Madring sofre pressão por mudanças após corrida “sonolenta”

segunda-feira, 14 de setembro de 2026 às 9:17

GP da Espanha no Madring

O circuito de Madring já enfrenta forte pressão por mudanças. Afinal, sua primeira corrida de Fórmula 1 teve pouquíssimas ultrapassagens. Como resultado, pilotos, imprensa e até autoridades espanholas criticaram o novo traçado.

O jornal francês L’Equipe, por exemplo, foi especialmente duro. Segundo a publicação, o circuito havia sido vendido como um traçado capaz de “matar” os carros. No entanto, a corrida acabou produzindo exatamente o efeito contrário para os espectadores.

Gabriel Bortoleto também concordou com essa avaliação. O brasileiro resumiu sua experiência de forma bastante direta: “Eu quase dormi”.

Enquanto isso, o ministro dos Transportes da Espanha, Oscar Puente, também criticou o espetáculo. Embora tenha evitado entrar em controvérsias políticas, ele classificou o próprio GP como um desastre completo.

Para Puente, o principal problema está no desenho do circuito. Na visão do ministro, o traçado praticamente impede as ultrapassagens.

“É como Mônaco 2, mas mais rápido. Um trem de carros do início ao fim, com mudanças baseadas apenas na estratégia”.

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Pilotos já alertavam para o problema

Curiosamente, as críticas não surgiram de surpresa. Antes do fim de semana, pilotos como Max Verstappen e Carlos Sainz já haviam alertado para as dificuldades de ultrapassagem.

Na ocasião, os dois destacaram as zonas de frenagem pouco convencionais do Madring. Por isso, eles previam que os pilotos teriam dificuldades para atacar os adversários durante a corrida.

Sainz tinha outro argumento importante. Como um dos embaixadores do evento, o espanhol já havia indicado que o circuito possui espaço suficiente para receber modificações. Agora, ele acredita que essas mudanças serão seriamente consideradas.

“O único problema que temos é que não há um ponto de ultrapassagem. Por isso, os pilotos, a FIA e o circuito vão tentar trabalhar juntos para encontrar um ponto de ultrapassagem no circuito”, afirmou o piloto da Williams e natural de Madrid.

“Em um mundo ideal, acho que deveríamos tentar encontrar algo na curva 5. Se não for lá, então deveríamos olhar para a curva 1. E se não for na curva 1, deveríamos olhar para a 13”.

Albon aposta em mudanças pequenas

Entretanto, Alex Albon apresentou uma avaliação mais otimista. O piloto acredita que o Madring não precisa de uma grande reformulação.

Segundo Albon, apenas duas ou três alterações poderiam resolver o problema. Ao mesmo tempo, ele destacou que gosta de pilotar no circuito.

“Seriam necessárias apenas duas ou três mudanças para resolver o problema. Não é um circuito ruim. É divertido de pilotar. Porém, como vimos, é bastante entediante na corrida”.

Dessa forma, Albon separa claramente a experiência dos pilotos daquela proporcionada aos espectadores. O circuito pode ser divertido ao volante e ainda assim oferecer poucas disputas durante a corrida.

Norris pede mudanças nas curvas 18 e 19

Lando Norris foi muito mais contundente. O piloto da McLaren terminou o GP frustrado depois de perder a vitória por causa do momento em que ocorreu o safety car virtual (VSC).

Norris havia conquistado a pole position no sábado. Mesmo assim, ele não poupou críticas ao desenho do Madring.

“Acho que existem algumas mudanças óbvias que eles deveriam fazer”, afirmou o piloto da McLaren. “Eles deveriam eliminar as curvas 18 e 19. Inúteis. Basta ter mais uma reta até um hairpin”.

Por fim, o britânico questionou a própria lógica utilizada no desenvolvimento do traçado.

“Não sei como alguém olha para esse projeto e pensa: ‘Perfeito'”.

Russell alerta para as limitações do circuito

George Russell pediu cautela ao discutir possíveis alterações. O piloto da Mercedes lembrou que o Madring possui características de um circuito semipermanente. Portanto, existem limitações físicas importantes ao redor da pista.

“Quando você realmente olha para o traçado, nem sempre há muito que possa fazer. É apertado, há uma ponte e existem muitas restrições”, explicou.

Russell também contestou uma solução aparentemente simples: consultar os pilotos antes de finalizar o desenho dos circuitos. Segundo o britânico, os próprios pilotos teriam dificuldades para participar desse processo de maneira consistente.

“Sim, mas somos todos bastante egoístas e ninguém realmente quer dedicar tempo a isso”, afirmou Russell. “Nossas agendas já estão cheias, então é difícil”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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