F1 – O futuro de nossos pilotos

Colaboração: Antonio Carlos Homem de Mello Cesar

Vez ou outra, quando visito antigas recordações guardadas no arquivo remoto da memória, um jingle singelo aparece nítido e claro: “Roncam forte os motores, sem cessar, campeões vão correr nas Mil Milhas brasileiras”, era uma radio promovendo a mais tradicional prova do nosso automobilismo. De pronto surgem imagens da carreteira numero 18, um Ford 1940 com motor Corvette, cujo piloto ostentava a alcunha de Lobo do Canindé, dos carrinhos brancos da equipe Vemag, DKV 10 e 11 e seus motores dois tempos, mil cilindradas, encarando máquinas muito mais potentes, ou as Simcas vermelhas, lindas, oficiais de fábrica.

Fase romântica, de pilotos talentosos, tanto é que quatro deles chegaram a F1, Emerson e Wilson Fittipaldi, Luís Pereira Bueno, José Carlos Pace.

Assistir uma corrida, ao vivo, seja de Turismo, Stock, GT, até da categoria Classic, é mais legal que F1 pela TV, ali, próximo a pista, temos a perfeita definição de velocidade, o barulho furioso, mistura de odores, borracha, óleo, gás carbônico, a indescritível beleza dos carros de competição, coloridos, atarraxados ao solo e uma tremenda cara de mau.

Diversos eventos, como o campeonato paulista de automobilismo, acontecem no autódromo de Interlagos, por absoluta teimosia e abnegação de seus participantes, publico quase inexistente, nenhuma divulgação, total falta de estrutura para atender os espectadores, lanchonetes fechadas, péssima condição de banheiros. Fica evidente o descaso com organização, a fuga de patrocinadores pela não exposição adequada de suas marcas e assim, categorias de base, Formula, V ou super V, Renault, Ford, Chevrolet, F3 sul americana, acabaram sepultadas.

Nelson Piquet, antes de se aventurar na Europa, foi campeão brasileiro em 1976 da F. Super V; Rubens Barrichello fez primeiro uma temporada de F. Ford no Brasil; Felipe Massa F. Chevrolet; Helio Castro Neves (piloto da F. Indy), 1992 F. Vauxhall brasileira, 1993 F3 sul americana; Gil de Ferran (F. Indy), 1987 F. Ford; Christian Fittipaldi, F3 sul americana; Nelsinho Piquet, 2002 F3 sul americana; Lucas di Grassi, 2002 F. Renault, 2003 F3 sul americana. Isto para citar apenas os mais conhecidos, pois dos 31 brasileiros que já participaram da F1, Ayrton Senna foi a exceção, não atuando em nenhuma categoria regional.

Muito difícil para um garoto, sair do Brasil, tentar sucesso mundo a fora, com toda dificuldade financeira que isto acarreta, além da necessidade de adaptar-se a novos costumes, clima diferente, distância dos familiares, sem ter ao menos experimentado uma temporada em categoria semelhante no Brasil, sem poder avaliar sua própria competência, sem levar nenhuma experiência, apenas as vitórias no kart. Provavelmente 90% desistem de tal empreitada.

Piloto tupiniquim na F1, só pertencendo ao clã Fittipaldi ou Piquet, graças ao prestigio de seus patriarcas, a grande forja de talentos emperrou e está colocada à venda, querem privatizar Interlagos, duvido um grupo assumir aquela imensidão, cerca de um milhão de metros quadrados, incluindo o Kartódromo, direcionarem investimentos, lucrar, promovendo esportes a motor.

Antonio Carlos Homem de Mello Cesar
São Paulo – SP

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