Mudanças na parte elétrica podem favorecer o motor da Red Bull
terça-feira, 6 de outubro de 2026 às 1:38
Max Verstappen
As mudanças no gerenciamento elétrico da Fórmula 1 podem favorecer o motor de combustão interna (ICE) da Red Bull, que a própria FIA colocou como referência na avaliação do ADUO. A discussão ganhou força com a crescente competitividade do carro nas retas, especialmente em Baku e Sepang.
Desde o início da temporada, a categoria alterou tanto os limites de recuperação de energia quanto as condições de entrega da potência elétrica. Assim, modificou parâmetros que influenciam o equilíbrio entre o ICE e o sistema híbrido.
Embora não seja possível quantificar quanto dessas mudanças contribuiu para a evolução da Red Bull, existe um mecanismo técnico que merece atenção: restringir a contribuição elétrica pode valorizar relativamente um motor de combustão interna (ICE) superior.
FIA reduziu o limite de recuperação de energia
No início do campeonato, o limite de recuperação no treino de classificação chegava a 9 megajoules por volta. Para Suzuka, porém, as fabricantes concordaram em reduzir esse valor para 8 MJ.
Depois, a FIA anunciou uma redução de 8 para 7 MJ nos parâmetros de classificação, além de ampliar a possibilidade de aplicar limites menores conforme as características do circuito.
O objetivo era diminuir a necessidade de recuperar energia e permitir uma pilotagem mais constante com o pé cravado. Afinal, buscar muita energia durante a volta pode exigir desacelerações antecipadas ou recuperação nas retas.
Entretanto, esses números medem energia, não potência. Os MJ indicam a quantidade recuperada; já os kW representam a potência instantânea de entrega ou recuperação.
Portanto, reduzir o limite de recarga não equivale diretamente a diminuir a potência máxima do MGU-K. Ainda assim, altera o orçamento de energia e a maneira como as equipes podem sustentar a assistência elétrica.
Recuperação menor e potência limitada têm efeitos diferentes
Além das mudanças na energia, a FIA manteve a entrega de 350 kW nas principais zonas de aceleração e estabeleceu um limite de 250 kW em outros trechos.
Ao mesmo tempo, aumentou de 250 para 350 kW a potência de recuperação durante o superclipping. Nesse caso, a intenção era recuperar energia mais rapidamente e reduzir o tempo gasto nessa condição.
Assim, o pacote combina medidas diferentes. Uma limita quanto o sistema pode recuperar; outra restringe sua entrega em determinados pontos; e uma terceira acelera a recuperação.
Por isso, não basta olhar apenas para a potência máxima anunciada. A competitividade também depende de onde e durante quanto tempo o carro consegue utilizar a assistência elétrica.
O motor da Red Bull foi a referência do ADUO
O ADUO oferece oportunidades adicionais de desenvolvimento às fabricantes cujo motor a combustão apresenta pelo menos 2% de déficit em relação à referência.
Na avaliação divulgada pela FIA, a Mercedes recebeu concessões na faixa de 2% a 4%. Já Ferrari, Audi e Honda ficaram na faixa acima de 4%.
A Red Bull, por sua vez, foi a única fabricante sem essas concessões. Portanto, a vantagem térmica considerada nesta análise tem fundamento na avaliação da própria entidade.
Isso não significa necessariamente superioridade da unidade de potência completa. Entretanto, identifica uma vantagem no componente que ganha importância relativa quando a contribuição elétrica diminui.
Ferrari já utilizou duas atualizações
A Ferrari introduziu uma primeira atualização na Áustria e uma segunda em Monza, utilizando as oportunidades do ADUO.
Mesmo assim, as atualizações não representaram uma garantia de eliminar a desvantagem. Antes do GP da Itália, Charles Leclerc reconheceu o motor como um ponto fraco e indicou que a novidade ajudaria a reduzir parte da diferença.
Em Sepang, imagens sobrepostas das voltas de classificação de Hamilton e Verstappen, produzidas pela própria Fórmula 1, mostraram nitidamente a grande vantagem da Red Bull nas retas. Veja:
Além disso, os percentuais divulgados pela FIA correspondem aos períodos avaliados. Portanto, não permitem afirmar qual é a diferença atual após as atualizações.
Ainda assim, o caso Ferrari mostra a dificuldade da recuperação: receber autorização para desenvolver o motor de combustão interna não significa alcançar imediatamente a fabricante de referência.
Quero ser VIPComo as mudanças podem favorecer o motor da Red Bull
Uma fabricante pode compensar parte de sua inferioridade térmica com um sistema elétrico mais eficiente. Porém, se as regras reduzem o espaço para explorar essa compensação, o ICE superior passa a ter maior peso relativo.
Dessa forma, a Red Bull não precisa ganhar potência térmica para obter um benefício competitivo. Uma mudança nas condições de utilização elétrica pode valorizar uma vantagem que já existia.
A força nas retas da equipe em Baku e Sepang é compatível com esse mecanismo. Contudo, aerodinâmica, acerto e gerenciamento de energia também participam do desempenho.
O ponto central, portanto, é o equilíbrio técnico. Enquanto o ADUO permite aos rivais tentar reduzir a diferença do ICE, as restrições elétricas podem valorizar justamente o componente em que a FIA identificou a Red Bull como referência.
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