As histórias mais curiosas antes do GP de Mônaco de 2026

quinta-feira, 4 de junho de 2026 às 18:56

Paddock de Mônaco 2026

O GP de Mônaco de 2026 já começou a produzir histórias curiosas dentro e fora da pista. Como sempre, o Principado apresenta desafios únicos de pilotagem. No entanto, as novas regras da Fórmula 1 para esta temporada também criaram situações técnicas incomuns para equipes e pilotos.

De problemas de câmbio na Aston Martin a questões envolvendo baterias, motores e contratos, o primeiro dia de atividades em Monte Carlo trouxe uma série de assuntos que chamaram a atenção no paddock.

Alonso teme que a Aston Martin nem consiga correr

Fernando Alonso revelou uma preocupação séria da Aston Martin para o GP de Mônaco de 2026.

Segundo o espanhol, uma repetição do problema de redução de marcha enfrentado recentemente pode até impedir a equipe de participar da corrida.

“Se tivermos o problema de redução de marcha como tivemos em Miami, provavelmente não poderemos nem correr, porque vamos bater em um dos pontos de frenagem devido às reduções de marcha aleatórias”, afirmou Alonso.

O bicampeão mundial explicou que os pilotos se tornam praticamente passageiros quando o problema acontece. Nessa situação, o carro gera um efeito semelhante ao de aceleração máxima.

Ele não escondeu sua preocupação.

“Mônaco não é lugar para reduções de marcha aleatórias. Senão você vai bater no muro, e o piloto vai parecer um idiota.”

A Aston Martin enfrenta ainda outra dificuldade específica do circuito.

Lance Stroll revelou que o carro perde a sincronização das marchas sempre que a velocidade cai para aproximadamente 40 km/h.

A situação preocupa porque a Curva Loews, atualmente chamada Fairmont Hairpin, continua sendo a mais lenta do calendário.

“Toda vez que passamos pela Curva Loews, perdemos completamente a sincronização das marchas”, disse Stroll.

Considerando a proximidade dos muros em Monte Carlo, qualquer falha desse tipo pode ter consequências imediatas.

Leclerc explica por que renovou com a Ferrari

Charles Leclerc também foi um dos protagonistas do dia após a Ferrari anunciar oficialmente sua renovação contratual.

O monegasco afirmou que dois fatores pesaram em sua decisão.

“Porque amo esta equipe e porque acredito no projeto.”

A confiança em Fred Vasseur foi apontada como um dos principais motivos.

Segundo Leclerc, o chefe dos Vermelhos é a pessoa certa para devolver a Ferrari ao topo da Fórmula 1.

“Com Fred, temos um ótimo relacionamento e acredito firmemente que ele é a pessoa capaz de levar a Ferrari de volta ao topo.”

Além disso, Leclerc destacou sua ligação histórica com a Ferrari.

O piloto lembrou que a Scuderia foi uma das primeiras equipes a acreditar em seu potencial e a ajudá-lo em sua trajetória até a Fórmula 1.

Mesmo assim, ele indicou que questões relacionadas ao sucesso esportivo fizeram parte das negociações.

Questionado sobre possíveis cláusulas ligadas ao desempenho da equipe, Leclerc preferiu não revelar detalhes.

“Não posso entrar em muitos detalhes sobre o contrato, então não posso comentar. Mas certamente, isso fez parte das discussões.”

O piloto também admitiu que outras possibilidades existiam(?), embora não tenha revelado quais eram.

Hamilton acredita ter encontrado seu “Bono italiano”

A adaptação de Lewis Hamilton à Ferrari parece cada vez mais consolidada.

Depois de uma temporada de estreia difícil em 2025, o heptacampeão mundial vive uma situação muito diferente em 2026.

Parte da melhora se deve ao fim dos carros de efeito solo Venturi extremamente rígidos, que ele criticava constantemente. Porém, Hamilton acredita que houve avanços importantes nos bastidores da equipe.

Recentemente, ele voltou a adotar um hábito antigo. O britânico decidiu reduzir drasticamente o uso do simulador, algo que já havia feito durante grande parte de sua carreira.

Além disso, Hamilton afirmou ter contribuído para o desenvolvimento de uma nova suspensão da Ferrari.

No entanto, a mudança mais importante parece estar na área de engenharia.

A temporada passada foi marcada por vários problemas de comunicação entre Hamilton e Riccardo Adami. Apesar do bom trabalho realizado anteriormente com Carlos Sainz, a parceria não encontrou a sintonia necessária.

Um dos episódios mais estranhos aconteceu justamente em Mônaco. Na ocasião, Hamilton terminou distante dos líderes e recebeu apenas silêncio pelo rádio na volta de desaceleração.

Após uma reorganização interna da Ferrari, a situação mudou completamente.

Hoje, Hamilton trabalha ao lado de Carlo Santi e não esconde sua satisfação.

“Sinto que o Carlo é como o meu Bono italiano.”

A referência é a Peter Bonnington, o famoso engenheiro da Mercedes que acompanhou Hamilton em seis de seus sete títulos mundiais e atualmente também trabalha muito bem com Kimi Antonelli.

Hamilton elogiou a experiência do novo parceiro.

“Ele é um veterano do crime. É um cara mais velho, que já viu de tudo.”

O britânico acredita que os resultados já começam a aparecer.

“A estrutura de engenharia está milhões de vezes melhor do que no ano passado. Estou começando a ver os frutos disso ao dirigir o carro.”

Alpine tenta entender os problemas de Gasly

Enquanto isso, a Alpine continua investigando os problemas enfrentados por Pierre Gasly nas últimas corridas.

O francês relatou uma perda repentina de equilíbrio no carro e acredita que alguns componentes não estão funcionando corretamente.

“Podemos ver claramente coisas no meu lado da garagem que não estão funcionando como deveriam.”

Segundo Gasly, existem várias áreas que precisam de testes durante o fim de semana.

A Alpine, porém, interpreta a situação de forma um pouco diferente.

A equipe afirma ter realizado uma investigação completa e identificado apenas pequenas diferenças em alguns componentes.

Por isso, alguns itens voltaram à configuração utilizada antes da pausa de abril.

Os engenheiros esperam que as alterações produzam um efeito maior do que os dados indicam.

Ainda assim, existe a possibilidade de Gasly estar sendo afetado por mudanças mínimas na sensação do carro.

Curiosamente, a situação parece ser oposta à de Franco Colapinto.

O argentino recebeu um chassi ligeiramente mais leve e algumas mudanças em componentes nas últimas etapas.

Contudo, a Alpine acredita que essas alterações não explicam totalmente a melhora de desempenho apresentada recentemente.

Para a equipe, a sensação de maior conexão com o carro pode ter contribuído tanto quanto as mudanças técnicas.

Sainz admite que começou a perder a fé na Williams

Carlos Sainz fez uma das declarações mais sinceras do paddock.

O espanhol admitiu que a Williams colocou sua confiança à prova no início da temporada.

“Testaram minha fé? Com certeza.”

O piloto explicou que o contraste entre o fim de 2025 e o início de 2026 foi enorme.

“Quando você passa de conquistar pódios no final do ano passado para, de repente, estar dois segundos e meio atrás do ritmo do início do ano, dois segundos representam um grande teste de fé ou um grande choque para o sistema.”

Sainz revelou que foi direto ao ponto com James Vowles e a direção da equipe.

“E eu fui o primeiro a dizer a James e à direção que isso não era esperado.”

Curiosamente, o espanhol suavizou o tom logo depois.

Ele passou a destacar que o choque serviu para fazer a Williams agir em áreas que talvez nem soubesse que precisavam de atenção.

Essa mudança coincidiu com uma brincadeira do assessor de imprensa da equipe, que lembrou a Sainz que James Vowles estava por perto naquele momento.

Mesmo assim, ficou evidente que o espanhol ainda tenta equilibrar paciência e expectativa.

Sainz acredita no projeto, mas também quer ver resultados concretos o mais rápido possível.

Excesso de energia pode virar problema em Mônaco

Pela primeira vez em 2026, as equipes estão discutindo um problema pouco comum.

Há energia demais disponível.

O traçado de Monte Carlo facilita muito o carregamento das baterias. Além disso, o novo limite de potência imposto para controlar as velocidades máximas reduz o consumo energético normal.

No papel, isso parece uma vantagem.

Na prática, pode criar dificuldades.

A pista de baixa velocidade dificulta a manutenção da pressão ideal dos turbocompressores durante a saída das curvas.

Nesse cenário, os motores Ferrari podem levar vantagem.

As turbinas menores utilizadas pelos Vermelhos atingem a rotação necessária mais rapidamente do que as de alguns concorrentes.

Quando ocorre atraso na resposta do turbo, normalmente as equipes utilizam a potência do MGU-K para compensar.

O problema é que não é possível continuar carregando uma bateria que já está totalmente carregada.

Em Mônaco, existe a possibilidade real de os carros chegarem à curva Portier com 100% de carga disponível.

As equipes equipadas com motores Mercedes parecem especialmente preocupadas com essa situação.

Por isso, já estudam maneiras de gastar energia em alguns trechos específicos para evitar problemas de desempenho nas poucas retas existentes no circuito.

Quero ser VIP
 

Haas entende melhor as limitações do carro

A Haas chega a Mônaco mais otimista após compreender melhor os problemas enfrentados no Canadá.

Ollie Bearman revelou que a equipe chegou a acreditar que o novo pacote aerodinâmico era mais lento que a configuração anterior.

Posteriormente, os engenheiros descobriram que outra peça do carro não estava funcionando corretamente.

O contratempo comprometeu o trabalho durante grande parte do fim de semana.

Somente na classificação principal Bearman encontrou um acerto mais adequado para extrair desempenho do carro.

Mesmo assim, o piloto enfrentou dificuldades com as características de dirigibilidade resultantes.

A Haas acredita que os problemas observados em Miami já serviam como um alerta.

No Canadá, porém, as exigências específicas do circuito tornaram mais visíveis algumas limitações do carro.

Entre elas estão a instabilidade na entrada das curvas e a tendência de sair de frente no meio delas.

Agora, a equipe acredita que terá um desempenho melhor em Monte Carlo.

Ao mesmo tempo, iniciou um plano de desenvolvimento de médio e longo prazo para atacar essas fraquezas de forma definitiva.

Assim, enquanto o GP de Mônaco de 2026 se aproxima, o paddock segue repleto de histórias curiosas, dúvidas técnicas e expectativas que podem influenciar diretamente os rumos do restante da temporada.

AS - www.autoracing.com.br

Tags
, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.