Ferrari minimiza impacto da pausa no desenvolvimento

quarta-feira, 22 de abril de 2026 às 9:12

Ferrari

A Ferrari tratou com cautela a ideia de que a pausa inesperada da Fórmula 1 em abril ofereça uma vantagem estratégica. Loic Serra, diretor técnico de chassi, reforçou que a abordagem da Scuderia segue totalmente inalterada.

Atualmente, a categoria atravessa um raro intervalo de cinco semanas. Isso aconteceu após o cancelamento das corridas no Bahrain e na Arábia Saudita devido a eventos no Oriente Médio. Como resultado, as equipes só retornam à pista no GP de Miami.

Por um lado, parte do paddock acredita em uma oportunidade para acelerar atualizações. Por outro, a Ferrari não identifica qualquer benefício real nesse cenário.

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Plano de desenvolvimento segue intacto

De acordo com Serra, um intervalo curto não tem força para alterar meses de engenharia. Em vez disso, o planejamento já considera ciclos longos e etapas bem definidas.

“Seu plano de desenvolvimento não acontece em uma semana ou um mês. É algo construído ao longo do tempo”, afirmou ao motorsport.com.

Além disso, ele destacou que a equipe definiu tudo com antecedência. Portanto, a ausência de uma ou duas corridas não interfere no cronograma.

“Planejamos isso há muito tempo. Assim, você simplesmente segue o plano. Consequentemente, não somos afetados por perder corridas”, explicou.

Nada de abordagem mais agressiva

Ao mesmo tempo, Serra descartou a ideia de usar a pausa para testes mais ousados. Em vez disso, ele enfatizou a importância da consistência.

“Não realmente. Você tem um plano, portanto segue esse plano. Não existe essa noção de ser mais agressivo ou experimental”, disse.

Ele reconheceu que o desenvolvimento envolve descobertas ao longo do caminho. No entanto, a ausência de corridas não altera o que a equipe encontra na fábrica.

“Você planeja o desenvolvimento, mas também reage ao que descobre. Mesmo assim, não correr não muda essas descobertas. Logo, isso não altera nossa abordagem”, completou.

Ferrari questiona estratégias rivais

Enquanto isso, algumas equipes preparam atualizações em sequência para as etapas da América do Norte, como Miami e Montreal. No entanto, Serra demonstrou ceticismo, principalmente por causa dos custos envolvidos.

“Se o desenvolvimento não é linear, então não vejo muito sentido nessa lógica. Afinal, os impactos financeiros são relevantes”, afirmou.

Além disso, ele fez uma distinção clara. Atualizações pequenas e incrementais fazem sentido. Por outro lado, grandes pacotes consecutivos levantam dúvidas.

“Se forem evoluções pequenas, eu entendo. Nesse caso, incrementos constantes fazem sentido. Porém, não necessariamente grandes pacotes”, analisou.

SF-26 mantém trajetória planejada

A Ferrari deve levar um pacote relevante para Miami. Ainda assim, isso já fazia parte de um plano traçado há bastante tempo, e não de uma reação à pausa.

Serra lembrou que o desenvolvimento do SF-26 começou no início de 2025. Desde então, a equipe trabalha por mais de um ano sem testar o carro real em pista.

“Você desenvolve o carro por muito tempo sem rodá-lo. Depois, quando chega aos testes de inverno, tudo ainda é novo”, explicou.

Por fim, ele relativizou o impacto da pausa no calendário. Segundo o engenheiro, perder duas corridas tem efeito mínimo no cenário geral.

“Quanto mais você anda, mais aprende. Isso vale para todos. Ainda assim, dizer que isso compromete o desenvolvimento? Eu não acredito”, concluiu.

Assim, na visão da Ferrari, o calendário pode até parar. Entretanto, o desenvolvimento segue ativo o tempo todo.

 

LS - www.autoracing.com.br

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