F1 confirma GP da África em Ruanda no início dos anos 2030
terça-feira, 13 de outubro de 2026 às 8:09
Kigali, Ruanda
A Fórmula 1 confirmou seu retorno à África no início da década de 2030, com Ruanda escolhido para receber o GP da África. Para isso, a categoria prevê a construção de um novo circuito em Bugesera, a cerca de 40 km ao sul da capital Kigali.
Com o anúncio, a F1 prepara o fim de uma ausência de quase quatro décadas no continente africano. A corrida integrará o calendário após a conclusão de uma pista projetada especialmente para receber a categoria.
Nos últimos anos, diversos locais surgiram como possíveis destinos para esse retorno. Entre eles estavam Kyalami, na África do Sul, além de circuitos no Marrocos e na Nigéria.
Entretanto, Ruanda ganhou força ao sediar eventos internacionais de grande repercussão. Em 2024, por exemplo, Kigali recebeu a assembleia geral da FIA e a cerimônia anual de premiação da federação.
Além disso, Paul Kagame, presidente ruandês, compareceu a vários GPs nos últimos anos e mantém uma relação próxima com Stefano Domenicali, presidente e CEO da F1, e Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA.
Quero ser VIPNovo circuito da F1 ficará próximo ao aeroporto de Kigali
O projeto prevê a construção do circuito ao lado do novo Aeroporto Internacional de Kigali. Segundo a F1, a pista aproveitará as variações de altitude da região e terá um traçado integrado à paisagem natural.
Dessa forma, a organização pretende oferecer um desafio aos pilotos e ao mesmo tempo proporcionar excelentes pontos de observação para os torcedores.
Além do aspecto esportivo, o projeto também busca estimular o crescimento econômico e atrair investimentos para a região a longo prazo.
Nesse sentido, o governo ruandês espera gerar empregos, desenvolver competências profissionais e ampliar o turismo e as oportunidades de negócios.
Lewis Hamilton, heptacampeão mundial, defende há anos o retorno da F1 à África. Inclusive, no início desta temporada, o britânico afirmou que não se aposentaria antes de ver a categoria realizar um GP no continente.
Caso a primeira corrida aconteça em 2030, Hamilton terá 45 anos. Até o momento, porém, a F1 ainda não confirmou uma data específica para a estreia do GP da África.
Kagame destaca parceria de 10 anos com a F1
Ao comentar o anúncio, Kagame afirmou que a decisão representa uma conquista para todo o continente africano, que reúne mais de 100 milhões de fãs da categoria, segundo o presidente.
“Hoje pertence à África. Durante mais de três décadas, o principal campeonato de automobilismo do mundo correu sem este continente, e isso muda com este acordo”, declarou Kagame.
Além disso, o presidente destacou a oportunidade de aproximar os jovens africanos do automobilismo, tanto nas pistas quanto em áreas técnicas e profissionais.
“Ruanda tem orgulho de sediar o GP da África de F1 e de compartilhar este momento com mais de 100 milhões de fãs em toda a África, muitos deles jovens que merecem ver o esporte em casa e se reconhecer nele: como engenheiros, técnicos, empreendedores e um dia pilotos”.
Kagame também ressaltou a duração do compromisso e seus possíveis efeitos econômicos para o país e a região.
“Esta parceria de 10 anos também é um investimento no futuro de Ruanda. O circuito em Bugesera, ao lado do novo aeroporto internacional, trará empregos, capacitação, turismo e novos negócios para nosso país e nossa região durante décadas”.
Na sequência, o presidente reforçou que os objetivos do acordo vão além da realização da corrida.
“Nosso objetivo nunca foi apenas um fim de semana de corrida, mas um benefício duradouro para nosso povo”.
Por fim, Kagame agradeceu a Domenicali, à F1 e a Ben Sulayem pelo trabalho que tornou o acordo possível. Além disso, afirmou que o país espera receber o mundo para o GP da África.
FIA considera retorno à África um momento histórico
Ben Sulayem também celebrou o anúncio e classificou o retorno da F1 à África como um marco para a categoria e para o automobilismo mundial.
“O retorno do Campeonato Mundial de F1 da FIA à África é um momento histórico para nosso esporte e um passo importante no crescimento global contínuo do automobilismo”, afirmou.
O presidente da FIA também destacou o compromisso de Ruanda com a realização de um evento de padrão internacional.
Segundo ele, a federação trabalhará em conjunto com a FOM, responsável pela operação comercial da F1, e seus parceiros para garantir que o novo circuito atenda aos mais elevados padrões internacionais.
Ben Sulayem ressaltou que o acordo pretende deixar um legado duradouro. Entre os objetivos estão inspirar novas gerações, desenvolver talentos e abrir oportunidades para o automobilismo em toda a África e em outras regiões.
“Ampliar a acessibilidade está no centro da missão da FIA, e temos a responsabilidade de garantir que nosso esporte continue crescendo em todos os níveis, alcançando novas comunidades e criando oportunidades para pessoas em todos os cantos do mundo”.
Por fim, Ben Sulayem parabenizou Kagame pelo marco para o país e agradeceu a Domenicali e a todos os envolvidos na construção do acordo.
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