FIA admite desafio extremo nos motores de 2026

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 9:21

Nikolas Tombazis

A FIA admite que caminhou em uma “corda bamba extremamente apertada” ao definir o regulamento de motores para 2026.

Segundo Nikolas Tombazis, diretor técnico de monopostos, o desafio envolve equilibrar interesses esportivos, industriais e políticos ao mesmo tempo.

Por um lado, a federação precisa preservar o espetáculo. Por outro, deve garantir que as montadoras continuem interessadas no projeto. Assim, cada decisão técnica carrega peso estratégico.

A partir de 2026, as unidades de potência da Fórmula 1 terão divisão de potência de 50-50 entre o motor a combustão interna (ICE) e o sistema elétrico reforçado. Além disso, as baterias passarão a entregar 350 kW.

Em contraste, em 2025 a proporção era 80-20 a favor do ICE. Portanto, o novo cenário impõe exigência muito maior de gerenciamento e recuperação de energia ao longo da volta. Consequentemente, a estratégia energética ganhará protagonismo direto na performance.

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Verstappen sobe o tom contra o regulamento

Durante os testes de pré-temporada no Bahrain, o tetracampeão Max Verstappen fez críticas contundentes. Primeiramente, classificou os novos motores como “anticorrida”. Em seguida, comparou o conceito a uma “Fórmula E com esteroides”.

Além disso, o piloto sugeriu que a decisão teve forte componente político. Na visão dele, o regulamento foi estruturado para atrair novos fabricantes ao grid.

De fato, a estratégia funcionou. A Audi confirmou um projeto de fábrica completo, incluindo UP própria. Ao mesmo tempo, a Honda retornou oficialmente como fornecedora da Aston Martin.

Paralelamente, a General Motors ingressou na categoria com a marca Cadillac como cliente da Ferrari. Posteriormente, a fabricante planeja introduzir motor próprio ainda dentro do atual ciclo regulatório.

Enquanto isso, a Red Bull também alterou sua estrutura. A equipe agora utiliza unidade desenvolvida internamente pela Red Bull Powertrains em parceria com a Ford.

Vale lembrar que a Ford retorna à F1 pela primeira vez desde a venda da antiga Jaguar antes da temporada 2005 – justamente para a Red Bull.

Equação complexa nos bastidores

De acordo com Tombazis, a FIA enfrentou uma equação “nada fácil de resolver”. Inicialmente, ele destacou que os pilotos são fundamentais para o espetáculo. Contudo, ressaltou que o campeonato depende fortemente das montadoras.

“Essa UP atrai grandes fabricantes como Mercedes, Audi, Ferrari, Cadillac e General Motors. Todos defenderam firmemente esses parâmetros”, afirmou.

Teoricamente, seria mais simples adotar um único motor padrão. Ainda assim, isso reduziria o componente tecnológico que diferencia a categoria. Por essa razão, a entidade optou por manter a diversidade de projetos.

Atualmente, cerca de 90% do regulamento já está consolidado. Entretanto, restam aproximadamente 10% de ajustes finos. Segundo o dirigente, a FIA está pronta para realizá-los, caso necessário.

Sob a perspectiva de quem pilota, a sensação pode ser diferente. Naturalmente, dentro do carro o competidor busca respostas mais diretas. Em contrapartida, a federação precisa considerar tendências globais e o contexto industrial que sustenta a categoria.

Portanto, trata-se de um equilíbrio delicado. A FIA deseja satisfazer os espectadores. Além disso, precisa atender às expectativas dos pilotos. Simultaneamente, deve assegurar retorno para investidores que aplicam centenas de milhões ou até bilhões no campeonato.

Encontrar esse ponto ideal exige concessões. Ainda assim, Tombazis reconhece o lado emocional da discussão. Como entusiasta de motores, ele admite que entende o argumento mais “raiz”. No entanto, reforça que a realidade moderna da F1 exige compromisso entre paixão e estratégia.

 

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