Cláusula contratual pode atrasar Horner na Alpine

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 às 9:10

Christian Horner

Um possível retorno de Christian Horner ao paddock da Fórmula 1 pode levar mais tempo do que o inicialmente esperado.

Isso porque documentos corporativos da Alpine obtidos pelo planetf1.com revelam uma cláusula que impõe limites claros a qualquer tentativa de aquisição de participação na equipe francesa.

Atualmente afastado desde o GP da Inglaterra do ano passado, o ex-chefe da Red Bull estará livre para voltar a trabalhar na F1 nas próximas semanas. No entanto, embora o cenário pareça favorável à primeira vista, o processo envolve obstáculos relevantes.

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Documento da Alpine define possível cronograma

Horner é sem dúvida um dos dirigentes mais vitoriosos da história da F1. Ao longo de duas décadas na Red Bull, ele acumulou oito títulos de pilotos e seis campeonatos de construtores.

Desde que deixou a equipe logo após o GP britânico, o britânico manteve perfil discreto. Ainda assim, nos bastidores, o interesse em retornar ao paddock segue evidente. Porém, esse retorno dificilmente ocorreria no mesmo papel anterior.

Além disso, tudo indica que Horner busca uma posição ainda mais elevada. Mais importante ainda, ele considera essencial ter participação acionária na equipe que venha a liderar, mesmo que apenas parcial.

Diante desse critério, duas opções se destacam com clareza: Alpine e Aston Martin.

Aston Martin oferece caminho mais direto

Entre as alternativas disponíveis, a Aston Martin aparenta proporcionar o trajeto mais rápido rumo a um projeto vencedor. Afinal, a equipe investiu pesado em infraestrutura, construiu um túnel de vento de última geração e reforçou seu quadro técnico recentemente.

Nesse contexto, o principal nome é Adrian Newey. Antigo colega de Horner, o projetista aceitou o desafio após receber a promessa de participação acionária na equipe, que agora atua como operação oficial da Honda.

Assim, os ingredientes parecem reunidos. Porém, falta alguém capaz de integrar todas as peças com eficiência. Além disso, Lawrence Stroll já demonstrou disposição para negociar uma participação. Contudo, permanece a dúvida se esse desafio realmente atrai Horner neste momento.

Alpine vive fase estratégica de reestruturação

Por outro lado, a Alpine surge como uma alternativa diferente, porém igualmente relevante. Publicamente, a equipe reforça que não está à venda. Inclusive, a Renault já recusou propostas superiores a US$ 1 bilhão.

Mesmo assim, a Alpine atravessa um período de desempenho abaixo do esperado. Justamente por isso, o momento pode ser ideal para uma transformação estrutural, semelhante àquela promovida por Stroll na Aston Martin.

Naturalmente, esse tipo de mudança não ocorre rapidamente. Ainda assim, ao longo do tempo, ela pode fortalecer a competitividade da equipe e ao mesmo tempo elevar consideravelmente seu valor de mercado.

Portanto, adquirir uma participação agora, quando o ativo se encontra em baixa, faz sentido estratégico.

Cláusula limita venda da participação da Otro Capital

Enquanto isso, rumores sobre uma aproximação entre Horner e a Alpine ganharam força após informações de que a Otro Capital, investidora minoritária, estaria disposta a vender sua fatia.

O consórcio adquiriu 24% da equipe em meados de 2023. Na ocasião, o investimento foi de €200 milhões, avaliando a Alpine em cerca de US$ 900 milhões.

Posteriormente, em novembro de 2025, a Forbes estimou o valor da equipe em aproximadamente US$ 2,45 bilhões. Com isso, a participação da Otro passaria a valer cerca de US$ 588 milhões, representando um retorno de 170% em pouco mais de dois anos.

Apesar disso, os documentos obtidos revelam um entrave decisivo. Segundo o estatuto, a venda da participação para terceiros só pode ocorrer três anos após a adoção dos artigos, datados de 13 de setembro de 2023.

Além disso, qualquer negociação depende obrigatoriamente da aprovação da Renault.

Em termos práticos, Horner não pode adquirir diretamente a fatia da Otro antes de meados de setembro. Mesmo depois disso, o Grupo Renault ainda precisaria autorizar formalmente a operação.

Negociação segue possível, mas com mais obstáculos

Isso não significa que o caminho de Horner até Enstone esteja totalmente bloqueado. No entanto, o cenário expõe uma camada adicional de complexidade em um processo que inicialmente parecia simples.

Ao mesmo tempo, esse contexto ajuda a explicar por que a urgência pelo retorno ao paddock diminuiu nos últimos meses. Afinal, tudo depende não apenas do interesse de Horner, mas também da decisão da Otro e da anuência da Renault.

Além disso, existe a possibilidade da própria Renault recomprar a participação minoritária. Caso isso ocorra, a porta para uma entrada de Horner se fecharia de forma definitiva.

Por fim, mesmo que o negócio avance, é pouco provável que o ex-chefe da Red Bull apareça em Enstone como acionista antes do GP do Azerbaijão. Ainda assim, nada garante que essa será sua escolha final, já que outras opções seguem em análise.

 

LS - www.autoracing.com.br

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