sul
quarta-feira, 30 de setembro de 2026 às 10:07
GP da África do Sul – 1992
A África do Sul ganhou um novo projeto para tentar levar a Fórmula 1 de volta ao país.
O grupo sul-africano Blue Mountain Racing (BMR) anunciou a aquisição de uma propriedade de 600 hectares na região de Swartland, ao norte da Cidade do Cabo.
O objetivo é desenvolver o local para receber certificações FIA Grau 1 e FIM Grau A, permitindo a realização de corridas de F1 e MotoGP.
A BMR adquiriu o terreno em abril. Além disso, o projeto terá financiamento privado de empresários sul-africanos e integrantes do automobilismo internacional.
Enquanto isso, o planejamento do circuito e de todo o complexo avança. Ao mesmo tempo, a BMR já mantém conversas com a F1 e a MotoGP.
Circuito permanente será construído perto da Cidade do Cabo
O projeto prevê uma pista com entre 4,5 km e 5,5 km de extensão. A reta dos boxes teria 600 metros, enquanto um trecho de aproximadamente 1 km seria percorrido com o pé cravado. O traçado também incorporaria mudanças de elevação ao longo da volta.
Em vez de apostar em uma corrida de rua temporária, a BMR optou por uma instalação permanente fora da Cidade do Cabo.
Segundo o grupo, dessa forma, a escolha oferece maior liberdade para desenvolver o traçado e ao mesmo tempo evita o trabalho anual de montar e desmontar uma pista urbana.
O circuito seria o centro de um complexo mais amplo. O projeto prevê hotéis, áreas residenciais e comerciais, instalações para conferências, um anfiteatro e um empreendimento à beira-mar.
A proposta também inclui centros de pesquisa e tecnologia automotiva, treinamento de pilotos, programas de capacitação e uma estrutura de formação para o kart.
Enquanto isso, o processo de mudança de zoneamento, as aprovações ambientais e o projeto final devem avançar até 2028. Em seguida, a BMR pretende iniciar a construção em 2029.
BMR planeja primeira corrida de F1 em 2031
Depois da conclusão das obras, o grupo pretende buscar as certificações necessárias da FIA e da FIM. Os primeiros testes de pista estão previstos para o início de 2030. A BMR, por sua vez, planeja realizar seu primeiro GP de F1 no local no ano seguinte.
Neal Froneman, responsável pelo projeto, considera que a projeção internacional da Cidade do Cabo e sua estrutura turística podem fortalecer a candidatura.
“A Cidade do Cabo é atendida por um grande aeroporto internacional, com conexões diretas para a Europa, os Estados Unidos e o Golfo, além de um porto próximo para navios de cruzeiro”, afirmou.
“A cidade oferece hospitalidade de nível mundial e está situada diante do cenário da icônica Table Mountain, das praias deslumbrantes da península e das vinícolas próximas. Esses são ativos que nenhum projetista de circuito poderia criar”.
África do Sul tenta recuperar GP de F1
O projeto da BMR representa, portanto, mais uma tentativa de recolocar a África do Sul no calendário da F1. Atualmente, a África é o único continente habitado que não recebe um GP.
Lewis Hamilton está entre os pilotos que mais defenderam publicamente um retorno da categoria ao continente. No início deste ano, o heptacampeão voltou a manifestar o desejo de disputar um GP na África antes do fim de sua carreira na F1.
“Eu não quero deixar a categoria sem ter um GP lá, sem conseguir correr lá”, disse Hamilton. “Estou cobrando isso. Quando vai acontecer?”
“Eles estão estabelecendo determinadas datas. Eu penso: droga, posso estar ficando sem tempo. Então, vou ficar aqui por um tempo até isso acontecer porque seria incrível, considerando que sou meio africano”.
A África do Sul não recebe um GP desde 1993, quando Kyalami sediou a corrida. Desde então, entretanto, o circuito localizado na região de Joanesburgo permaneceu no centro das iniciativas para trazer a F1 de volta ao país.
No ano passado, o governo sul-africano identificou uma proposta liderada por Kyalami como sua candidatura preferencial. Na ocasião, três projetos haviam sido analisados por um comitê criado para avaliar as propostas.
A decisão ocorreu depois que a FIA aprovou a atualização de Kyalami para o Grau 1. Entretanto, a preferência do governo não garantiu ao circuito um lugar futuro no calendário da F1.
Outro projeto na Cidade do Cabo já havia proposto um circuito de rua de 5,7 km. Por fim, Ruanda também surgiu como outra possível sede africana para a F1.
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