Binotto pede “novas regras” para motores de 2026

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 às 9:05

Mattia Binotto

Mattia Binotto voltou a acender o sinal de alerta no paddock da Fórmula 1.

Às vésperas de uma reunião decisiva da FIA com os fabricantes de unidades de potência, o dirigente destacou que dúvidas ainda não resolvidas sobre a medição da taxa de compressão podem gerar uma vantagem competitiva precoce em 2026.

Portanto, a declaração surgiu em um momento estratégico. Na terça-feira, durante a apresentação da pintura da Audi para a nova era técnica, o ex-chefe da Ferrari – agora à frente do projeto da marca alemã na F1 – deixou claro que a preocupação vai além de simples especulação.

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Audi vê risco real no regulamento técnico

Segundo Binotto, o atual conjunto de regras cria um cenário de incerteza. Além disso, rumores persistentes indicam que Mercedes e Red Bull-Ford podem ter explorado uma brecha quando os motores atingem a temperatura ideal de funcionamento.

“Precisamos de novas regras para medir a taxa de compressão”, afirmou Binotto ao Corriere della Sera.

Ainda assim, o dirigente fez questão de contextualizar o debate. Antes de tudo, ele reconheceu que a Audi não espera iniciar 2026 no topo da hierarquia.

“Certamente não esperamos que nossa unidade de potência seja a melhor desde o início porque isso seria irrealista”, explicou. “No entanto, se isso for verdade, a diferença de performance e tempo de volta será significativa. Consequentemente, isso pode influenciar diretamente a próxima temporada”.

Reunião da FIA busca solução, não punição

De acordo com Binotto, a reunião marcada para 22 de janeiro não tem como objetivo proibir conceitos já desenvolvidos. Pelo contrário, o foco está em corrigir uma fragilidade estrutural do regulamento técnico.

“No momento, existem apenas rumores de que o motor Mercedes pode operar com uma taxa de compressão superior ao permitido em altas temperaturas”, disse. “Porém, não há meios de saber ou provar isso. Assim, você não pode protestar se não sabe exatamente o que está protestando”.

Em seguida, Binotto detalhou o cerne da discussão com a FIA.

“O que será debatido não é um simples esclarecimento das regras. Na verdade, o objetivo é encontrar uma solução que permita, no futuro, medir a taxa de compressão em condições reais de operação, em tempo real, com o carro em movimento – e não apenas quando o motor está frio e desmontado”.

Honda e Aston Martin reforçam necessidade de clareza

Enquanto isso, a Audi não está sozinha na cobrança por transparência. No mesmo dia, a Honda apresentou sua unidade de potência para 2026 em Tóquio, e da mesma forma, reconheceu as zonas cinzentas do novo regulamento.

Andy Cowell, da Aston Martin, classificou a taxa de compressão como um ponto inevitável de atrito sob regras inéditas.

“Todo fabricante estuda o regulamento e tenta extrair o máximo”, afirmou. “Por isso, cabe à FIA garantir que todos interpretem as regras de forma justa e uniforme. Esse trabalho inclusive está em andamento agora”.

FIA no centro das decisões técnicas

Por sua vez, o presidente da Honda, Toshihiro Mibe, foi ainda mais direto ao apontar onde está a responsabilidade final.

“O regulamento não especifica tudo de forma clara, ponto a ponto”, disse. “Como resultado, existe muita margem para interpretação e isso também faz parte da disputa. No caso da FIA, cabe a eles decidir se isso é bom ou ruim. Portanto, precisam assumir essa responsabilidade”.

Já Koji Watanabe, presidente da Honda Racing Corporation, adotou um tom mais cauteloso. Segundo ele, a fabricante japonesa pretende apenas “cumprir e respeitar o regulamento” enquanto as discussões continuam.

 

LS - www.autoracing.com.br

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