Binotto cutuca Ferrari após estreia com pontos da Audi

quinta-feira, 12 de março de 2026 às 10:53

Mattia Binotto

Mattia Binotto lançou uma crítica direta à Ferrari ao comentar os objetivos da Audi na Fórmula 1. O dirigente lembrou que a escuderia italiana não conquista um título mundial desde 2008.

A declaração surgiu logo após a estreia da Audi na F1 no GP da Austrália. Na corrida, Gabriel Bortoleto terminou em nono lugar. Dessa forma, garantiu os primeiros pontos da fabricante alemã no campeonato.

Assim, o resultado marcou um começo positivo para o projeto que assumiu a estrutura da Sauber a partir da temporada 2026. Ao mesmo tempo, a performance serviu como um sinal inicial do potencial da nova operação.

Quando o jornal L’Equipe perguntou se a meta era tornar a Audi tão forte quanto a Ferrari, Binotto respondeu de maneira direta. Vale lembrar que o italiano passou 28 anos em Maranello. Nesse período, inclusive ocupou o cargo de chefe da equipe por duas temporadas.

“Por que eu faria isso?” questionou. Em seguida, reforçou a provocação. “Eles não ganham nada desde 2008. Portanto, eu quero que a Audi vença”, afirmou, rindo.

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Diagnóstico duro da estrutura herdada da Sauber

Além das críticas, Binotto também apresentou uma avaliação detalhada da base que herdou ao assumir o projeto da Audi.

Segundo o dirigente, a antiga estrutura da Sauber possuía limitações claras. Ainda que tenha tradição na categoria, a organização precisava de mudanças profundas.

“Era uma equipe pequena e histórica, mas com uma infraestrutura talvez um pouco ultrapassada”, explicou. “Faltam pessoas, competências, processos e metodologia. Além disso, precisamos de mais espaço e recursos”.

Ao mesmo tempo, Binotto mencionou carências importantes na área técnica.

“Também precisamos de bons testes, de um simulador, de um túnel de vento renovado e de um departamento de fabricação mais eficiente e com maior capacidade”, acrescentou.

Plano de cinco anos para buscar títulos

Apesar do diagnóstico rigoroso, Binotto mantém uma visão clara para o futuro da Audi na F1.

“O objetivo é nos tornarmos campeões mundiais algum dia”, afirmou. “O que precisamos fazer para conseguir isso? Primeiro fazemos uma lista. Depois, trabalhamos em cada ponto. Portanto, é simples assim”.

Além disso, o dirigente revelou que o projeto segue um planejamento estruturado de cinco anos. Inicialmente, a Audi pretende dedicar três temporadas à construção da base competitiva. Depois disso, mais dois anos devem servir para consolidar o progresso.

Segundo Binotto, o plano inclui pelo menos 57 projetos definidos. Cada um deles possui metas específicas e prazos claros. Assim, a organização busca garantir evolução constante ao longo das próximas temporadas.

Diferença cultural entre Ferrari e Audi

Por fim, Binotto também comentou as diferenças entre trabalhar em Maranello e liderar uma operação germano-suíça. De acordo com ele, a mudança cultural é significativa.

“Na Ferrari, não existiam processos. As coisas simplesmente eram testadas”, revelou.

Consequentemente, o sucesso muitas vezes surgia sem um planejamento formal. Por outro lado, a abordagem da Audi segue um caminho distinto.

“Com uma cultura mais alemã e suíça, os planos são fundamentais”, concluiu.

 

LS - www.autoracing.com.br

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