FIA pressiona por V8 e entra em choque com a Audi na F1

domingo, 14 de junho de 2026 às 8:30

Audi

A próxima grande disputa técnica da Fórmula 1 já começou nos bastidores. Enquanto a FIA trabalha para recuperar os motores V8 na categoria, a Audi mantém sua defesa pelos propulsores turbo para o futuro regulamento da categoria.

O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, revelou durante a participação nas 24 Horas de Le Mans que trabalha por uma fórmula de motores mais simples, leve e barata para substituir as regras de 2026, que receberam críticas de diferentes setores da Fórmula 1.

FIA quer motores V8 com sistema híbrido mais simples

Segundo Ben Sulayem, a decisão pelo retorno dos V8 já está encaminhada e faz parte do planejamento para os próximos anos da categoria.

“O V8 é uma decisão tomada. A decisão foi feita”, afirmou o presidente da FIA a veículos de imprensa, incluindo a Auto Hebdo.

“Um V8 é sustentável. Quando falamos de pesquisa e desenvolvimento, estamos falando de mais de 200 milhões de euros. A Red Bull investiu mais de 1,3 bilhão no motor atual. Isso é absurdo.”

Além disso, o dirigente explicou que a nova geração de motores ainda teria um componente híbrido, porém com uma proposta muito mais simples.

“Haverá um híbrido, mas será leve e simples.”

A Fórmula 1 já começou a direcionar o equilíbrio dos motores novamente para o propulsor de combustão. De acordo com Ben Sulayem, os carros dos próximos regulamentos podem chegar a pesar apenas 630 kg a partir de 2030 ou 2031.

“Com um V8, 10% de hibridização e combustível sustentável, alcançamos 760 cavalos de potência na versão básica, cerca de 880 com o híbrido. Sem turbo. Um turbo adiciona peso e custo”, explicou.

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Audi mantém defesa dos motores turbo

Apesar da posição da FIA, a Audi segue em direção oposta. A fabricante alemã continua defendendo o uso de motores turbo por considerar que a tecnologia está alinhada com seus objetivos de eficiência.

Segundo informações da Auto Motor und Sport, a marca pretende manter o conceito turbo nos próximos regulamentos da Fórmula 1.

“Muitas pessoas dizem que precisamos de um turbo. Mas então temos peso extra novamente”, afirmou Ben Sulayem.

“Se você instala um turbo, precisa de uma válvula de alívio, intercooler, mangueiras… tudo isso adiciona peso. E custa dinheiro.”

A diferença de visão coloca o presidente da FIA diretamente em conflito com a estratégia da Audi. Durante o GP de Mônaco, o CEO da fabricante, Gernot Dollner, reforçou que a empresa prefere o uso do turbo.

“Preferimos o turbo porque é mais eficiente”, declarou Dollner.

“Para a Audi, o aspecto mais importante é manter o conceito de sustentabilidade e garantir que a eficiência energética continue sendo um pilar fundamental dos regulamentos da F1.”

A Audi também teria interesse em uma configuração biturbo semelhante ao sistema utilizado no novo supercarro Nuvolari da fabricante.

FIA busca redução de custos e apoio das fabricantes

Ben Sulayem destacou que a FIA continuará ouvindo as fabricantes de motores, mas deixou claro que a prioridade da entidade é reduzir a complexidade das unidades de potência.

“É claro que é bom trocar ideias. A FIA escuta os desejos dos fabricantes de unidades de potência. Atualmente temos seis deles. Mas, se dependesse de nós, preferiríamos baixo peso, um projeto simples e menos tempo necessário para mudanças.”

O presidente da FIA gostaria que as novas regras fossem introduzidas já em 2030 com o acordo das fabricantes. No entanto, ele indicou que a entidade poderia impor sua visão a partir de 2031 caso não exista consenso.

Pilotos criticam caminho da F1 com os motores atuais

A discussão sobre o futuro dos motores também ganhou apoio entre os pilotos. Lance Stroll, da Aston Martin, criticou o caminho adotado para 2026 e defendeu um retorno aos V8.

“Deveríamos voltar aos V8 no próximo ano, se você me perguntar, mas entendo que tudo está se movendo muito devagar”, disse Stroll.

“Qualquer pessoa que entende de carros teria dito que esses carros são horríveis de pilotar.”

“Era esperado. Tudo que adiciona peso, como a bateria, a regeneração e a forma como você precisa pilotar usando a energia da bateria, não deveria ser assim.”

Fernando Alonso foi ainda mais além e afirmou que gostaria de eliminar completamente o sistema elétrico dos motores da Fórmula 1.

“Eu gostaria de eliminar totalmente o componente elétrico”, declarou o piloto espanhol.

“A parte elétrica tem pouco valor agregado para a competição. Já existe uma categoria totalmente elétrica na Fórmula E, e lá eles realmente levam essa tecnologia ao limite.”

“Esses carros são potentes e oferecem muito espetáculo. Para a Fórmula 1, não há necessidade de seguir pelo mesmo caminho.”

EB - www.autoracing.com.br

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