Mercedes explica ordem para Russell no GP da Holanda

sexta-feira, 28 de agosto de 2026 às 15:45

Kimi Antonelli e George Russell

A Mercedes explicou que a classificação dos pilotos no campeonato não teve qualquer influência nas ordens dadas pela equipe durante o GP da Holanda, em Zandvoort.

Após o Virtual Safety Car, Kimi Antonelli estava em uma estratégia diferente e seguia atrás de George Russell. Por isso, a Mercedes pediu ao britânico que deixasse o companheiro passar. Antonelli cruzou a linha de chegada em P2, enquanto Russell garantiu a P3, logo à frente dos dois pilotos da Ferrari, Lewis Hamilton e Charles Leclerc.

No programa The Nu Silver Arrows Radio Show, o vice-chefe de equipe Bradley Lord e o diretor de engenharia de pista Andrew Shovlin explicaram a decisão tomada pela Mercedes em Zandvoort.

Lord afirmou que não estava preocupado com a maneira como a ordem seria recebida. Segundo ele, a situação ficou mais clara após a equipe analisar todos os fatores envolvidos.

“Por causa da bandeira vermelha no início e do cronograma atrasado, fizemos a análise completa na segunda-feira, em vez de imediatamente depois da corrida. George naturalmente questionou a instrução quando a recebeu, mas entendeu o contexto mais amplo.”

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Russell não podia parar durante o VSC

Russell não poderia entrar nos boxes durante o Virtual Safety Car. Caso fizesse isso, perderia posições para os pilotos da Ferrari. Assim, a Mercedes precisou considerar também a proximidade entre os carros na pista.

Lord explicou que a equipe já havia discutido esse cenário durante a reunião de estratégia realizada na manhã de domingo. Além disso, a Mercedes havia estabelecido uma orientação clara para evitar uma disputa interna que comprometesse as chances dos dois carros.

“Também deixamos muito claro na reunião de estratégia de domingo de manhã que o pelotão estava próximo demais para que nossos pilotos perdessem tempo lutando entre si. Essa discussão serviu de base para a decisão.”

A Mercedes, portanto, avaliou que a melhor alternativa seria colocar o carro em P2 na posição mais favorável para atacar, enquanto o piloto em P3 teria espaço suficiente para se defender dos adversários.

“Se as circunstâncias estivessem invertidas, teríamos agido exatamente da mesma maneira. A prioridade era dar ao carro em segundo a melhor chance de atacar, enquanto dávamos ao carro em terceiro pista livre e a melhor oportunidade possível de defender sua posição.”

Shovlin explica estratégia com Antonelli

Andrew Shovlin também explicou por que a Mercedes não pediu a Antonelli para permanecer à frente de Russell e fornecer ao companheiro o modo de ultrapassagem na disputa contra os pilotos da Ferrari.

A possibilidade chegou a ser discutida pela equipe. No entanto, os engenheiros concluíram que o ganho de desempenho seria pequeno e que a estratégia poderia criar um risco desnecessário entre os dois carros.

“Nós discutimos isso. O ganho era de cerca de dois décimos de segundo, principalmente na reta, que também era justamente onde George estava mais vulnerável. Havia a preocupação de que tentar algo que não havíamos ensaiado pudesse fazer com que os carros se envolvessem em um incidente.”

Como o benefício em termos de tempo de volta não seria significativo, a Mercedes preferiu uma solução mais simples. Antonelli deveria assumir a frente sem complicações, enquanto Russell teria pista livre para otimizar a saída da última curva e o desempenho na frenagem.

“Como o ganho de tempo de volta não era enorme, decidimos que era melhor Kimi passar de forma limpa e dar a George pista livre para obter a melhor saída possível e o melhor desempenho de frenagem. Com esses carros, você não consegue seguir a uma distância de dois décimos. A melhor chance da Ferrari era ganhar impulso na última curva ou atacar muito tarde na frenagem.”

Russell impressionou na defesa

Shovlin destacou ainda a atuação de Russell nas voltas finais. O britânico conseguiu manter Hamilton e Leclerc atrás, apesar da pressão dos dois pilotos da Ferrari.

“A defesa de George foi extremamente impressionante. Talvez você não desse a ele nem 50% de chance de manter as duas Ferraris atrás. O Virtual Safety Car ajudou a esfriar a situação por uma ou duas voltas e permitiu que ele administrasse sua energia, mas ele executou a defesa de forma soberba.”

Lord acrescentou que a Mercedes considerou o uso do DRS uma ferramenta mais previsível para esse tipo de estratégia. A situação, segundo ele, também apresentava diferenças importantes em relação ao cenário de uma corrida em Singapura.

“O DRS era uma ferramenta mais previsível para esse tipo de tática. A utilização da energia é menos previsível, e Zandvoort também era mais fácil de ultrapassar do que Singapura era naquela corrida em que aquela estratégia com DRS ficou famosa.”

EB - www.autoracing.com.br

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