F1 – Meu calendário e corridas de 2020

GP do Brasil de 2019 de Formula 1

Por Adauto Silva

Com a temporada de 2020 absolutamente comprometida devido à pandemia mundial do maldito coronavírus, é hora da Formula 1 se reinventar em alguns aspectos e fazer experiências em outros.

É de crises profundas assim que surgem oportunidades que alguns enxergam. E como a cúpula da F1 e das equipes é formada por gente de altíssimo nível, chegou a hora de eles mostrarem isso, colocar em prática toda a experiência, sabedoria e raciocínio lógico acima da média que eles certamente têm em relação a pessoas comuns.

É lógico que é muito difícil prever como o COVID-19 vai se comportar nos diferentes países nos próximos meses, até porque estamos vendo que cada país tem armas e abordagens um pouco diferentes em relação a esta doença, que vem atingindo grande parte do planeta de maneira fulminante.

Itália, Espanha, Inglaterra e principalmente Estados Unidos nunca tiveram tantos óbitos em tão pouco tempo devido a um único fator, excetuando-se as duas grandes Guerras Mundiais. Os EUA já perderam mais de 35 mil cidadãos em praticamente 4 semanas, que é mais do que em 8 anos de guerra no Iraque e Afeganistão somados!

É por isso que a F1 precisa usar a cabeça, precisam se unir para se salvarem. Deixou de ser uma questão individual de cada player e passou a ser uma questão de sobrevivência coletiva. Eles sabem disso muito melhor que eu. Claro que em um ou outro ponto alguns vão endurecer, mas no fim chegarão em acordo nas questões que dependem deles.

O que não depende deles é quando será a abertura de alguns países, tanto para viagens internacionais, quanto para eventos, mesmo os sem público.

Levando isso em consideração, a F1 deve pensar como está a situação neste momento nos países que costuma correr, pois assim é menos difícil projetar um futuro próximo, de digamos três meses.

Alguns países estão em situação muito melhor que outros. Tiveram uma abordagem antecipada da pandemia e estão mostrando condições estruturais muito mais adequadas que outros, no Oriente Médio e na Ásia principalmente.

Na Ásia temos Cingapura, onde a situação está absolutamente controlada. “Apenas” 10 pessoas morreram até agora desde o início do problema, portanto Cingapura tem que estar na lista do calendário deste ano.

Vietnã também, por incrível que pareça. Zero mortes até agora!

A China – para quem acredita nos números deles – também seria um lugar pronto pra receber a F1 no segundo semestre. A menos que os chineses estejam mentindo demais, não houve sequer 1 caso em Xangai, cidade que está no calendário da F1 há muitos anos. Portanto deve ser considerado, mesmo que a F1 tenha que mandar gente lá antes para ver a situação da cidade com seus próprios olhos.

O Bahrain é outro, “apenas” 7 mortes até o momento que escrevo essas linhas. Abu Dhabi também tem uma situação bem controlada.

Em poucas linhas já “arrumamos” cinco pistas para a F1 correr. Três delas perto uma das outras na Ásia e as outras duas também perto no Oriente Médio.

Na Europa, a Áustria está dando sinal verde para a corrida, tanto o promotor quanto o governo. Já são seis. No Azerbaijão há 15 mortes até esse momento. Chegamos em sete. Silverstone disse que também receberia a F1. Oito.

Nos outros países pertencentes ao calendário da F1 eu não tenho condições de tentar prever agora como as coisas estarão no segundo semestre, mas de qualquer maneira, se as coisas não melhorarem a ponto de se tornarem razoavelmente seguras, já temos oito pistas, ou seja, o mínimo para se fazer um campeonato mundial.

Mas eu iria mais longe e acho que a F1 tem que ousar nesse momento. Eu faria corridas duplas nessas oito pistas. O final de semana seria mais ou menos assim:

Sexta-feira a tarde
1 treino livre de 90 minutos

Sábado
Classificação pela manhã
Corrida de 200 km a tarde

Domingo
Corrida de 200 km a tarde com os 12 primeiros colocados de sábado invertidos

Ambas as corridas valeriam os mesmos pontos, ou seja, pontos cheios.

É muito diferente? É. Viável? Totalmente. E seria um campeonato de 16 corridas.

Além disso, com apenas um treino livre as equipes teriam grande dificuldade em encontrar o acerto fino para a pista, o que poderia proporcionar algumas surpresas bastante bem-vindas para os fãs e patrocinadores.

Na corrida de domingo as equipes teriam o acerto ideal, pois já teriam andado bastante na pista desde sexta-feira. Mas em compensação os 12 primeiros largariam invertidos e isso provocaria corridas sensacionais.

A F1 disse preferir que não haja corridas duplas no mesmo final de semana, já que isso poderia acarretar em muitas quebras. Mas com apenas 1 treino livre e com as corridas sendo de 200 km cada uma, elas andariam mais ou menos a mesma quilometragem que andam hoje num final de semana normal. Até menos.

E ainda teriam a vantagem de apresentarem um espetáculo menos previsível em termos de resultado, o que muita gente diz ser o calcanhar de Aquiles da F1.

Falei sobre isso com o Dude e o Mate. E eles gostaram bastante!

Mas, e se mais pistas e países tiverem condições de fazer corridas de F1 no segundo semestre?

Não acho que muito mais lugares terão condições, mas mesmo que apareçam mais três, o plano poderia seguir em frente e teríamos 22 corridas “nervosas” de 200 km cada!

Adauto Silva
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