F1 – Ídolos do colunista #2

Jean Alesi – Ferrari F1 643

Por: Bruno Aleixo

Jean Alesi nunca chegou perto de ser campeão de Fórmula 1. Obteve apenas 1 vitória e 2 pole positions em toda a sua carreira.. Mas um piloto de Fórmula 1 não é feito só de números e, nos 13 anos em que esteve na categoria, Alesi jamais passou em branco. Seu jeito espalhafatoso de pilotar, sua habilidade incrível para andar na chuva, seus rompantes de ódio aos redardatários que atrapalhavam suas corridas e, principalmente, a festa que fazia a cada resultado conquistado, fizeram de Alesi um piloto especial para os torcedores, principalmente os da Ferrari.

Francês, filho de Sicilianos, Jean Alesi chegou à F1 durante o campeonato de 89, quando ainda corria na Fórmula 3000. Foi Ken Tyrrell quem o colocou para correr em um de seus carros, substituindo Michele Alboreto no GP da França, naquele ano.

Mas foi em 90, já como piloto titular da Tyrrell, que Alesi mostrou todo o seu potencial. Logo na abertura da temporada, o piloto liderou 30 voltas do GP dos EUA, em Phoenix, protagonizando uma disputa de tirar o fôlego com Ayrton Senna. Terminou em segundo lugar a corrida, resultado que repetiria em Mônaco, atraindo os olhares dos donos de equipe para si.

Na metade da temporada, Alesi tinha contratos assinados com Williams, Tyrrell e Ferrari para 91. A Williams era o futuro, uma equipe bem estruturada, com muita grana, desenvolvimento tecnológico a pleno vapor e o motor Renault mostrando-se cada vez mais evoluído. A Ferrari era um presente já em declínio mas, ainda assim, era a Ferrari. Num rompante de pura paixão (ou será que foi dinheiro?), optou pelos italianos, um movimento que se revelaria trágico em sua carreira.

Na Ferrari, Alesi enfrentou, entre 91 e 95, a pior fase da equipe italiana. Os carros sofríveis do time só começaram a melhorar um pouco a partir de 94, com a chegada do projetista John Barnard. E, em 95, Alesi fez seu melhor campeonato, obtendo sua única vitória, uma festa inesquecível no GP do Canadá.

Absolutamente amado pelos torcedores da Ferrari, embora não apresentasse resultados, Alesi era, de fato, um piloto talhado para dirigir os carros vermelhos: ousado, completamente maluco, vivia se envolvendo em acidentes, quebrava carros, mas fazia tudo com um amor e dedicação que valem mais do que vitórias, na cabeça dos ferraristas. Mas a Ferrari começou a perceber que precisava recuperar prestígio e, com a contratação de Michael Schumacher para 96, o contrato de Alesi não foi renovado.

O francês foi, então, para a Benetton, equipe campeã do mundo, justamente com Schumacher. Alesi estava pronto para rechear sua carreira com os números que faltavam. Mas a história foi diferente. Apesar de ter um bom carro nas mãos, o francês continuou se metendo em todas as confusões possíveis e, em dois anos na equipe de Flávio Briatore, conseguiu poucos resultados.

Foi demitido no final de 97 e começou a peregrinar por equipes menores. Passou pela Sauber, onde conseguiu seu último pódio, em 98. Depois foi para a Prost, equipe da qual foi demitido na metade de 2001. Ainda neste ano, garimpou um lugar na Jordan, no lugar de Heinz Harald Frentzen. Despediu-se da F1 no GP do Japão daquele ano, como não poderia deixar de ser, em uma batida com Kimi Raikkonen.

Foi bem estranho assistir à classificação do primeiro GP de 2002 e não ver o nome de Jean Alesi entre os pilotos. Depois da F1, Jean passou pelo DTM e teve uma experiência vexatória nas 500 milhas de Indianápolis, recebendo bandeira preta por lentidão, culpa do motor produzido pela Lotus, que equipava seu carro na ocasião.

Apesar de não ter sido campeão, Alesi acabou sendo personagem importante de uma era na Fórmula 1. Talvez a última na qual números e dinheiro eram importantes, mas não tudo.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP

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