Domenicali: fãs não entendem clipping, mas adoram a F1

quarta-feira, 29 de julho de 2026 às 17:10

Stefano Domenicali

Os fãs não entendem o clipping nem conseguem identificar todas as ultrapassagens provocadas pelo gerenciamento de energia. Entretanto, na opinião de Stefano Domenicali, isso não impede o público de continuar adorando as corridas da F1 em 2026.

O CEO da categoria acredita que a maioria dos espectadores se concentra apenas na ação apresentada na pista. Assim, não distingue uma disputa convencional de uma troca de posição provocada pela diferença de energia disponível entre os carros.

As novas unidades de potência aumentaram significativamente a participação elétrica no desempenho dos monopostos. Como resultado, os pilotos precisam decidir onde usar ou preservar energia durante cada volta.

Essa diferença de estratégia pode fazer um carro alcançar o adversário rapidamente em determinado trecho. Porém, algumas curvas depois, a situação pode se inverter. Por isso, o fenômeno recebeu o apelido de “efeito ioiô”.

Domenicali vê reação positiva dos fãs

Domenicali já havia rejeitado as críticas ao espetáculo produzido pelo regulamento de 2026. Ao mesmo tempo, reconheceu que a F1 precisará modificar algumas regras relacionadas às unidades de potência.

Apesar disso, o dirigente afirmou que a reação do público às corridas desta temporada tem sido extremamente positiva devido à alta audiência.

“Há muita ação na pista e as pessoas estão adorando. Elas estão focadas naquilo que acontece durante a corrida”, declarou Domenicali à BBC.

Segundo o italiano, conceitos como clipping são técnicos demais para grande parte do público. Portanto, os espectadores avaliam principalmente a quantidade de disputas e ultrapassagens.

O clipping ocorre quando o sistema elétrico reduz sua entrega de potência, geralmente porque o carro já utilizou a energia disponível naquele trecho ou naquela volta. Consequentemente, o piloto perde velocidade, principalmente nas retas.

“Os fãs não entendem nossa tecnologia, a definição de clipping ou qualquer outro detalhe desse tipo. No entanto, o efeito na pista tem sido amplamente positivo”, acrescentou.

Pilotos criticam as novas unidades de potência

A visão de Domenicali contrasta diretamente com as declarações recentes dos pilotos. Afinal, vários deles demonstraram forte insatisfação com o comportamento dos carros de 2026.

Oscar Piastri classificou o atual sistema como “uma maneira horrível de correr”. Enquanto isso, Lando Norris afirmou que a F1 prejudicou seu regulamento na tentativa de atrair novas fabricantes, como a Audi.

Max Verstappen também criticou as unidades de potência depois de testar o carro de 2026 em Spa-Francorchamps no simulador da Red Bull. Segundo o holandês, sua primeira reação foi começar a rir diante do comportamento apresentado.

Fernando Alonso foi igualmente duro em sua avaliação. O espanhol afirmou que os carros atuais da F1 possuem menos energia disponível ao longo de uma volta em Spa do que os monopostos da F2.

Assim, enquanto Domenicali destaca a quantidade de ação, os pilotos questionam a qualidade das disputas. Para eles, muitas trocas de posição acontecem porque um carro fica temporariamente sem potência elétrica suficiente para se defender.

Domenicali pede críticas construtivas

Diante das declarações cada vez mais contundentes, Domenicali pediu aos pilotos que apresentem opiniões construtivas. No entanto, negou qualquer tentativa de censurar as críticas públicas.

O dirigente disse que prefere discutir os problemas a portas fechadas. Dessa forma, pilotos, equipes, FIA e F1 poderiam buscar soluções sem ampliar a polêmica publicamente.

Apesar da defesa de Domenicali, a categoria já começou a modificar o regulamento. Algumas mudanças entraram em vigor depois de apenas cinco GPs, indicando que os problemas superaram as previsões iniciais.

A principal discussão envolve a divisão de potência entre o motor de combustão interna e o sistema elétrico. A F1 promoveu intensamente o equilíbrio próximo de 50-50 antes da estreia das novas unidades.

Agora, porém, a categoria pretende abandonar gradualmente esse conceito. O objetivo é adotar uma divisão de aproximadamente 60% de potência proveniente da combustão e 40% da parte elétrica até 2028.

A alteração deverá reduzir a necessidade de gerenciamento extremo e diminuir – ou até eliminar – o clipping nas retas. Portanto, mesmo que Domenicali considere positiva a reação do público, a F1 reconhece que o regulamento ainda precisa de correções importantes.

AS - www.autoracing.com.br

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