Crise na Aston Martin expõe dilema com Newey
sexta-feira, 6 de março de 2026 às 14:35Crise na Aston Martin aumenta pressão e expõe dilema com Adrian Newey
A crise técnica da Aston Martin na Fórmula 1 segue se aprofundando. Segundo o ex-piloto e analista Ivan Capelli, a equipe praticamente não tem como se afastar de Adrian Newey neste momento.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Capelli afirmou que o status de acionista do engenheiro britânico o torna praticamente intocável dentro da estrutura da equipe.
Ao mesmo tempo, a Aston Martin enfrenta sérios problemas de vibração na unidade de potência Honda. Esse defeito ameaça até mesmo a capacidade de Fernando Alonso e Lance Stroll completarem a distância total de corrida em Melbourne.

Problemas técnicos escondem outras falhas
Capelli acredita que os atuais problemas técnicos acabam mascarando outras fragilidades internas da equipe.
“Parecia que seria o projeto mais cobiçado para 2027, mas agora virou uma grande interrogação”, afirmou.
Segundo ele, as dificuldades começaram com a nova unidade de potência. “Os problemas técnicos, originados na unidade de potência Honda, estão escondendo outras falhas.”
Capelli também destacou que Newey sempre trabalhou com chefes que definiam limites claros. “Newey, um verdadeiro gênio, sempre teve superiores que lhe davam liberdade, mas também prazos bem definidos — Patrick Head na Williams, Ron Dennis na McLaren e Christian Horner na Red Bull.”
Agora, porém, a situação é diferente. “Hoje ele é chefe de equipe e também projetista. E, veja só, o carro chegou atrasado porque quiseram alterar detalhes até o último momento.”
Além disso, Newey precisa lidar com responsabilidades organizacionais que antes não faziam parte do seu dia a dia.
“Ele também precisa resolver uma série de questões organizacionais que nunca tinha enfrentado antes.”
E, segundo Capelli, existe outro fator decisivo. “Ele nem pode ser removido porque é acionista.”
Regulamento de 2026 ainda levanta dúvidas
Capelli também comentou o cenário técnico para o regulamento de 2026, que ainda apresenta muitas incertezas.
De acordo com ele, a discussão atual gira em torno da potência elétrica usada para recarga das baterias.
“Fala-se muito sobre o limite de quilowatts usados para recarga. O máximo é 350, mas a Aston Martin diz que nem consegue chegar a esse valor.”
As outras equipes também enfrentam dificuldades. “As outras equipes ainda lutam para utilizar completamente o componente elétrico.”
Durante os testes, os carros utilizaram níveis menores. “Na pista, eles estavam testando com algo entre 200 e 250 kW. Tudo ainda está evoluindo.”
Diferença entre as equipes pode aumentar
Enquanto isso, o CEO da F1, Stefano Domenicali, sugeriu que os problemas iniciais devem desaparecer após algumas corridas. Capelli, porém, discorda dessa avaliação. “Acho que isso vai continuar acontecendo.”
Segundo ele, a nova era técnica pode ampliar a distância entre as equipes. “Apesar da grande inovação, as quatro equipes de ponta ficarão próximas: Mercedes, Ferrari, McLaren e Red Bull.”
No entanto, o restante do grid pode sofrer. “Os outros devem ficar cerca de um segundo atrás.”
Ferrari recebe elogios por evolução do carro
Capelli também comentou o bom início da Ferrari na temporada e destacou o papel de Charles Leclerc no desenvolvimento. “O carro na pista provou ser muito melhor do que o de 2025 durante os testes.”
O monegasco, segundo ele, teve influência direta nas melhorias. “Leclerc fez um trabalho específico para melhorar a performance.”
As mudanças envolveram principalmente a parte traseira do carro. “Houve modificações na traseira, incluindo a asa ‘Macarena’. Foi uma abordagem bastante agressiva.”
Leclerc ainda pode ter vantagem sobre Hamilton
Apesar da chegada de Lewis Hamilton à Ferrari, Capelli acredita que Leclerc pode começar a temporada com vantagem. “Tenho a sensação de que Leclerc ainda tem alguns décimos guardados.”
O italiano também analisou o estilo de pilotagem de Hamilton nos primeiros treinos. “Lewis não estava particularmente fluido nas curvas. Ele ainda não parecia pilotar de forma instintiva.”
Por isso, Capelli prevê um cenário inicial claro. “Para mim, Charles continuará à frente, pelo menos no começo.”
Antonelli recebe elogios
Outro piloto que chamou atenção de Capelli foi Andrea Kimi Antonelli. O jovem da Mercedes, segundo ele, demonstra maturidade além da idade. “Ele está muito motivado e mais maduro na sua atitude.”
Além disso, Antonelli já analisou o companheiro de equipe. “Ele mediu Russell e conhece seus pontos fortes e fracos.”
Capelli acredita que esse fator pode ser decisivo. “A mentalidade dele fará a diferença.”
Audi, Alpine e Haas podem surpreender
Capelli também avaliou algumas equipes do pelotão intermediário. Para ele, a Audi apresenta um carro equilibrado, mesmo com um conceito visual mais robusto. “A Audi, apesar do formato um pouco volumoso, parece bem equilibrada nas curvas.”
Já a Alpine pode surgir como surpresa positiva. “A Alpine pode ser a surpresa.”
Por fim, ele também destacou o potencial da Haas. “A Haas também parece interessante.”
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