Ídolos do Colunista #1

Indy 500 – 1994

Por: Bruno Aleixo

Seguinte pessoal: chega de Corona News. A partir dessa semana, tanto aqui nesta coluna, quando no Loucos por Automobilismo, vou tentar trazer assuntos novos pra gente conversar. De notícia ruim já estamos cheios. Porém, sempre reforçando que quanto mais você conseguir ficar em casa, mais rápido esse inferno passa logo, ok?

Na série “Ídolos do Colunista” vou apresentar para vocês quem são aqueles sujeitos que me fizeram gostar de assistir corridas. Não necessariamente são campeões, ou unanimidades no mundo da velocidade. Mas são caras que, de alguma maneira, tiveram a minha torcida e me faziam ligar a TV para vê-los correr.

Para inaugurar essa série, não poderia deixar de trazer o principal deles. Aquele que escolhi para ornamentar minha indumentária de piloto, já que fiz meu capacete em homenagem a ele: Al Unser Jr..

Experimente pegar uma corrida antiga da Indy (tem várias no Youtube, já falei para vocês do Blog da Indy, não falei?), especialmente da década de 90. Antes da largada veja a classificação e constate que Al Unser Jr, provavelmente, terá feito o 18º ou 19º tempo.

Pois eu aposto o dinheiro que for que, em 10 voltas ele estará entre os 10 primeiros. Mais alguns giros, talvez 15 ou 20, o Little Al já passará entre os cinco. E muito provavelmente, após a primeira rodada de pit-stops, estará pressionando os líderes. Na bandeirada, se não vencer a prova, vai estar no pódio.

Quem é fã da Indy desta época, uma era de ouro do automobilismo, se acostumou ao estilo deste bi-campeão da categoria, correndo pela Penske e pela Galles. Venceu duas vezes as 500 milhas, uma em 92, chegando poucos centímetros à frente de Scott Goodyear, numa disputa memorável. A outra em 94, herdando a vitória depois que Emerson Fittipaldi estampou o muro, a 20 voltas do fim.

Aliás, o biênio 1994/95 revela as temporadas ideais para admirar o estilo do americano de Albuquerque, então com 31 anos de idade, no auge da forma. Em 94 a Penske fez um carro espetacular, empurrado pelo motor Ilmor, que seria o embrião dos Mercedes-Benz, a serem usados nos anos seguintes. Dividindo o time com o já veteraníssimo Emerson Fittipaldi e com o maluco do Paul Tracy, Little Al deixou os parceiros comendo poeira, aproveitando-se totalmente do conjunto entregue pela equipe. Foi nesse ano que ele venceu as 500 milhas pela segunda e última vez.

Sobre essa aliás, tenho uma convicção, que pode ser de fã, mas não abro mão. Emerson liderava com tanta folga que chegou para dar uma volta sobre Al Unser, na parte final. O americano, então, acelerou e não deixou o adversário passar, ficando a frente dele por algumas voltas. E, numa dessas, Emerson acabou perdendo o controle e batendo. Para mim, Al Unser fez de propósito, andando a frente de Emerson de modo a jogá-lo na turbulência de seu carro, já que a prova estava perdida. Mas nunca vamos saber a verdade.

Emerson no muro em Indianapolis/94. Pra mim, malandragem pura de Al Unser Jr.
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Mas foi em 1995 que Al Unser Jr. precisou mostrar o que sabia. O carro piorou em relação ao da temporada anterior, assim como o motor. Com Emerson já em fim de carreira, Al Unser teve que usar toda a sua capacidade para desafiar o jovem Jacques Villeneuve pelo título daquele ano. E como fez isso. Levou a decisão até a última corrida, com vitórias espetaculares em Portland (com um drible sensacional em Villeneuve) e Mid-Ohio (saindo lá de trás no grid, em uma estratégia fabulosa).

Al Unser Jr. largou as pistas em 2007, lutando contra o alcoolismo. Várias lendas correm em torno dos problemas do piloto com as bebidas. Jornalistas que cobriram o GP do Brasil, em 96, dizem ter visto o piloto enxugando garrafas de Jack Daniel’s durante os treinos, debaixo do sol de 40 graus do Rio de Janeiro. Em 2019, foi detido novamente por dirigir embriagado.

Mas pouco importa. Enquanto conseguiu pilotar em alto nível, Al Unser protagonizou diversos duelos incríveis na pista, demonstrando regularidade e agressividade na medida. Para mim, o melhor piloto de Fórmula Indy da história e, sem dúvida, um dos melhores do automobilismo.

Drible espetacular em Villeneuve, em Portland: Experiência e categoria.
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Bruno Aleixo
São Paulo – SP

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