Norris: Passamos dos melhores carros da história para os piores
sábado, 7 de março de 2026 às 9:35
Lando Norris
O atual campeão mundial Lando Norris fez uma crítica direta à nova geração de carros da Fórmula 1. Segundo o piloto da McLaren, a categoria deu um passo significativo para trás com a introdução das unidades de potência de 2026.
A declaração surgiu logo após a classificação para o GP da Austrália, realizada no circuito de Albert Park. Norris garantiu apenas a sexta posição no grid. Enquanto isso, a primeira etapa do campeonato já revelou vários desafios criados pelo grande foco na gestão de energia elétrica.
Na frente, George Russell conquistou a pole position pela Mercedes. O britânico superou o companheiro de equipe Kimi Antonelli, confirmando o forte início da equipe alemã na temporada.
Ainda assim, Norris afirmou que o principal problema não está apenas na performance entre as equipes, mas sobretudo na experiência de pilotagem.
“Todo mundo sabe quais são os problemas”, afirmou Norris. “Basicamente, existe uma divisão de 50-50 e isso simplesmente não funciona. Além disso, o modo de reta traz vários outros problemas”.
Em seguida, o piloto explicou que os carros exigem mudanças constantes no estilo de pilotagem. Por causa disso, os pilotos precisam desacelerar muito antes das curvas.
“Você reduz demais antes das curvas e precisa aliviar o acelerador em vários pontos para garantir que a bateria esteja no nível ideal. Ao mesmo tempo, se o nível ficar alto demais, também vira um problema. Portanto, é complicado, mas é o que temos”.
Mesmo com a frustração evidente, Norris reconheceu que alguns rivais podem se beneficiar mais do cenário atual.
“Não é algo agradável para o piloto. Ainda assim, tenho certeza de que George está sorrindo. No fim das contas, você precisa maximizar o que tem”.
Logo depois, o campeão foi ainda mais duro ao comparar os carros atuais com os da geração anterior.
“Saímos provavelmente dos melhores carros já feitos na F1, que eram os mais agradáveis de pilotar, para talvez os piores. É frustrante, mas precisamos conviver com isso”.

Gestão de energia exige atenção constante
Outro ponto levantado por Norris envolve o enorme nível de atenção dedicado ao gerenciamento de energia durante cada volta.
Antes, os pilotos concentravam o foco principalmente na linha ideal, nas frenagens e na velocidade nas curas. Agora, também precisam acompanhar constantemente as informações exibidas no volante.
Como resultado, parte da atenção se desloca para os sistemas eletrônicos do carro. Dessa forma, os pilotos tentam manter o complexo sistema híbrido dentro da janela ideal de funcionamento.
Essa situação ficou evidente durante um momento curioso da classificação.
Durante a sessão, Norris passou por cima de detritos deixados pelo carro de Antonelli. O piloto da Mercedes havia saído dos boxes com um equipamento de resfriamento ainda preso ao carro.
Segundo Norris, a necessidade de monitorar dados no volante impediu que ele percebesse o objeto na pista com antecedência.
“Eu estava olhando para o volante”, explicou. “Preciso verificar qual velocidade vou atingir no final da reta e decidir se devo frear 30 metros antes ou 10 metros depois”.
Além disso, o piloto destacou que essa verificação constante virou parte essencial da pilotagem.
“Esse é justamente o problema. Você precisa olhar para o volante a cada três segundos para entender o que vai acontecer. Caso contrário, pode acabar fora da pista”.
Paddock dividido sobre o regulamento
Apesar das críticas, as opiniões no paddock permanecem divididas.
Por um lado, Max Verstappen também levantou dúvidas sobre o equilíbrio das novas UPs. Da mesma forma, seu companheiro Isack Hadjar admitiu que não é fã do sistema fortemente baseado em energia que agora influencia as estratégias.
Por outro lado, alguns pilotos enxergam aspectos positivos no novo pacote técnico.
George Russell, que largará da pole neste domingo, afirmou que as novas regras de chassi melhoraram o comportamento dos carros. Segundo o britânico, os modelos mais leves e ágeis respondem com mais rapidez aos comandos do piloto.
Ainda assim, a adaptação ao foco intenso na recuperação e no uso de energia continua em andamento dentro do paddock.
Para Norris, entretanto, a conclusão já parece definida. Depois de experimentar os novos carros em pista, o campeão acredita que a F1 sacrificou parte da sensação pura de pilotagem que tradicionalmente definia a categoria.
Em seu lugar, surgiu um complexo equilíbrio entre desempenho e gerenciamento energético – algo que muitos pilotos ainda tentam dominar.
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