Michael Masi simplesmente roubou o título de Lewis Hamilton

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021 às 17:24

Michael Masi

Por: Adauto Silva

Eu absolutamente não podia virar o ano sem deixar expressamente registrada a minha opinião sobre os acontecimentos no final do GP de Abu Dhabi. Eu acho que é isso que todos os leitores do Autoracing esperam de mim, concordem ou não com o texto.

Essa polêmica sobre o que aconteceu no final do GP de Abu Dhabi nunca vai terminar por um simples motivo: Michael Masi simplesmente fez uma lambança completa tomando sucessivas decisões erradas e contra o regulamento roubando o título de Lewis Hamilton.

Ele fez de propósito porque é mau caráter? Não sei, não tenho essa capacidade de julgamento nesse caso porque não o conheço e não sei se ele sofreu algum tipo de pressão para entregar o título a Max Verstappen. Mas acredito que não. Ele é fraquíssimo mesmo e já fez algo semelhante no campeonato australiano de turismo, também na corrida final, ao dar uma punição descabida a um dos dois postulantes ao título e entrega-lo de bandeja ao outro.

O fato é que como eu já disse num comentário nas páginas do Autoracing e no último Loucos do ano com o Bruno e o Fábio, pesquisei incansavelmente com dirigentes, advogados, juízes e até com um Desembargador desde o GP de Abu Dhabi e a conclusão foi: Ninguém, em esporte algum, pode ter uma autoridade que prevaleça sobre o regulamento oficial da competição.

E Masi prevaleceu atropelando o regulamento que manda que todos ou nenhum carro desconte volta durante o safety-car. Ele mudou as regras escritas e assinadas por todos, FIA, Liberty e equipes. Masi tem a prerrogativa de poder escolher a hora em que e se o safety-car é necessário, a hora que ele pode sair, a velocidade com a qual ele anda na pista, mas nem ele e nem ninguém pode mandar apenas alguns carros descontarem volta e outros não, porque isso manipula o resultado da corrida, não só do vencedor como também dos carros que puderam e o dos que não puderam descontar a volta.

Então, essa manipulação de resultado afrontando as possibilidades que o regulamento lhe dá é absurda, inexistente e ilegal. A “autoridade prevalecente” que o regulamento lhe dá sobre o safety-car não é sobre o próprio regulamento, mas sim sobre qualquer outra pessoa com autoridade na pista, delegados, comissários, fiscais de pista e etc, mas nunca sobre o regulamento.

O problema para a FIA é que se tratou se um “estrago” cuja solução única seria anular as voltas a partir do momento que a corrida foi manipulada por Masi, ou seja, a partir do momento que ele mandou apenas os carros que estavam entre Hamilton e Verstappen descontarem a volta impedindo que os outros carros fizessem o mesmo.

Mas, para acontecer isso, a Mercedes teria que ir à justiça comum rompendo totalmente com a FIA e saindo do automobilismo em geral, não apenas da F1. E eles querem continuar, até porque todos os investimentos em automobilismo já foram feitos para os próximos anos e seria um prejuízo enorme se eles saíssem agora. E essa é a única razão, todo o resto que vem sendo publicado sobre eles terem aceitado a derrota é marketing, teatro para não prejudicar ainda mais a credibilidade da categoria na qual eles resolveram continuar.

Red Bull e o genial Max Verstappen não tem nada com isso, eles não fizeram absolutamente nada errado. Max se aproveitou – como qualquer outro piloto faria, inclusive o Hamilton – de um erro absurdo e sem precedentes na história da Fórmula 1 do diretor de prova para vencer a corrida e o título. É um erro qualquer pessoa imputar o que aconteceu em Abu Dhabi ao Max.

E a questão não é de merecimento também. Pela primeira vez em 49 anos que acompanho a Fórmula 1, achei que ambos mereciam conquistar o título, pois ambos guiaram muito e ambos são gênios do volante. Max não deu chances a Lewis nas corridas nas quais seu carro estava melhor e Lewis também não deu chances a Max nas corridas em que ele tinha um carro melhor. O resto é torcida…

Pessoalmente me beneficiei do título do Max, pois apostei na primeira semana da temporada que ele seria o campeão – quando as casas de apostas pagavam 7 para 1 – e ganhei uma bela grana. Mas esse não é o caso. Eu ganhei, mas a Fórmula 1 perdeu credibilidade, o que para mim é mais importante.

Mas não há nenhuma desculpa para o que Masi fez. Ele errou muitas vezes durante a temporada, inclusive prejudicando o próprio Verstappen na primeira corrida do ano mudando as regras dos limites de pista no meio da prova e assim tirando uma vitória certa do holandês no Bahrain. Errou outras vezes também, inclusive no GP do Brasil ao não determinar que Verstappen fosse punido ao jogar Hamilton para fora da pista na curva do Lago, que foi uma situação muito parecida com a da curva Copse em Silverstone, com a diferença que em Interlagos Hamilton foi mais inteligente ao sair da pista para não bater e na Copse Verstappen não saiu a acabou batendo. A “culpa” na Copse foi do Verstappen, que quis mostrar ao Hamilton que não tiraria o pé em disputas, como não tirou mesmo, nem naquela vez e nem depois. Max passou a jogar pesado a partir de então, às vezes pesado até demais – e Hamilton vai ter que encontrar uma forma de responder isso, caso volte à Fórmula 1 em 2022.

Mas com todos esses erros, nenhum deles justifica o outro. Cometer um erro para “consertar” outro erro não conserta nada, são apenas 2 erros ao invés de um.

O que a Fórmula 1 tem que fazer agora é restaurar a confiança de seus fãs mais fiéis, aqueles que acompanham a categoria há tempos e a conhecem muito melhor que os novos fãs trazidos ao longo desta temporada em razão de um campeonato realmente espetacular e da série Drive to Survive da Netflix.

Os fãs fiéis e mais antigos, mesmo os torcedores de Verstappen com mais de dois neurônios – e a imensa maioria os têm – sabem lá no fundo que esse campeonato acabou de forma errada, enviesada, e mesmo compreensivelmente sem verbalizarem isso, querem que Max vença outro título em cima de Hamilton sem esse tipo de absurdo. Até Max, acredito, um dia depois que vencer outro(s) título(s) – o que muito provavelmente acontecerá – dirá que precisava disso para ele mesmo, tenho certeza. Enfim, todos que realmente gostam e apreciam o esporte, querem e precisam da restauração da confiança nele.

Como a FIA vai fazer para que esse absurdo nunca mais se repita eu não sei. Há realmente muita coisa acontecendo nos bastidores desde no dia 12 de dezembro. O novo presidente da FIA terá muito trabalho e terá que ser muito inteligente para conseguir isso. E vai precisar demais da ajuda da Liberty, principalmente de Ross Brawn, que até hoje está sob um silencio sepulcral sobre os acontecimentos em Abu Dhabi e nem escreveu sua coluna costumeira após cada corrida. Mas de uma coisa eu não tenho dúvida. Michael Masi tem que ser demitido e de preferência enviado para Marte, onde sabemos que não existe automobilismo.

Adauto Silva
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