Fórmula 1 concorda com mudança na unidade de potência

quarta-feira, 10 de junho de 2026 às 17:49

Unidade de potência F1 2026

A mudança na unidade de potência da Fórmula 1 foi oficialmente aprovada após semanas de negociações entre FIA, fabricantes e demais envolvidos na categoria.

Os pilotos e uma grande parte dos fãs criticaram a divisão quase igualitária entre motor de combustão interna e sistema elétrico introduzida nesta temporada. Além disso, muitos apontaram que a necessidade excessiva de gerenciamento de energia prejudicou principalmente os treinos de classificação.

Por isso, os fabricantes concordaram em alterar gradualmente a proporção atual. O objetivo é chegar a uma divisão de 60% para o motor de combustão interna e 40% para a parte elétrica até 2028.

O acordo surgiu após um mês de negociações intensas. Durante esse período, Ferrari e Audi lideraram a pressão para impedir que a categoria implementasse a mudança para 60/40 de uma única vez já em 2027.

A FIA confirmou o acordo em um comunicado oficial.

“As alterações propostas visam solucionar problemas relacionados à gestão de energia e às características do fluxo de energia do combustível, tornando a classificação mais competitiva, sem afetar as corridas emocionantes e positivas geradas pelo novo regulamento.”

Como será a mudança na unidade de potência

O plano aprovado prevê uma transição em duas etapas.

Em 2027, a divisão passará para 58% de potência proveniente do motor de combustão interna e 42% da parte elétrica.

Já em 2028, a Fórmula 1 adotará a proporção definitiva de 60% para o ICE e 40% para o sistema elétrico.

Para atingir esse objetivo, os fabricantes aumentarão o fluxo de combustível destinado ao motor de combustão interna em 5% durante 2027 e em 13% a partir de 2028.

Com isso, a potência do ICE crescerá significativamente.

Atualmente, o motor de combustão gera cerca de 400 kW, equivalentes a 536 cv.

Em 2027, esse número subirá para 420 kW, ou aproximadamente 563 cv.

Posteriormente, em 2028, a potência alcançará 450 kW, equivalentes a 603 cv.

Ao mesmo tempo, a categoria reduzirá a participação da parte elétrica.

A potência elétrica cairá dos atuais 350 kW, cerca de 470 cv, para 300 kW, aproximadamente 402 cv, a partir da próxima temporada.

Por outro lado, a potência máxima disponível no modo de ultrapassagem permanecerá inalterada em 350 kW.

Esse sistema permite ao piloto que esteja a menos de um segundo do carro à frente recuperar e utilizar 0,5 MJ adicionais de energia por volta.

Recuperação de energia também mudará

Além da redistribuição da potência, a Fórmula 1 aprovou mudanças importantes no sistema de recuperação de energia.

A potência máxima de recuperação aumentará dos atuais 350 kW para 375 kW em 2027.

Em seguida, ela subirá novamente para 400 kW em 2028.

Na prática, essa alteração permitirá que as equipes recuperem energia de forma mais rápida.

Consequentemente, os pilotos passarão menos tempo tentando recarregar as baterias durante uma volta.

Essa questão gerou uma das maiores críticas aos carros de 2026.

Em muitas pistas, os pilotos encontravam dificuldades para recuperar energia suficiente a cada volta e atingir o limite máximo permitido pelo regulamento.

Nas primeiras corridas da temporada, isso provocou situações incomuns.

Muitos pilotos optaram por fazer lift and coast durante voltas de classificação.

A maioria deles recuperava energia mesmo com o acelerador totalmente pressionado, prática que ficou conhecida como superclipping.

Como resultado, as voltas de classificação perderam parte de sua característica tradicional de acelerar a fundo durante praticamente todo o traçado.

A situação provocou críticas duras de diversos pilotos.

Primeiras mudanças já mostraram resultados

A FIA já havia dado um primeiro passo após as três primeiras corridas da temporada.

Na ocasião, a entidade reduziu a quantidade máxima de energia recuperável por volta e aumentou a potência de recuperação durante fases de aceleração máxima.

Os pilotos aprovaram a mudança.

No entanto, todos concordaram que ela representava apenas um pequeno avanço na direção correta.

Agora, a categoria espera que as alterações aprovadas para 2027 e 2028 resolvam definitivamente o problema.

FIA define hierarquia dos motores

Além de aprovar as mudanças técnicas, a FIA também informou as fabricantes sobre a atual hierarquia de desempenho dos motores.

Essa avaliação possui grande importância porque permite que fabricantes com desempenho inferior ao motor de referência recebam autorização para desenvolver atualizações adicionais.

As regras atuais permitem atualizações para fabricantes que apresentem uma diferença superior a 2% em relação ao melhor motor.

Embora a FIA ainda não tenha divulgado oficialmente seu veredito, diversas fontes afirmam que a Red Bull possui atualmente o motor de combustão interna mais potente da Fórmula 1.

A análise considera exclusivamente a potência do ICE.

Vale destacar que essa metodologia não partiu da FIA. As próprias equipes defenderam que a avaliação considerasse apenas a potência do motor de combustão interna.

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Mercedes, Ferrari, Audi e Honda recebem benefícios

Segundo as informações disponíveis, a Mercedes recebeu autorização para realizar uma atualização nesta temporada e outra em 2027.

Já Ferrari, Audi e Honda poderão utilizar duas atualizações em 2026 e mais duas no próximo ano.

Além disso, essas fabricantes receberão verbas extras dentro do teto orçamentário destinado aos motores.

O valor varia conforme a diferença de desempenho identificada pela FIA.

A Honda apareceu na última posição da classificação, como muitos já esperavam.

Uma fonte próxima à FIA afirmou que a fabricante japonesa ficou entre 8% e 10% abaixo do motor mais potente.

Por isso, a Honda perdeu o acesso à faixa máxima de benefícios criada pela FIA.

Essa categoria especial contempla apenas fabricantes com desempenho mais de 10% inferior ao padrão de referência.

Caso tivesse atingido esse limite, a Honda poderia receber até US$ 19 milhões adicionais para acelerar o desenvolvimento de sua unidade de potência.

AS - www.autoracing.com.br

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