Vasseur: Ferrari não pode atender todos os pedidos de Hamilton

terça-feira, 1 de setembro de 2026 às 9:04

Frederic Vasseur e Lewis Hamilton

Frederic Vasseur explicou por que a Ferrari não conseguiu atender a todos os pedidos feitos por Lewis Hamilton para melhorar a equipe.

Segundo o chefe da Scuderia, as sugestões dos pilotos são importantes. No entanto, algumas delas não podem ser colocadas em prática.

No início deste ano, Hamilton afirmou que Vasseur havia “movido montanhas” para implementar mudanças solicitadas pelo heptacampeão antes da temporada 2026.

Na ocasião, o britânico buscava soluções depois de um difícil primeiro ano na Ferrari, marcado por problemas de performance.

Posteriormente, ficou claro que uma das solicitações envolvia o sistema de freios do carro. Hamilton pediu que a Ferrari utilizasse discos da Carbon Industrie em vez dos materiais da Brembo, tradicional parceira da equipe.

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Hamilton queria mudar os freios da Ferrari

Durante sua primeira temporada complicada em Maranello, a sensação nos freios foi uma das principais reclamações de Hamilton. Por isso, a partir do GP do Japão em março, o piloto passou a utilizar o material da Carbon Industrie.

Hamilton já conhecia esse sistema. Afinal, ele utilizou os discos da empresa durante seu período de maior sucesso na Mercedes.

Na equipe alemã, o britânico conquistou 84 vitórias e venceu seis de seus sete títulos mundiais durante uma passagem de 12 temporadas.

Pouco depois, Charles Leclerc também adotou a configuração de freios utilizada por Hamilton. Nesse caso, a mudança aconteceu após corridas difíceis no Canadá e em Mônaco.

Ainda assim, Vasseur ressaltou que nem todos os pedidos dos pilotos podem ser atendidos. Isso vale para Hamilton, Leclerc e qualquer outro integrante da Ferrari.

“Sim, mas nós não fizemos tudo o que ele queria”, respondeu Vasseur à Autosport ao ser questionado se havia conseguido seguir todas as solicitações feitas por Hamilton.

“Mas sugestões são sempre bem-vindas. Isso vale para Lewis, Charles e todos os pilotos. Depois de cada evento, eles chegam com uma lista de coisas que gostariam de melhorar”.

Entretanto, nem todos esses pontos podem avançar.

“Nessa lista, alguns estão fora do escopo porque você não pode fazer isso pela equipe. Eles conseguem entender rapidamente que, do ponto de vista da equipe, isso não faz sentido por causa do teto de custos ou seja lá qual for a razão”.

Vasseur também destacou que os pilotos nem sempre conhecem todos os detalhes envolvidos em uma decisão.

“Às vezes, eles não têm a visão completa da situação. Ainda assim, é bom para mim entender onde eles sentem que somos fracos”.

“Às vezes, com a contribuição deles, você entende alguma coisa porque estava focado na visão da equipe. Então, percebe que, para os pilotos, a situação é um pouco diferente”.

Hamilton trouxe uma nova perspectiva

Vasseur também avaliou o impacto da chegada de Hamilton à Ferrari. Afinal, o britânico levou para Maranello uma enorme experiência acumulada durante seus anos de sucesso na Mercedes.

Para o francês, essa mudança de ambiente é positiva. Mais precisamente, ele considera importante “sacudir o sistema”.

“É bom sacudir um pouco o sistema”, afirmou Vasseur. “Se você fica na sua bolha durante toda a vida, com as mesmas pessoas, em algum momento terá dificuldades para melhorar”.

“Isso é verdade para os pilotos e também para os engenheiros quando contrata pessoas de outras equipes. Uma das principais qualidades dos pilotos é conseguir contribuir para o desenvolvimento da equipe”.

Ainda assim, Vasseur aponta um cenário que considera negativo.

“O pior caso é quando você começa uma discussão e tem a sensação de que o outro está tentando encontrar uma desculpa. Porém, quando existe um bom relacionamento, nunca é uma desculpa”.

Por isso, o francês entende que Ferrari e Hamilton construíram uma relação positiva. Dessa forma, ambos podem discutir problemas sem transformar as divergências em conflitos.

“Acho que temos essa atitude positiva de ajudar uns aos outros e entender que o outro pode ter uma visão diferente”.

Por fim, Vasseur reconheceu que também pode estar errado. Consequentemente, ele considera a colaboração essencial para que a Ferrari avance.

“Eu nem sempre estou certo e nem sempre estou errado. É apenas por meio da colaboração, da discussão e da troca de ideias que vamos melhorar”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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