F1 – The Need for Speed

terça-feira, 31 de dezembro de 2013 às 12:07

Michael Schumacher

Os pilotos de Formula 1 são uma raça especial, caçadores de emoções intensamente competitivos, impulsionados por uma necessidade de velocidade e sede de adrenalina.

Michael Schumacher, em estado crítico no hospital com ferimentos na cabeça sofridos em um acidente de esqui nos Alpes franceses, não seria o sete vezes campeão do mundo sem essas qualidades.

O mundo da Formula 1 está torcendo para que a determinação e o espírito de luta tão comum no ex-campeão de 44 anos de idade, vença esta que é a maior batalha de todas as que já experimentou numa pista.

Deixar o paddock da F1 pode ser um desafio para os pilotos, muitos deles ainda relativamente jovens e acostumados a viver a vida no limite, e que devem buscar suas emoções em outro lugar.

Schumacher partiu para o motociclismo logo depois que se aposentou da Ferrari em 2006. Mas a procura pela emoção o levou à uma queda em 2009, que provocou uma lesão no pescoço.

Outros, como o australiano Mark Webber, machucou a perna ao montar uma mountain bike num evento de resistência na Tasmânia em 2010, e que provavelmente foi o gatilho para a perda do campeonato naquele ano, saiu da F1 e mudou para a Le Mans, onde correrá a partir de agora.

“Michael adora desafiar as pistas de corridas em superbikes e muitas vezes ele animadamente mostra suas incríveis fotos de para-quedismo em seu celular”, disse o ex-companheiro de equipe na Benetton Martin Brundle, agora comentarista de televisão.

“Ele está apenas um ano fora da F1 mas, como uma pessoa centrada e competitiva, não conseguiu simplesmente se desligar e se estabelecer no final de uma longa carreira. Você precisa de desafios e conquistas para manter a adrenalina fluindo. Não é incomum para pilotos que sobrevivem a grandes acidentes, em seguida, se ferirem em automóveis, aviões, motos, lanchas, ou, como ele, em esquis. A necessidade por máquinas e velocidade estará sempre lá, é inevitável”, acrescentou o Brundle.

Assim como muitos profissionais de esqui alpino tem um fascínio por carros e motos rápidas, pilotos de corrida são obcecados por esportes radicais.

“Parte do motivo dos ex-pilotos gostarem de esportes como esquiar é porque a agitação física começa a partir dos esquis, através dos seus pés e por todo o corpo e aumenta a adrenalina, é como você se tornasse um viciado”, disse o ex-piloto e vencedor John Watson. “Michael Schumacher elevou o nível da aptidão de piloto e do treinamento … e parte do prazer de ser um piloto de Grand Prix foi aumentar os limites que eram conhecidos naquele momento como a ‘aptidão de pilotos’, tanto física como mental”.

A Ferrari sempre costuma ter um encontro anual em janeiro, com os seus pilotos em Dolomitas, nos Alpes e Schumacher sempre impressionava com a sua habilidade no esqui.

O alemão estava de férias com sua família, esquiando fora da pista na estância de Méribel quando caiu e bateu a cabeça contra uma pedra. Ele estava usando um capacete e, no final das contas , esquiando bem dentro de suas capacidades. O acidente foi amplamente visto como uma fatalidade.

Nos GPs dos velhos tempos, quando a segurança era praticamente inexistente, quem conseguiu terminar vivo e se aposentar foram os sortudos. Mesmo assim, o destino pode ser especialmente cruel.

O britânico Mike Hawthorn se afastou do esporte em outubro de 1958 como o primeiro campeão mundial de seu país. Ele morreu meses depois, quando ele bateu com seu Jaguar esporte numa árvore.

Seu compatriota Mike Hailwood, um campeão em duas rodas e sempre candidato ao pódio na F1 na década de 1960 e início de 1970, morreu numa colisão de carro em 1981, ao sair de casa para comprar peixe e batatas fritas para jantar.

O piloto francês da Ferrari Didier Pironi morreu em 1987 durante uma corrida de lancha off-shore.

Mesmo alguns dos que ainda estão correndo acham que precisam de uma dose de adrenalina extra. Como o esporte ficou mais seguro, com a última fatalidade da F1 sendo o brasileiro Ayrton Senna em 1994, os perigos em outros lugares se tornaram mais atraentes.

O polonês Robert Kubica quase morreu, e, certamente, pôs fim a uma carreira na F1 que poderia tê-lo levado a Ferrari, quando ele bateu num rali de menor importância na Itália em 2011.

O campeão Kimi Raikkonen de 2007, da Ferrari, que também já correu com lanchas e carros de rali, machucou o pulso em 2011 num acidente de snowmobile.

IB - www.autoracing.com.br

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