MotoGP – O fator poluição sonora

MotoGP - Sachsenring

MotoGP – Sachsenring

Colaboração: Carlos Alberto Goldani

Quem diria que, entre os fatores que podem decidir o mundial de MotoGP deste ano, podem estar relacionadas as legislações locais que disciplinam a poluição acústica. Dez entre dez pilotos da MotoGP reconhecem que a escolha dos pneus pode não decidir quem ganha uma prova, mas com certeza define quem não ganha. Para a próxima etapa, Sachsenring, a Michelin deve disponibilizar uma nova especificação de pneus, segundo a fábrica, opção mais adequada para administrar a aderência extra de uma pista recapeada recentemente.

Explicando melhor, os pilotos terão as quatro seções de treinos, as seções de qualificação e o horário de aquecimento (warmup) antes da prova para decidir qual a melhor combinação entre as versões de quatro de pneus dianteiros e quatro traseiros, ou seja, fazer a escolha mais adequada entre as 16 possíveis. A razão pela qual a fábrica francesa optou por esta abordagem foi que não houve a possibilidade de agendar uma única seção de treinos no novo piso do circuito alemão.

O circuito de Sachsenring está localizado na área urbana de Hohenstein-Ernstthal, na Saxônia, que tem uma legislação local rígida em relação à poluição sonora e reserva poucas datas para permitir a realização de provas e testes com máquinas que produzem muito ruído. Apesar de todos os esforços da Michelin e da administração da MotoGP para ampliar estas datas, explicando que a nova superfície excluiu a validade de qualquer histórico de configuração das motos em anos anteriores pudesse ser utilizada, o conselho local foi inflexível e votou contra.

Um protótipo da MotoGP ataca as curvas com ângulos de inclinação muito elevados, portanto não há como utilizar motos padrão de estrada, que produzem menor ruído, para realizar testes. Estes equipamentos não têm condições de gerar o stress resultante da potência, capacidade de frenagem e técnica de pilotagem de uma moto da principal categoria. Na impossibilidade de entregar um produto mais adequado, a Michelin obteve a aprovação da Dorna para exportar a decisão para os pilotos e equipes, um composto dianteiro e um traseiro a mais é uma maneira da fábrica cobrir uma ampla gama de possibilidades.

O fantasma que assombra a Michelin em Sachsenring é repetir o que aconteceu em 2013 em Phillip Island. A pista da Austrália foi recapeada e a Bridgestone não contabilizava experiências anteriores no circuito com o novo piso. Durante os testes que antecedem a prova, o calor adicional gerado pela maior aderência do asfalto resultou em bolhas em alguns pneus traseiros. Por precaução, a prova foi reduzida de 27 para 19 voltas, com troca compulsória de motos na volta 10. O pessoal de apoio da Honda atrapalhou-se nos boxes e não sinalizou a entrada obrigatória para o aspirante ao título Marc Márquez, rookie que disputava a liderança com o então campeão do mundo Jorge Lorenzo. O piloto, como acordado por todas as equipes antes da largada, foi penalizado com bandeira preta.

Carlos Alberto Goldani
Porto Alegre – RS

Quer ver todos os textos de colaboradores? Clique AQUI

Os artigos publicados de colaboradores não traduzem a opinião do Autoracing. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre automobilismo e abrir um espaço para os fãs de esportes a motor compartilharem seus textos com milhares de outros fãs.

AS - www.autoracing.com.br

Tags
, , , , ,

ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.