Alonso abandonou GP do Canadá por dor extrema

terça-feira, 26 de maio de 2026 às 9:12

Fernando Alonso

Fernando Alonso suportou apenas 23 voltas no GP do Canadá antes de tomar uma decisão inevitável. O desconforto físico causado pelo cockpit do carro se tornou insustentável durante a corrida em Montreal.

Além da falta de ritmo, o espanhol precisou lidar com dores crescentes dentro do carro. Como consequência, a Aston Martin decidiu retirar Alonso da prova no Circuito Gilles Villeneuve quando os pontos já pareciam inalcançáveis.

Ao mesmo tempo, a chuva que poderia embaralhar a corrida nunca apareceu. Portanto, a equipe preferiu encerrar o sofrimento do bicampeão mundial em vez de insistir em uma estratégia sem perspectivas reais.

“Temos esse problema no assento, onde me sinto cada vez mais desconfortável com as voltas”, explicou Alonso após o abandono. “A posição não parece correta. Além disso, estávamos muito longe dos pontos e sem ameaça de chuva. Então decidimos acabar com a dor”.

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Problema começou ainda na sprint

Na verdade, o desconforto não surgiu apenas no domingo. Durante a corrida curta de sábado, Alonso já havia reclamado da posição dentro do cockpit.

Por isso, a Aston Martin trabalhou durante a madrugada tentando modificar alguns elementos do carro. No entanto, as mudanças não resolveram a situação.

“Tentamos modificar algumas coisas no sábado à noite, mas não funcionou. Então vamos tentar fazer um novo para Mônaco”, revelou o espanhol.

Com isso, a equipe britânica passou a encarar um problema ainda mais preocupante em meio à crise de performance de 2026. Afinal, além da falta de competitividade, o carro agora também afeta fisicamente seu piloto principal.

Aston Martin admite possível erro de conceito

Enquanto isso, o chefe de pista Mike Krack reconheceu que a Aston Martin talvez tenha levado ao extremo o posicionamento do cockpit em busca de ganhos aerodinâmicos.

Segundo o dirigente, Alonso vinha sofrendo há várias corridas. Contudo, o problema nunca havia atingido um nível tão crítico quanto em Montreal.

“Ele está desconfortável há algum tempo”, afirmou Krack. “Nunca chegou ao ponto de impedir completamente a pilotagem. Porém, existe um ponto de pressão que piora cada vez mais. Acho que precisamos reconsiderar um pouco o posicionamento”.

Atualmente, os carros da Fórmula 1 colocam os pilotos em posições cada vez mais baixas dentro do chassi. Isso acontece porque as equipes buscam melhorar o empacotamento aerodinâmico e o centro de gravidade.

Mesmo assim, Krack admitiu que a Aston Martin pode ter exagerado nessa filosofia.

“Você tenta deixar o piloto o mais baixo possível. Porém, quando observamos os últimos anos, vemos posições cada vez mais deitadas. Precisamos verificar se fomos longe demais. Talvez seja necessário voltar um pouco ao conceito que usávamos anteriormente”.

Alonso chegou a sonhar com pontos

Apesar do abandono, Alonso ainda conseguiu animar momentaneamente a corrida da Aston Martin.

Logo nas primeiras voltas, o espanhol apostou nos pneus macios enquanto vários rivais utilizavam intermediários. Dessa forma, ele conseguiu atacar em condições escorregadias e subiu temporariamente para o top 10.

Consequentemente, apareceu pela primeira vez na zona de pontuação em toda a temporada 2026.

“Foi uma coincidência com os pneus macios”, comentou Alonso. “Alguns pilotos estavam com intermediários. Assumi mais riscos nas duas primeiras curvas porque eu podia fazer isso”.

Entretanto, a reação durou pouco. Assim que a pista começou a secar, Alonso perdeu rendimento e caiu novamente para o fundo do grid. Segundo o espanhol, esse cenário já virou rotina para a Aston Martin nesta temporada.

“É sempre a mesma coisa”, desabafou. “Fazemos boas largadas e às vezes ficamos completamente fora de posição. Depois começamos lentamente a cair, ultrapassados volta a volta, até retornar para nossa posição natural no fundo do grid”.

Pequenas evoluções não resolvem crise

Ainda assim, Alonso garantiu que a equipe continua encontrando pequenas melhorias técnicas ao longo do campeonato. De acordo com o veterano, a Aston Martin evoluiu principalmente no funcionamento do câmbio entre Miami e Montreal.

“Sempre existe progresso”, afirmou. “Toda vez que entramos na pista existem novidades no carro, no motor, nos ajustes e no câmbio. De Miami até aqui, melhoramos bastante o sincronismo das trocas e as reduções”.

Por outro lado, Alonso deixou claro que essas evoluções não serão suficientes para transformar o desempenho da equipe no curto prazo. Na visão do espanhol, a verdadeira recuperação depende de avanços significativos no motor e no pacote aerodinâmico.

“Espero muitas pequenas melhorias entre aqui e Mônaco”, declarou. “Mas o problema fundamental e os três segundos de diferença só serão resolvidos com potência de motor e pacote aerodinâmico. Isso só deve acontecer na segunda parte do ano”.

 

LS - www.autoracing.com.br

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